Capítulo 1

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O cheiro dele

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O cheiro dele

Acordar ao som do alarme do Obito já fazia parte da minha rotina.

— “Sasuke, levanta logo. Se atrasar no primeiro dia depois das férias vai dar vergonha na linhagem dos Uchihas,” — ele gritou do corredor, batendo duas vezes na porta.

— “Vai se ferrar...” — murmurei, mas me sentei.

Senti a brisa da manhã entrar pela janela entreaberta, arrepiando a pele exposta do meu pescoço. Meu corpo estava quente demais, e isso era um péssimo sinal. O supressor não estava funcionando como deveria. Outra vez.

Você precisa de descanso.”
A voz do meu lobo sussurrou suave, firme como sempre.
E de espaço. Muito espaço.”

Ignorei. Não tinha tempo pra lidar com ele agora. Mas, por um segundo, senti minha respiração pesar. O instinto... estava à flor da pele.

Levantei e fui direto para o banheiro. Encontrei Itachi escovando os dentes, com aquela expressão sóbria de sempre. Ele era o segundo mais velho da casa, calmo, meticuloso e — como ele fazia questão de lembrar — um alfa puro lúpus. Mas nos tratávamos como iguais.

— “Você tá suando.” — ele comentou, encarando meu reflexo no espelho.

— “É só o calor.”

— “Sasuke...”

— “Já tomei o supressor.”

Itachi me lançou aquele olhar de irmão mais velho que dizia “você pode ser cabeça dura, mas eu sou pior” e saiu.

Descendo as escadas, encontrei Madara de pé, já com uma xícara de café nas mãos. Tio Madara era um ômega puro dominante, mas ninguém ousaria tratá-lo como um ômega qualquer. A presença dele era dominante demais pra isso. Era como se ele carregasse séculos de orgulho Uchiha nos olhos.

— “O conselho da escola ligou ontem,” — ele disse, sem olhar pra mim. — “Avisaram que um novo alfa transferido vai entrar na sua turma.”

Arqueei a sobrancelha.

— “E por que isso importa pra mim?”

— “Porque é um alfa lúpus puro.”

Meu lobo rosnou baixo dentro de mim.
Território. Atenção. Alerta.”

Fechei os olhos por um instante. Um lúpus? Na minha escola? E na minha sala?

Obito entrou logo depois, batendo a porta com força.

— “Esse cheiro tá estranho,” — ele comentou, fungando o ar. — “Você tá escapando?”

Revirei os olhos.

— “Não é o meu cio. É só o calor. Para com isso.”

Ele levantou as mãos em rendição.

— “Ok, drama queen. Só tô cuidando do caçula.”

Itachi apareceu com a mochila nos ombros.
— “Vamos ou vocês vão chegar tarde.”

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A escola estava barulhenta como sempre, mas havia uma tensão nova no ar. E não era só coisa da minha cabeça.

“Tem cheiro novo no território.”
Meu lobo sussurrou, inquieto. “Ele chegou.”

Entrei na sala e tudo pareceu... comum. Até que ele apareceu.

Cabelos loiros desgrenhados, olhos tão azuis que pareciam iluminar a sala, fones no pescoço, uniforme bagunçado e um sorriso idiota estampado no rosto. Mas nada disso me atingiu mais que o cheiro.

Alfa.”
“Lúpus.”
“Forte.”
“Perigo.”

A fera dentro de mim se ergueu. Meu coração acelerou contra a minha vontade.

O professor o apresentou com um suspiro cansado.

— “Esse é Naruto Uzumaki. Transfere-se hoje. Tentem ser gentis.”

Naruto olhou ao redor até me encontrar. E sorriu. Sem vergonha. Como se já me conhecesse.

> “Ele nos viu.”
“Nos reconheceu.”
“Ele quer algo.”

— “Oi, Uchiha, né? Sabe onde fica o laboratório de Química?”

Fingi não ouvir. Peguei meu caderno, levantei da carteira e caminhei para longe dele.

Mas mesmo com a distância, o cheiro dele ainda estava grudado em mim.

Naruto Uzumaki.

Alfa lúpus puro.

Problema.




















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