[ EM BREVE ]
A vida de Jimin se resumia em passar cada segundo em casa. Seu sistema imunológico era fraco demais para resistir a qualquer vírus e bactéria que um adolescente comum vive o tempo todo, isso causaria sua morte. Então, Park não se lembr...
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Jimin on
Eu era doente. Não doente como alguém que pega uma gripe e fica em uma cama durante dias. Eu provavelmente morreria jovem. Meu corpo não aguentaria sair da minha zona de conforto, o que me fazia querer constante deixar de viver.
Meu pai costumava dizer que eu deveria ser grato por um coração ainda bater em meu peito, afinal a maioria dos portadores de minha doença duravam até no máximo 2 anos. Eu me sentia um monstro, por ser doente como eu era e mesmo assim não fazer questão alguma de estar vivo. Pois é somente isso o que eu era. Meu sangue corria em minhas veias, mas nunca fiz nada além de sobreviver e jamais viver verdadeiramente. Era como se eu vivesse a vida através da visão de outra pessoa, e nunca com minhas próprias experiências. Eu mal sabia do que eu gostava de fazer, mal me conhecia.
Só sabia o que me era permitido saber. Só comia o que me era permitido comer. Só vestia o que me era permitido vestir. Como poderia ser grato por isso?
Eles eram minha base, sempre foram. O homem e a mulher que me criaram foram um dos poucos rostos que eu vi até os meus 17 anos, idade em que ficar no quarto e usar as redes sociais — não livremente — era tudo que me restava. Pra mim, era até irônico ver que nesse caso, eu era como muitos jovens que não fazem nada além de ficar em casa, mas por livre e espontânea vontade.
Já eu, tinha como maior desejo sair. Mas nunca pude, devido a minha maldita doença. Minha família a descobriu logo após tantas visitas minhas ao médico, minha perda de peso e tudo que caracteriza uma criança que está a beira da morte. Já era para eu ter deixado esse mundo a muito tempo. Por isso, eu era considerado um milagre em minha casa. Infelizmente, meu irmão não teve essa mesma sorte.
Seria uma coincidência trágica dizer que ele morreu do mesmo mal que o meu, mas a morte de Seokjin se deu logo após seu nascimento. Eu nem cheguei a conhecê-lo. Minha mãe esteve em depressão profunda por 7 meses após a morte dele, felizmente recebendo o tratamento devido e se "curando" após um tempo. Aguentar tudo isso nos ombros e ainda manter um sorriso reconfortante no rosto era o que me fazia admirá-la acima de todas as mulheres.
Era conveniente à minha situação que meu pai fosse médico e, minha mãe se formou em pedagogia, podendo me ensinar em casa. Além do ensino, eu lia muitos livros e assistia muitas videoaulas. Diria que eu tinha um ensino superior aos demais adolescentes que apenas estudavam na escola e ao chegar em casa estragavam seu cérebro.
— Feliz aniversário, Jimin! — foi o que disse minha enfermeira, Jeongyeon, logo após entrar em meu quarto segurando nada mais que um bolinho espetado por uma vela de aniversário acesa.