OLÁ MEUS AMORES!
Antes de tudo, minhas boas vindas pra todo mundo que é novo aqui. Muito obrigada por me dar uma chance de mostrar a história dessas duas. Obrigada a todo mundo que está aqui há mais tempo também. Vocês são tão maravilhosas! Eu sei que eu que escrevo, mas cada comentário e curtida é que me motiva <3
Espero que gostem do capítulo <3
- Eu não queria falar não, mas vai ser bem difícil passar dias do seu lado sem poder chegar muito perto de você.
- Fiquei pensando nisso essa noite. Mas nós vamos dar um jeito. Sempre damos.
- Eu sei, Emma. Só estou insegura. – Regina admitiu e Swan apertou sua coxa em sinal de apoio. As duas já estavam a caminho de Embu das Artes para aproveitarem o recesso. Emma passaria uns dias com os pais e Regina aproveitaria para ver o Henry.
- Nós já viemos outras vezes, vai ser igual. Difícil será dormir longe de você quando você voltar pra São Paulo. Confesso que estava precisando descansar da faculdade e que é bom passar uns dias em casa, mas você bem que podia ficar por aqui o recesso todo.
- Com que desculpa eu ficaria na casa da minha ex-aluna tantos dias, dona Emma?
- Henry fica mais solitário nessa época do ano, porque a maioria dos empregados também entram de férias. Bom motivo pra precisar de companhia.
- Você é espertinha, porém esqueceu que não tenho motivos para passar dias na casa do Henry também...
- Claro que tem! Vocês são amigos e ele já é super apegado a você. Sempre que me liga é Regina pra lá e pra cá. – As duas sorriram – Ele te adora. Não será problema nenhum você passar uns dias com ele.
- Eu também o adoro, mas vamos esperar. Já estamos entrando em Embu e aí a gente vê como ficará o clima e os planos dele.
- Fechado. – As luzes da cidade já podiam ser vistas de onde estavam e a loira teve uma ideia. – Amor, será que dá pra você parar o carro um minutinho? – Regina a olhou confusa e rapidamente, já que dirigia.
- Acho que não tem mais postos na estrada – Disse com pesar – Nós já estamos chegando. Você está é apertada?
- Tem um acostamento bem ali. Será rápido, eu prometo. – A mais velha assentiu e parou. Já era fim de tarde, começava a escurecer e a estrada estava vazia.
- Pode descer que eu fico vigiando.
- Não preciso descer. Preciso de outra coisa. – Emma soltou o cinto e se aproximou de Regina, que ergueu a sobrancelha direita e imediatamente sorriu, entendendo o que ela pretendia.
- É? E do que você precisa?
- Vou te mostrar.
Emma beijava Regina delicadamente com as mãos pousadas em sua nuca, embaixo de seu cabelo. Nas pausas para respirar, o beijo passava para o pescoço e orelhas. Suas mãos eram firmes em todo o corpo da mais velha. Swan roçava seus narizes diversas vezes e parava para tocar na cicatriz da outra. Regina, por sua vez, deleitava-se com o momento apaixonado e correspondia a cada toque, focando em deixar que sua respiração pesada encontrasse o ouvido de Emma, já que ela adorava.
- Eu precisava decorar mais o seu cheiro, seu corpo, essa cicatriz e o seu gosto antes da gente chegar.
- Entendo bem. Mesmo que eu saiba de cor cada pintinha que você tem, vou sentir falta de tocá-las por esses dias.
Swan suspirou e colou suas testas, depois abraçou Mills.
- Não queria ser eu quem diz isso, mas precisamos ir. Meu celular já está vibrando no bolso e deve ser obra de Mary Margareth. – Emma disse, quase que em sussurro e Regina suspirou concordando.
Assim que colocaram o cinto, ajeitaram suas blusas amassadas e se posicionaram corretamente no carro, o celular de Mills tocou.
- Parece que mais alguém está preocupado. É o Henry.
- Aproveita que estamos paradas ainda e atende. Assim ele dá o recado para a minha mãe e já facilita. – Emma pediu e Regina concordou.
- Alô, Henry? Sim, já estamos chegando. – pausa – Oh, não! Estou parada no acostamento. – riu – Está tudo bem. Daqui uns cinco minutos consigo ver a placa da cidade e vou direto para sua casa depois de entregar Emma na dela. – outra pausa – Ah é? Ótimo então. Até já! – E desligou.
