9 - A máscara cai e a bala se vinga

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   Dirijo a caminho da casa do James, hoje faz algumas semanas que estamos namorando e combinamos de saímos juntos essa noite.

Todos que precisam e que não precisam, já estão cientes do nosso namoro. Esse é o assunto mais comentado na escola, moramos em uma cidade pequena, então até que uma outra "polêmica" aconteça, ainda seremos assunto. Mas nós não ligamos, ninguém mexe ou diz algo na nossa frente.

Estaciono na frente da casa e ando até a sua porta, toco na campainha e a Sra. Cameron atende. Ela ainda não digeriu o meu relacionamento com o filho. Nas últimas semanas ela tentou ser gentil comigo na frente do James, mas eu podia sentir o seu ódio por mim através dos seus olhos.

- Olá, eu vim buscar o James, a gente combinou de sair - digo um pouco desconfortável.

- Bem, o Charlie teve que resolver um assunto e o James foi com o pai, mas eles devem chegar em pouco tempo - ela avisa com a voz calma.

- Então eu volto depois.

- Não, entre, eu preciso mesmo falar com você - ela fala antes que eu possa virar as minhas costas.

Ela é a minha sogra para todos os efeitos, James também a ama e não quero causar uma situação de mal estar. Respiro fundo e entro na casa. Ela me conduz até a mesa de jantar e se senta na minha frente.

- Bem Joe, o James não está em casa, só tem eu e você aqui. Então vamos largar as máscaras e se sinceros um com o outro - o seu olhar e desafiador.

- Eu não sei do que a senhora está falando - eu realmente não sei sobre o que ela está falando.

- Sem teatro Joe - ela se irrita - Sem máscaras. Eu sei que você não ama o James de verdade.

- É aí que a senhora se engana, eu amo e muito o seu filho - começo a me irritar com a sua acusação.

- Vai, pode falar, eu sei o que você quer, eu sei que você só está com o James por causa do nosso dinheiro - ela diz, quase gritando.

- O quê! - fico inconformado - O que te faz pensar que eu estou com o James por causa de... De... Dinheiro! - a última palavra sai com indignação e raiva.

- Ahh, qual é Joe? - ela se levanta da mesa - Por que uma pessoa ficaria com um cego se não fosse por dinheiro?

- Você está ouvindo o que você está falando?! - agora eu me levantando da mesa junto com a minha voz - Você está recriminando o seu próprio filho - digo com nojo dela.

- Você não precisa fingir para mim, porque você não me engana rapaz! Você se aproveitou da cegueira do meu filho e confundiu a cabeça dele, agora ele fica aí pensando que é gay! TUDO POR CAUSA DE UM INTERESSEIRO COMO VOCÊ - ela se exalta pra cima de mim.

- QUEM NÃO AMA O JAMES AQUI E VOCÊ! QUE NÃO ACEITA O SEU FILHO DO JEITO QUE ELE É! EU SIM AMO ELE, EU AMO O JAMES - também me exalto pra cima dela.

- VOCÊ SÓ TEM NO MINIMO DÓ E USA ISSO PRA LUCRAR EM CIMA DELE! - ela aponta o dedo indicador no meu rosto.

Nesse momento a minha mão coça para acertar a cara dela, mas a porta se abre e James entra.

- Está tudo bem por aqui? - James pergunta.

- É, ouvimos gritos lá de fora - completa o pai dele, entrando logo em seguida.

- A gente acabou discutindo por causa de uma besteira, mas já está tudo bem - ela disfarça como se nada tivesse acontecido.

- Joe? - James se certifica.

- É, já passou - eu concordo porque a única coisa que quero nesse momento é sair daqui - Eu vim busca você... Você ainda quer ir ao cinema? - pergunto enquanto tento me recompor da discussão.

- Claro, vamos. Eu vou no cinema do cemitério com o Joe e a gente volta tarde então não esperem - James avisa os pais.

- Bom passeio - o seu pai deseja, enquanto saímos pela porta.



O trajeto é silencioso, não consigo pensar em outra coisa a não ser nas acusações horrorosas que foram feitas a minha pessoa, e a raiva que ainda pulsa dentro de mim se dilui em lágrimas.

- Você e minha mãe brigaram por minha causa não é? - ele pergunta.

Eu penso em mentir, mas não consigo.

- Me desculpe James, eu não quero gerar nenhum desconforto entre você e sua família, mas a sua mãe falou que eu só estou com você por causa do dinheiro da sua família. Você sabe que isso é mentira, eu te amo de verdade e seria capaz de dar a minha vida pela sua... - desabafo, e sou interrompido por uma crise mais forte de choro, tendo que parar o carro no acostamento.

- Sinto muito pela minha mãe ter dito coisas ofensivas a você. Eu vou ter uma conversa com ela. Prometo que vou resolver isso. - ele me abraça e isso é tudo que eu preciso nesse momento.



Hoje a sessão parece estar mais cheia, eu compro os ingressos e nós dois esperamos na fila. Ao entrar procuramos um lugar para sentar, já que o nosso de costume está ocupado. Nesse momento James acertar, sem querer, a sua bengala na mão de um cara que reage de imediato.

- Você tá louco cara? Você não vê por onde anda? - o homem diz irritado se levantando do chão.

- Vai com calma cara, ele é cego, ele não acertou a bengala de propósito - tento defender o James que não reagi, só escuta de cabeça baixa.

- Você não sabe que lugar de cego é em casa e não em um cinema? Por favor né! - ele se exalta, mas a namorada dele o controla.

- Vem James - sussurro no ouvido dele, vendo um túmulo vazio ali perto.

- Você está bem? - pergunto para ele, assim que nos sentamos.

Ele assenti e solta um meio sorriso que não me convence. O filme começa e eu vou narrando pra ele os acontecimentos, como fiz da última vez.


5

No meio do filme, uma pessoa de capuz escuro começa a passear entre os túmulos, parecendo procurar alguém, e alguns na plateia reclamam. A pessoa vai se aproximando de nós e com a pouca luz da tela, consigo identificar o rosto do Kevin, do qual o James me defendeu na escola há algumas semanas. Acho estranho ele estar aqui, ainda mais quando ele para a alguns metros a nossa frente e fica nos encarando.

Kevin não demora a puxar uma arma do bolso da calça e aponta-la para a cabeça do James, que não percebe nada além do fato de eu ter parado de narrar o filme.

- Joe está tudo bem? - James pergunta.

Mas não consigo responder, os meus olhos estão colados na imagem do Kevin apontando a arma para o James. Então vejo o Kevin apertar o gatilho, e imediatamente jogo o meu corpo na frente do James.

Sinto a bala entrar no meu corpo, as pessoas correm e gritam ao distinguirem o som da arma. James grita o meu nome desesperado, sem saber o que está acontecendo, sacudido o meu corpo, chorando sobre ele. Quero falar com ele, dizer pela última vez o quanto lhe amo, mas não consigo, os meus olhos se fecham contra a minha vontade, e eu não enxergo mais nada.

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