11 - Profundo e verídico

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No dia seguinte pela manhã, o médico me dá alta, com a condição de eu ficar de repouso em casa por mais alguns dias.

Eu e minha mãe voltamos para casa em silêncio, ela também não consegue acreditar no que o James fez comigo.

Ele não sai do meu pensamento, assim como aquelas horríveis palavras que saíram da sua boca. Ele não só terminou o nosso namoro. Ele destruiu uma parte de mim, e da forma mais cruel.

Mesmo assim eu custo a acreditar que aquelas palavras tenham vindo do seu coração. Tenho certeza que todos os momentos que passamos juntos não foram só uma brincadeira dele, e sei que ele me amou de verdade e que talvez ainda me ame. Só não tenho noção do porque ele me disse todas aquelas palavras.

Chegando em casa a minha mãe me ajuda a chegar até o quarto. Sim, eu consigo andar sozinho perfeitamente. E não, minha ferida não está doendo, mas a minha mãe é bem protetora, e sou filho único "sem pai" então já viu.

Ela me deita na cama e consigo convence lá a tomar um banho e dormir um pouco, ela também precisa descansar, talvez mais do que eu.

Parado na minha cama os meus pensamentos só pioram, eu olho para o relógio e vejo que ainda da tempo de entrar na segunda aula da escola e talvez conversar com o James já de cabeça fria. Até aceito o fim do nosso namoro, mas eu mereço uma justificativa melhor da qual ele me deu ontem.

Me levanto devagar, e consigo sair de casa enquanto a minha mãe ainda está no banho. Pego o meu carro e dirijo até a escola.



7

Estaciono na escola e consigo entrar tranquilamente, caminho até o armário do James, onde tenho mais chances de encontra-lo nesse horário. Algumas pessoas me encaram e percebo que elas já estão por dentro dos últimos acontecimentos e talvez saibam até mais coisas do que eu mesmo. Mas não ligo, me concentro no que vim fazer e continuo a caminhar. Quando viro o corredor, o meu mundo se desfaz de vez.

Vejo o James e a Diana se beijando na boca. De imediato me lembro do que ele me disse ontem no hospital "... Agora eu estou em um relacionamento de verdade, com alguém que eu amo de verdade..."

Fico pasmo e saio correndo dali, antes que eles percebam a minha presença e comecem a rir da minha cara ali mesmo.

Quando eu saio da escola, está chovendo muito forte. A raiva e a dor estão no controle do meu corpo agora, não consigo pensar direito então deixo o meu carro ali mesmo e saio correndo em baixo da chuva.

Nunca poderia imaginar que existisse dor tão forte quanto essa. É como se alguém rasgasse o meu coração bem devagar ao mesmo tempo em que não consigo respirar direito. É como se eu descobrisse que o James nunca existiu, que ele sempre foi um lindo sonho, que como todo sonho, tem hora para terminar.

Ao mesmo tempo eu sinto um ódio que nunca senti antes. Ódio dele, da Diana e um ódio ainda maior de mim mesmo.



Meu inconsciente de acordo com as circunstâncias, me trazem até a cachoeira na floresta do ninho verde, o lugar que costumava ser um dos nossos favoritos. Eu já estou todo encharcado por causa da chuva que não para, então não penso duas vezes antes de correr e me jogar na água da cachoeira com roupa e tudo.

Meu corpo desce até a parte mais profunda do lago, a água está gelada, mas a raiva e dor me aquecem de uma forma estranha. Vários momentos que eu e o James tivemos juntos passa pela minha cabeça como um filme, a primeira vez que nos beijamos; ele me pedindo em namoro; nós dois caindo da bicicleta; o dia em que eu reencontrei ele na escola depois de muito tempo...

Nesse exato momento tenho vontade de soltar a respiração e deixar a morte me levar, mas algo mais forte faz o meu corpo flutua de volta a superfície, então eu fico ali, flutuando enquanto a chuva cai no meu rosto.

Depois de algum tempo a chuva para e só então eu percebo que está tarde e falta pouco para a noite chegar. Saio do lago sentido o meu corpo pesado, caminho pela estrada tranquilamente e durante o trajeto percebo que um dos pontos da minha cirurgia se abriu, mas não dou a mínima, parece que a dor que o James causou em mim foi tão grande que eu não consigo sentir qualquer outra coisa que não seja essa dor específica.



7

Apesar de andar devagar, chego em casa em pouco tempo. Quando abro a porta minha mãe não espera um segundo antes de me abraçar com força.

- Onde você estava Joe? Olha só o seu estado! - ela diz me apalpando.

- Eu estou bem mãe - minto da pior forma possível.

- É claro que não está. Vamos ter que conversar depois, agora tem uma pessoa esperando para falar com você.

Quando ela fala isso o meu coração sente uma pequena esperança de que seja o James, que ele veio me dizer que tudo que eu ouvi e vi de ontem pra hoje foi tudo mentira. Mas quando eu me viro e entro na sala, quem eu encontro é a Diana sentada no meu sofá.


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