- Ele estava preocupado por estarmos na estrada agora que escureceu e disse que seus pais estão na casa dele.
- Até agora? – Emma pensou alto e Regina deu de ombros, voltando a atenção para a estrada.
Como dito, alguns minutos depois as duas já estavam em Embu. O caminho até a casa de Henry só não foi em completo silêncio, porque Sia tocava no som. Emma estava preocupada demais com Regina, já que da última vez acabou magoando-a.
Em contrapartida, Mills preocupava-se com Swan, com sua força ou fraqueza para passar aqueles dias. Até o meio do caminho, ela estava animada e planejando uma forma para que Mills ficasse mais tempo, mas agora seu silêncio entregava seus receios. A morena sabia que ela era uma mulher forte, mas até aquele momento não tinham passado por nada que a deixasse com tanto medo. O episódio de Robin jogando tudo na sua cara e na cara de seu pai tinha sido assustador, mas acabou bem e era com ela. Imaginar qualquer coisa ruim sendo dita para Emma cortava o seu coração.
- Amor – chamou e pegou na sua mão ainda dentro do carro – Respira fundo. Tudo vai ficar bem. Nós iremos ficar bem. Não se desespere e nem faça nada que te magoe, por favor. – Regina pediu e Emma apertou seus dedos entrelaçados.
- Tudo vai ficar bem. – Ela concordou e sorriu fraco. Respirou fundo e saiu do carro. Regina saiu logo depois e tocou o interfone. Quase que no mesmo segundo, o portão foi aberto, revelando Mary praticamente correndo na direção das duas.
- Emma, minha filha! Que saudade! – A abraçou.
- Também senti saudades mãe, mas você está me sufocando nesse abraço – Riram.
- Estava me lembrando do seu cheirinho. Você me abandonou por muitos finais de semana. – Dramatizou.
- Menos, bem menos, quase nada. – Revirou os olhos e se soltou de sua mãe.
- Boa noite, Mary. – Regina cumprimentou.
- Olá Regina. – Abraçou de forma mais contida – Como foi a viagem? Vieram direto? – As duas mais novas quiseram rir ao se lembrarem do episódio do acostamento, mas se controlaram.
- Oh, tudo ok. Precisamos parar por uns segundos para matar certas vontades, mas nada diferente. – Regina falou sério e Mary franziu o cenho.
- Xixi, mãe. Xixi. – Emma explicou, dando um cutucão disfarçado na morena.
- Vocês devem estar famintas. Venham pra dentro. David e Henry estão para dar um troço pela demora de vocês.
- Você fala como se fosse uma viagem de três dias, mãe. – Mary revirou os olhos e ignorou a filha, entrando na mansão seguida pelas duas.
- Emma! Regina! – Henry foi o primeiro a levantar da poltrona para cumprimentar. Abraços calorosos foram trocados em meio a sorrisos e frases de saudade.
- Cadê meu pai? – Emma perguntou.
- Foi até a casa de vocês para deixar mais ração para o Oz, já que vamos todos jantar aqui. – Henry respondeu com a expressão confusa. Detalhe que Emma só entendeu quando seguiu seu olhar e viu que ele olhava para sua mãe, a qual encarava Regina com o cenho franzido. – O que foi, Mary?
- Nada importante. É que Regina tem um chupão no pescoço.
- O que? – Mills falou um pouco mais alto e levou a mão até o local, olhando imediatamente para Emma que arregalou os olhos.
- Chupão, Regina? As coisas estão boas então.
- Henry! – Emma o repreendeu.
- Não fique com inveja, minha menina. Arrume alguém para te deixar marcada assim também.
- Olha o que está dizendo, Henry. – Mary disse incrédula e Regina riu.
- Na idade da Emma eu achava bonito e legal. Na idade da Regina estava apaixonado demais para ligar e qualquer coisa era bonita e legal. – Respondeu brincando, mas com um ar saudoso. – Agora só estou velho, então posso brincar com minhas meninas que estão passando pelas fases agora.
- Emma não foi criada pra um menino deixar um chupão no pescoço dela. Desculpa, Regina, mas Deus me livre minha filha aparecer com uma marca dessas. – Mary disse em um tom sério e Mills ficou sem graça, o que a fez colocar seu cabelo de lado, tampando a marca. Emma ficou desconfortável na hora com o comentário. Mesmo que aquilo tivesse sido obra dela e que poderia rir com Regina sobre o assunto depois, naquele momento foi de extrema inconveniência.
