Capítulo 2

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- Não podemos mais esperar. Vamos! - Kian pediu, mantendo a mão estendida para mim. Olhei novamente para a carta e segui o que o meu pai me ensinou. Segurei a mão de Kian e logo, estávamos correndo pelos corredores da Universidade.

Kian seguia na minha frente ao lado do homem de sobretudo preto e os outros dois marchavam atrás de mim, incentivando-me a andar o mais rápido possível. Tremi por dentro quando em um pequeno movimento pude ver na cintura de Kian um volume parecido com o de uma arma. Ver aquilo não deveria me assustar, visto que meus pais andavam armados vinte e quatro horas por dia, mas eles eram os meus pais e eu não fazia ideia de quem eram aqueles caras.

Quando viramos o corredor da saída, algumas salas já estavam entrando no horário de almoço e as pessoas passeavam pelos corredores. Era inquietante caminhar entre adolescentes normais cercada por homens armados, possuídos de uma postura militar impecável. Enquanto, por outro lado, eu tentava initerruptamente não tropeçar em meus próprios pés. Olhos curiosos começaram a se fixar em nós quando passávamos. Olhariam de qualquer forma, considerando que aqueles homens eram enormes, tanto na altura quanto na musculatura. Aquilo impressionava. Olhei ao redor na esperança de ver Olivia. Ela ficaria me esperando sem saber para onde fui ou quando voltaria. E o pior é que nem eu sabia responder tais perguntas.

- Kimberly? - Parei de andar quando ouvi Marcus me chamando. Em seu rosto havia espanto. - O que está acontecendo?

- Não podemos parar! - Kian sussurrou.

Marcus encarou o homem de coturnos negros e como uma estátua permaneceu paralisado. Kian passou por ele e lhe ofereceu um breve aceno. Diferente do seu parceiro indelicado que continuava a caminhar, ignorando os olhares das meninas em cima dele.

- Eu ligo para você! - Gritei para Marcus enquanto caminhava a passos largos no curto espaço destinado a mim. Ele os observava como se fosse intervir no que estava acontecendo, mas não o fez e nós seguimos adiante.

Fui guiada por eles até um grande furgão preto de quatro portas. Os vidros escuros estavam embaçados com a pequena garoa que caia do céu, deixando o tempo mais frio. Olhei o meu reflexo pela pintura reluzente do carro e agradeci por ter escolhido a jaqueta. Pelo menos, não congelaria de frio.

- Entre! - Kian abriu a porta. Encarei-o com uma visível interrogação nos olhos. - Não se preocupe. Em breve, você entenderá tudo.

- Ross, a rota já foi passada. - Um dos outros homens afirmou, estendendo um tablet preto para Kian.

Ross? Porque se chamavam pelo sobrenome? Homens da polícia? A pergunta rondou minha cabeça e novamente percebi que não fazia ideia de quem eles eram.

- Passe a rota para o Primeiro. - Kian balançou a cabeça em direção ao homem dos olhos claros.

Primeiro? Que droga de nome era aquele?

- Esse é o nome dele? - Perguntei enquanto Kian tentava colocar o cinto em mim, como se eu tivesse dez anos de idade.

- Pode-se dizer que sim. Este é Billy. - Referiu-se ao homem que lhe o entregou o Tablet. Billy era sério e tinha a expressão de poucos amigos. - E aquele é o Adam. - Kian apontou para o homem que estava segurando a porta direita do banco de trás do carro. Até agora, Adam não havia dito nenhuma palavra e ele era o que mais me dava medo. Sua estatura alta se igualava aos outros três homens, mas havia algo estranho em seus olhos negros. Poderia não ser nada, mas meu subconsciente estava apavorado demais para raciocinar. - Estará segura conosco. - Ele me olhou gentilmente e mesmo envolvida no desespero de saber o que estava acontecendo, ter Kian por perto estava me deixando mais calma. Seu braço roçou no meu naquela confusão de cinto e notei que sua pele reagiu com um pequeno arrepio, da mesma forma que a minha, porém ele fingiu que nada havia acontecido e fiquei feliz com isso.

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