Capítulo 5

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As horas passavam e nada do sono me encontrar.  Revirava de um lado para o outro sem encontrar uma posição confortável que me induzisse a dormir. No início, fiquei pensando em Kian e o que ele representava para mim. Não demorou muito tempo para que eu começasse a me sentir sozinha. Mesmo que meus pais estivessem distantes, a solidão não fazia parte da minha vida, jamais me acostumaria com aquilo. Olivia sempre esteve ao meu lado em todos os momentos difíceis de minha vida. Desejava poder olhar para ela ou ao menos escutar o som de sua voz.

Andei de um lado para o outro no quarto. A todo momento, olhava pela janela, ansiosa por algo. Talvez estivesse sofrendo alguma crise de ansiedade por causa do desaparecimento do meu pai ou a perda da minha mãe. Uma agonia se estabeleceu em mim, quando pensei que todas as minhas coisas estavam arrumadas em um quarto desconhecido. Motivos não faltavam. O que quer que fosse estava me deixando inquieta. Olhei para o relógio, eram três horas da manhã. E mais uma vez, eu estava pendurada na janela. O vento balançava levemente algumas árvores e em um súbito de coragem, tive uma ideia.

— A piscina! — Sussurrei saindo da janela e pegando uma toalha.

Parecia uma loucura, mas a água me acalmava e talvez eu precisasse de um mergulho para me sentir melhor. Desci as escadas na certeza de que não haveria ninguém andando pelo hall ou pela piscina àquela hora e, como eu imaginava, não havia ninguém pelo caminho. Percebi o que estava fazendo quando comecei a descer a trilha no escuro, sozinha em um lugar desconhecido.

Entrei pelos portões e coloquei minhas coisas em um canto escondido do vestiário. Não pensei duas vezes e pulei na piscina de roupa e tudo. A água tocou minha pele, dando-me à sensação de leveza que eu tanto precisava. Nadei por um longo tempo sem parar para descansar. Após várias voltas, agarrei-me a beirada, sentindo o calor emergir por meu corpo. Fechei os olhos e o único som era o das árvores balançando delicadamente. Então, um barulho diferente chamou minha atenção. Eram passos bem pesados, descendo pela mesma trilha que eu havia passado.

— Não acredito! — Apoiei-me na beirada para sair da piscina.

Quem estaria ali uma hora daquelas? Seria algum vigia? Será seguro?

Saí da água e me encolhi no vestiário jogando a toalha ao meu redor. Não sabia o que era, mas estava começando a ficar apavorada. Procurei ao redor algo que pudesse me defender. Um pedaço de madeira ou uma barra de ferro, mas não encontrei nada. O lugar era cercado de militares, pessoas treinadas para proteger. Talvez não confiasse totalmente naquela afirmação. Eu estava no escuro e quando vi quem entrava pelos portões da piscina, senti um frio subir pela minha espinha. Era o Primeiro.

Ele usava uma blusa de moletom preta e calças combinando. Uma toalha branca em uma das mãos e algo pequeno na outra. Andando lentamente, ele caminhou até a mesa de som e encaixou o que agora eu reconhecia como pen drive no som. A música In The End, do Link Park inundou o lugar. Ele tirou a blusa e a calça, ficando apenas com uma bermuda preta que estava por baixo de suas roupas. Fiquei envergonhada por observá-lo assim, mas eu já estava ali, não havia o que ser feito. O Primeiro se posicionou na beirada da piscina e fechou os olhos. Parecia estar sentindo a música. Seus músculos reluziam com a luz da noite, acompanhando levemente o som ao redor. Ele saltou na piscina, mantendo a postura dura. Vários respingos de água quente se espalharam pelas beiradas da piscina. Eu o invejei, pois ali fora estava fazendo muito, muito frio. Fiquei ali com o som do rock, encorajando-me a sair e enfrentar o que fosse logo.

Depois de três voltas na piscina, ele saiu e voltou para onde tinha deixado suas roupas. Sua playlist estava cheia de músicas do Link Park e agora, tocava Numb. Sua cabeça balançava, acompanhando a melodia. O Primeiro estava exatamente no meu caminho e não havia como sair sem que ele me visse.

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