- Não tive mãe para me ensinar esses detalhes, Mary. Em contrapartida, você fez um belo trabalho com a Emma, já que olhando daqui não vejo nem uma marca no pescoço dela. – A morena não segurou a resposta e ganhou um olhar frio de Mary e assustado de Emma.
- Só se for ela que deixa marca nas pessoas. – Henry continuou a brincadeira e riu muito quando Mary saiu da sala pisando duro.
- Você está ficando caduco, Henry. – Emma suspirou de alívio e brincou. – Minha mãe vai surtar depois dessa.
- O que aconteceu? – David entrou no cômodo já perguntando, depois de esbarrar na mulher.
- Bobeira da minha mãe. Deixa pra lá, estou com saudade. – Emma abraçou o pai e tratou de mudar de assunto. – Como estão as coisas na faculdade?
- Eu é que tenho que te fazer essa pergunta, minha filha. – Sorriu ternamente – Está tudo ótimo. As coisas práticas são basicamente o que eu já faço para Henry há anos.
Enquanto pai e filha conversavam, Regina sentou-se na poltrona ao lado de Henry. Eles ficaram se olhando com um sorriso no rosto, daqueles que não mostra os dentes. O senhor tratou de pegar na mão da morena e mexeu em suas unhas enquanto pensava em como dizer o que queria.
- Gostou do esmalte, Henry? – Mills perguntou e os dois riram.
- Acho que vermelho fica melhor em você do que em mim, mas gostei bastante. – Brincou.
- Pode falar. O que foi?
- Eu não quero ser intrometido... Sei que não parece, mas ainda tenho senso. – Respondeu sorrindo, mas sua expressão entregava receio.
- Você pode me falar o que quiser, Henry. Vim até aqui para falar com você mesmo, te ver, colocar o assunto em dia, te contar sobre a bolsa...
Ele suspira e assente.
- Não é nada demais. É que eu brinquei com a história da Mary, mas queria dizer que estou bem feliz de você ter alguém. – Ele finalmente respondeu e Regina fez cara de confusa – Digo pela marca no pescoço, no caso. Para deixar uma marca em Mills, deve ser alguém especial.
- Oh, ah! – Ela tampou de novo pela vergonha, mas logo sorriu. Fechou os olhos por uns segundos e abriu. – Eu nunca pensei que podia ser tão feliz. – confessou.
- Seus olhos brilham e isso me diz que não preciso me preocupar com quem é. Claro que queria saber quem deixou Regina Mills marcada no pescoço e no olhar, mas conheço meus limites – Riu e Regina olhou para Emma com pesar. Não por ser ela aquela pessoa, mas por não poder compartilhar a alegria com Henry. Imediatamente o pegar de mãos virou um aperto. Ele seguiu seu olhar, mas não disse nada que mostrasse que ele tinha entendido. O ato mostrava apenas um apoio.
- Prometo contar para você algum dia desses. Você ia adorar a pessoa, tenho certeza.
- Eu acredito em você. – Sorriu - Não me faça esperar muito. Já estou velho. – Brincou para mudar o clima no ambiente.
- Credo, Henry. Que horror! – Mills fez cara de chocada com o comentário e logo os dois caíram na risada.
- Agora me conte sobre a bolsa.
- Claro!
Assim que Regina ia começar a contar sobre a saída de Robin do caso e a volta do dinheiro específico, surge uma Mary mal humorada na sala chamando todos para jantar.
Na mesa o clima era ameno, graças ao Henry e David. O anfitrião sentou na ponta, enquanto Emma sentou no meio dos pais de um lado e Regina sozinha de outro. Assim, o assunto fluía entre os quatro e Mary manteve-se emburrada.
Mills contou sobre a resolução total do problema da bolsa, David contou histórias da faculdade, Henry soltou comentários sobre sua primeira paixão e Mary era cordial quando alguém elogiava o prato. Emma só sorria. Olhava para Regina com orgulho e seu sorriso não se fechava. Sorria lembrando-se de momentos da faculdade que queria poder contar e quando se identificava com sentimentos descritos por Henry. Por vezes o olhar das duas se encontrava e Regina também sorria. A morena tinha seu coração aquecido cada vez que isso acontecia, porque mesmo que ela estivesse "longe", sabia que aqueles detalhes eram confirmações de que estavam juntas.
