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O cheiro dele
Acordar ao som do alarme do Obito já fazia parte da minha rotina.
— “Sasuke, levanta logo. Se atrasar no primeiro dia depois das férias vai dar vergonha na linhagem dos Uchihas,” — ele gritou do corredor, batendo duas vezes na porta.
— “Vai se ferrar...” — murmurei, mas me sentei.
Senti a brisa da manhã entrar pela janela entreaberta, arrepiando a pele exposta do meu pescoço. Meu corpo estava quente demais, e isso era um péssimo sinal. O supressor não estava funcionando como deveria. Outra vez.
“Você precisa de descanso.” A voz do meu lobo sussurrou suave, firme como sempre. “E de espaço. Muito espaço.”
Ignorei. Não tinha tempo pra lidar com ele agora. Mas, por um segundo, senti minha respiração pesar. O instinto... estava à flor da pele.
Levantei e fui direto para o banheiro. Encontrei Itachi escovando os dentes, com aquela expressão sóbria de sempre. Ele era o segundo mais velho da casa, calmo, meticuloso e — como ele fazia questão de lembrar — um alfa puro lúpus. Mas nos tratávamos como iguais.
— “Você tá suando.” — ele comentou, encarando meu reflexo no espelho.
— “É só o calor.”
— “Sasuke...”
— “Já tomei o supressor.”
Itachi me lançou aquele olhar de irmão mais velho que dizia “você pode ser cabeça dura, mas eu sou pior” e saiu.
Descendo as escadas, encontrei Madara de pé, já com uma xícara de café nas mãos. Tio Madara era um ômega puro dominante, mas ninguém ousaria tratá-lo como um ômega qualquer. A presença dele era dominante demais pra isso. Era como se ele carregasse séculos de orgulho Uchiha nos olhos.
— “O conselho da escola ligou ontem,” — ele disse, sem olhar pra mim. — “Avisaram que um novo alfa transferido vai entrar na sua turma.”
Arqueei a sobrancelha.
— “E por que isso importa pra mim?”
— “Porque é um alfa lúpus puro.”
Meu lobo rosnou baixo dentro de mim. “Território. Atenção. Alerta.”
Fechei os olhos por um instante. Um lúpus? Na minha escola? E na minha sala?
Obito entrou logo depois, batendo a porta com força.
— “Esse cheiro tá estranho,” — ele comentou, fungando o ar. — “Você tá escapando?”
Revirei os olhos.
— “Não é o meu cio. É só o calor. Para com isso.”
Ele levantou as mãos em rendição.
— “Ok, drama queen. Só tô cuidando do caçula.”
Itachi apareceu com a mochila nos ombros. — “Vamos ou vocês vão chegar tarde.”
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A escola estava barulhenta como sempre, mas havia uma tensão nova no ar. E não era só coisa da minha cabeça.
“Tem cheiro novo no território.” Meu lobo sussurrou, inquieto. “Ele chegou.”
Entrei na sala e tudo pareceu... comum. Até que ele apareceu.
Cabelos loiros desgrenhados, olhos tão azuis que pareciam iluminar a sala, fones no pescoço, uniforme bagunçado e um sorriso idiota estampado no rosto. Mas nada disso me atingiu mais que o cheiro.
“Alfa.” “Lúpus.” “Forte.” “Perigo.”
A fera dentro de mim se ergueu. Meu coração acelerou contra a minha vontade.
O professor o apresentou com um suspiro cansado.
— “Esse é Naruto Uzumaki. Transfere-se hoje. Tentem ser gentis.”
Naruto olhou ao redor até me encontrar. E sorriu. Sem vergonha. Como se já me conhecesse.
> “Ele nos viu.” “Nos reconheceu.” “Ele quer algo.”
— “Oi, Uchiha, né? Sabe onde fica o laboratório de Química?”
Fingi não ouvir. Peguei meu caderno, levantei da carteira e caminhei para longe dele.
Mas mesmo com a distância, o cheiro dele ainda estava grudado em mim.