'senhoras e senhores, bem vindos à ilha Jeju. Por favor mantenham o cinto apertado até o avião parar por completo.
LuHan mantinha os olhos no livro. Não estava pronto para olhar pela janela. Ainda. Aquela ilha lhe trazia muitas lembranças, memórias que durante dois anos tinha tentado apagar a todo custo mas sem muito sucesso. Soltou um suspiro pesado, ignorando o garoto no banco de trás que não parava de gritar e de chutar a parte de trás do assento onde o chinês se encontrava sentado.
O chinês só estava ciente da bola de ansiedade que parecia ter encontrado habitação em seu estômago. O eco do seu batimento cardíaco fazia eco em sua cabeça; no fundo dos ouvidos podia ouvir a voz do piloto do avião falando mais um aviso, no entanto LuHan apenas conseguia pensar no quanto aquele avião era claustrofóbico. No quanto não queria estar ali mas sim em Londres, na sua casa perto do rio.
Mantinha os olhos fixos nas páginas do livro, normalmente ler o acalmava mas seus olhos pareciam reconhecer letras que seu cérebro se recusava processar. Podia ter escolhido outro livro para aquela viagem mas parte dele sabia que não teria importância; observou com certa resignação que durante todo o vôo não tinha saído da mesma página – a terceira.
‐ Nós estamos no chão, pode parar de se preocupar. – se assustou com a voz,arregalando os olhos e olhando para o lado, sorrindo sem jeito quando viu que uma mulher muito mais velha o encarando; olhos castanhos e uma expressão preocupada, quase maternal.
Maternal? LuHan não escondeu a surpresa ao ter reconhecido tal expressão, já que era tão raro ser dirigida a ele. Ser encarado de forma maternal o fazia sentir nu, exposto; inadaptado e com vergonha por não saber digerir o que tal olhar o fazia sentir: compreensão. Tudo porque cresceu sem mãe ou pai. Abandonado em um parque frio e envolto em sacos de lixo, com sangue ainda cobrindo o corpo; sem uma desculpa ou justificação mas LuHan não precisava de uma afinal o significado era bastante claro – atos valem mais que palavras.
Por momentos considerou a hipótese de confessar aquela completa desconhecida que sua preocupação não se devia ao fato de estar dentro de um avião, mas sim porque daqui a poucos minutos se veria obrigado a colocar os pés naquela maldita ilha. Porém manteve‐se calado e quieto, de que ia adiantar?
Ficou um pouco surpreso quando a mulher não pareceu ficar incomodada com a falta de resposta, se inclinando sobre LuHan e olhando para fora da janela. – Olhe para este céu azul. Nunca estive em Jeju. E você? – ela o estava distraindo, aquela completa estranha o estava tentando acalmar porque achava que ele tinha medo de voar. Era simpático da parte dela, fofo até.
‐ Já tinha cá vindo. – sua voz saiu rouca e ele sorriu para ela, a bondade da mulher merecia que pelo menos LuHan lhe desse atenção. – Em negócios há alguns anos atrás. –e esse tinha sido o primeiro erro dele. A primeira vez tinha sido em negócios mas a segunda já tinha sido por outros motivos completamente distintos; amor, paixão, desejo.
- E desta vez? – os olhos da mulher passaram pelos jeans apertados de LuHan e o chinês se sentiu observado, sabendo que estava vestido de forma bastante informal e simples.
‐ Vim ao casamento do meu melhor amigo. – a informação ia saindo pela boca mas a sua mente estava em outro lugar, mais propriamente no circo que estava montado na pista. Sentiu um aperto no peito e desejou ter trazido o inalador para a asma, que tinha ficado no compartimento de bagagem, quando viu os carros de vidros escuros; os guarda costas. Para evitar aquele comitê de boas vindas indesejadas não tinha contado a ninguém sobre o voo mas claro que isso tinha adiantado zero.
Ele estava na pista, olhos escondidos atrás de óculos escuros estilo aviador, olhando o avião. Ele ali na pista, carros e guarda costas e todo aquele aparato, tudo isso só mostrava o quanto aquele homem na pista tinha poder. Nenhum outro civil teria tido esse privilégio, no entanto aquele homem não era qualquer um. Era SeHun, um Oh, membro de uma das famílias mais antigas e mais poderosas de Jeju.
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Just Breathe
FanfictionUma vez marido de um Oh, para sempre marido de um Oh. LuHan não tinha sorte no amor, prova disso era que seu casamento tinha sido um desastre e estava prestes a terminar. Depois de dois anos longe o chinês estava de volta a Jeju e não demorou muito...