~
- Vamos, Emma? Oz está com saudades.
- Pode ir. Eu vou com a Regina depois. – A loira respondeu e Mary olhou para o marido.
- Filha, eu precisava falar com você. Podemos ir, por favor? Vou deixar a porta aberta para quando Mills quiser ir.
- Regina vai dormir aqui hoje. – Henry definiu.
- Vai? Vou? – Emma e Regina perguntaram juntas.
- Você não veio para Embu para me ver? Ainda temos muito papo para colocar em dia.
- Oh, claro. – Ela sorriu para o senhor e virou-se para Emma com tristeza nos olhos. Imaginava que não era tão ruim a ideia de trocar de quarto no meio da noite e era o que pretendia.
Todos "concordaram" com seus destinos e Emma foi para a casa dos pais com Mary agarrada ao seu braço e David atrás. Antes que pudesse sair, ele acenou com a cabeça para seu chefe como um agradecimento interno pela força de outro dia.
- Eu sei que você queria dormir com a Emma, me desculpe. – Regina ia interromper para negar, mas Henry fez sinal para que ela esperasse - Eu só imaginei que ela evitaria o pai se você estivesse por lá e ele está muito empenhado em falar com ela. Além do que estou realmente com saudade de você.
- Você sabe se o que ele quer falar é ruim? – Foi inevitável a pergunta.
- Na verdade eu acho que será muito bom. – Ele afirmou com convicção e ela assentiu. Assumiu para si mesma que perguntar mais coisas poderia deixar aquele momento ainda mais estranho e quis segurar seu coração para que se acalmasse. Então mudaram o assunto e continuaram falando de coisas triviais.
~ ~
São Paulo, apartamento da Ruby
- Como será que está lá na cidade da Emma? Estou preocupada de verdade. – Elsa pausou o filme que estavam vendo e perguntou para Ruby.
- Relaxa, baby. Regina e Emma são mulheres fortes e mesmo que não digam, a gente sabe que elas se gostam o bastante pra passar por tudo que tiver que acontecer.
- Você está certa. Só fico pensando, porque a Emma só tem pose. Até outro dia parecia um bichinho acuado. Ainda bem que Regina parece estar bem firme em suas decisões.
- As duas estão. Só precisam de tempo pra assimilar tudo e acostumarem com a ideia. Você lembra que a Emma ficava toda vermelha quando a gente falava da Regina pra ela no começo, né?! – Riram – A língua que ela tá pagando não tem boleto que explique.
- Realmente! O dia do sonho na sala de aula então? Você rindo dela falar que era hétero e ela nervosa. – Mais risadas – Saudade daquela peste já.
- Estou maluca pra ver a reação dela quando descobrir que estamos juntas. – Ruby soltou e Elsa começou a engasgar com a saliva, fazendo com que a morena desse tapas fortes em suas costas.
- Ei! Tá doendo!
- Achei que você ia morrer, fala sério! – Luccas revirou os olhos – É só falar em "estarmos juntas" que você parece que vai dar um troço.
- Eu comprei tequila, abacaxi e canela, você quer?
- Elsa! – Ruby soltou incrédula e bateu na outra com um travesseiro – Se você estiver só usando esse meu corpo vou te transformar em pó e te botar num pote. Pote daqueles que a gente compra na funerária.
- Cada coisa que eu tenho que ouvir, meu Deus!
- Eu estou falando sério, em. Fomos amigas muito tempo, então conheço seus pontos fracos.
- Não tenho isso. – Elsa deu de ombros e depois sua expressão mudou para preocupada quando viu que Ruby se aproximava. Na mesma hora se arrependeu, porque a morena pegou seu pé e começou a fazer cócegas. – Ruby, o filme! Para, pelo amor da nossa senhora da paciência.
- Você quer ver filme? – Ela parou com as cócegas.
- Quero. – Definiu.
- Ok. – Ruby deitou do seu lado e começou a mexer na orelha da loira. Precisou de apenas uns minutos para que Elsa desistisse do que estavam vendo e agarrasse a amiga. – Viu só? Pontos fracos.
~ ~
Em algum lugar de São Paulo
- Onde você estava? Pensei em mil coisas pelo seu sumiço. Estava quase ligando em hospitais pra procurar por você.
- Estou ótima, bebê. Estava visitando uma irmã no interior.
- Estava? Mãe da Elsa?
- Não. A outra. Agora me conte o que meu sugar baby fez nesses dias que estive fora. – Com a mesma tática de sempre, Ingrid perguntou enquanto aproximava-se de Killian com seu decote na altura dos olhos do rapaz.
- Você poderia ter avisado. Não fiz nada achando que minha namorada tinha morrido ou sido sequestrada.
- Que drama, bebê. Estou aqui agora. Agora tira essa cara de marra e me enche de beijos. – Quase ordenou já puxando Jones pela camisa.
Ele queria resistir, saber de tudo direito, mas se deixou levar pelo momento. Quando estavam quase nus, o celular de Ingrid tocou indicando uma mensagem e ela levantou para ler.
- É sério? Não podia esperar?
- Tem coisas que a gente não espera, bebê. A gente só faz. – Respondeu assim que digitou algo e voltou para os braços do mais novo.
~ ~
Casa dos Nolan Swan
Regina Mills: Henry me disse que seu pai queria falar com você. Deu tudo certo?
Emma Swan: Ele ainda não disse nada. Está andando pela casa, arrumando coisas pro Oz. Acho que está pensando em como falar.
Regina Mills: Estou preocupada.
Emma Swan: Não vou negar que também estou. Como estão as coisas aí?
Regina Mills: Apesar de saber que os planos eram dormir por aí, até que foi uma boa ideia ficar mais tempo com o Henry. Ele está bem falante hoje. Mas, amor, tem uma coisa me deixando encucada.
Emma Swan: O que foi?
Regina Mills: Eu acho que ele sabe sobre a gente. Ou acha que sou uma apaixonada que não é correspondida, porque acho que ele me viu te olhar com cara de besta.
Emma Swan: Desculpa, mas eu tive que rir. Deixa de ser linda.
Regina Mills: É coisa séria, Emma Swan.
Emma Swan: Se seu pai sabe e não matou a gente, acho que Henry seria o menor dos nossos problemas.
Regina Mills: Não acha que ele surtaria e contaria para seus pais?
Emma Swan: Claro que não, Regina. Henry é o tipo de idoso que a gente só quer apertar e amar.
Regina Mills: Está certa. Vou ficar menos ansiosa com tudo.
Emma não teve a chance de responder a mensagem na hora, porque ouviu a voz de seu pai chamando-a em outro cômodo. Ele estava no quarto dela, sentado na beirada da cama.
- Precisa de alguma coisa, pai?
- Sim. Senta aqui, filha. Eu quero falar com você há dias e não podia ser por celular.
Swan ficou tensa e sentou ao lado de David.
- Ok... E o que é?
- Sei que tem algo acontecendo contigo e eu não sei o que é. Um pai não saber o que fazer com seu filho é desesperador, Emma. Eu não sei se é algo ruim, se é TPM, se ligo em horários que você está ocupada ou de mau humor porque está com fome. Eu não sei nada e você não me conta. Como pai eu só penso no pior e até achei uns fios brancos no meu cabelo essa semana que acho que são por causa disso. – Ele soltou de uma vez e se assustou com a risada da filha.
- Os cabelos brancos são idade mesmo, pai.
- É sério, Emma. – Ele não desistiria e ela sabia disso. Então suspirou e movimentou seu corpo para que ficasse distante o bastante para poder deitar com a cabeça em seu colo.
- David Nolan Swan, eu estou bem. Na verdade eu estou tão bem que fico mal por pensar que essa alegria pode passar alguma hora. Às vezes parece que é até errado ser tão feliz. Você sabe como é se sentir assim? – Ele assentiu – Eu não estou te deixando de fora da minha vida por estar acontecendo alguma coisa, eu só... quero manter essa bolha cor de rosa que está em volta de mim. – Disse a última parte em um sussurro, como se tivesse medo de assumir o que dizia.
- O que quer dizer?
- Nada. É só aquela coisa de gente antiga que acha que não deve gritar a felicidade.
- Você tem certeza? Eu sei que você se mudou e que sua vida é outra agora, mas saiba que pode sempre contar comigo e com a sua mãe. – Ele disse enquanto passava a mão nos longos cabelos dourados da filha, mas deu uma pausa quando ela riu. – O que foi?
- Não quero ser ingrata, nem nada. Eu amo tanto vocês que até me dói. Mas não é difícil imaginar minha mãe com uma agulha bem próxima dessa bolha que eu falei. A bolha parece forte e resistente, mas Mary Margareth possui uma agulha jamais vista. Grossa, pesada, perigosa. – Ela respondeu com lágrimas nos olhos e David suspirou.
- Sua mãe é difícil, mas só quer a sua felicidade. Seja lá o que for, não vai ter agulha nenhuma na mão dela. Você quer trocar de faculdade, é isso? Quer largar, fazer outra coisa?
- Não, pai, eu estou feliz com a publicidade. É outra coisa.
- Você não vai dizer, não é mesmo?
- Eu acho melhor não. Tudo o que eu mais quero é curtir o conto de fadas por mais tempo.
- Henry me disse que você agora era uma mulher e que eu preciso enxergar isso. Ele estava certo. Desculpe por insistir... Eu só estava preocupado.
- Aquele danado está sempre certo – Sorriu e se sentou, enxugando uma lágrima que teimou em cair – Agora eu vou dormir pra chegar amanhã logo. Durma bem, pai. Eu te amo.
- Também te amo, Emma. Obrigada por ouvir esse velho maluco – A abraçou e seguiu para seu próprio quarto.
Infelizmente (ou felizmente), Mary não conseguiu correr a tempo e David a pegou no flagra, no meio do caminho.
- Não me diga que estava ouvindo a conversa alheia.
- Óbvio que não. Eu estava no banheiro.
- Aqui fora? O que aconteceu com o do nosso quarto?
- Dá um tempo, David. – Respondeu e se afundou embaixo do edredom da cama que dividia com o marido. Ele a olhou descrente e balançou a cabeça em negação. Sabia que Emma estava certa. Sabia que não precisava de muito para que Mary usasse uma agulha para destruir qualquer bolha de felicidade que a deixasse de fora do que ela achava que era dela. Mary sempre fora uma mãe super protetora e não media esforços para o que achava ser o melhor para sua filha.
~
Assim que vestiu seu pijama e se deitou, Emma pegou de volta o celular para responder Regina, vendo que tinha outra mensagem.
Regina Mills: Você sumiu. Espero que tenha dormido, porque se essa demora for por culpa do seu pai, eu estou definitivamente preocupada.
Emma Swan: Era mesmo o meu pai. Acho que ele estava esperando minha mãe dormir para falar comigo.
Regina Mills: E como foi? O que ele queria?
Emma Swan: Ele viu que tinha algo diferente comigo e eu fui sincera.
Regina Mills: Contou sobre a gente?
Emma Swan: Fiquei com muita vontade, mas não consegui. Desculpa.
Regina Mills: Não tem que se desculpar, amor. Um passo de cada vez.
Emma Swan: Acredita que estou com saudade?
Regina Mills: Acredito, porque também estou. Parece que os lençóis da cama de visitas aqui do Henry tem seu cheiro. Ou tem, ou você me deixou maluca mesmo.
Emma Swan: Henry deve ter roubado meu perfume. Você disse que acha que ele sabe sobre a gente, né?! Então! Esse é o jeito dele de torcer.
Regina Mills: Me fazendo pensar em você aqui na cama? Acho que não é uma boa maneira de me ajudar.
Emma Swan: Eu acho que é uma maneira fabulosa. Imagina só tudo o que você pode fazer só com esse cheiro. Eu poderia te ligar para que ouvisse minha voz cheia de saudade também.
Regina Mills: Emma, Emma. Você não brinca com fogo.
Emma Swan: Eu adoraria poder brincar com você, mas acho que hoje vamos ter que ficar com brincadeiras individuais.
Regina Mills: Está me contando que vai se tocar pensando em mim?
Emma Swan: Pensando em você só não. Pensando em você na cama de visitas da casa do Henry se tocando depois de cheirar o lençol com meu cheiro.
Regina Mills: Eu tento ser uma mulher séria e centrada, mas você acaba comigo e com qualquer calcinha que eu esteja vestindo.
Emma Swan: Divirta-se, amor. Amanhã de manhã a gente se vê. <3
Regina Mills: Emoji de coração vermelho, dona Emma? Você sempre manda azul.
Emma Swan: Achei que você não ia se atentar para esse detalhe.
Regina Mills: Nesse momento estou focada em me lembrar de cada detalhe sobre você.
Emma Swan: Ai, Regina. Até amanhã.
Regina Mills: Até amanhã, Emma Swan.