O suor me deixava agoniada, a roupa parecia cada vez mais apertada e por um momento eu me arrependi de ter escolhido uma calça legging para ir a faculdade está manhã, a única coisa que não estava me incomodando nesse fim de tarde é meu cabelo, que se encontrava preso num rabo de cavalo bem amarrado, livre do suor que meu corpo exalava e me deixava tão irritada, já que vim correndo para não perder o trem das 17:30.
Dei graças da Deus após comprar o bilhete e entrar no trem a caminho da minha casa.
Deixo um suspiro de alívio sair da minha boca quando sinto o ar gelado do ar condicionado bater contra minha pele quente.
Desde quando aqui tem um ar condicionado?
Pensei tirando a mochila cor creme das costas, me sentando em um dos acentos vazios, ao lado de uma homem com uma revista de culinária em mãos, dois livros no colo e uma mochila em seus pés. Ele parecia ter uma idade próxima a minha.
Como sempre, observei ao meu redor vendo que o estava extremamente vazio, com cinco pessoas, o que me deixou um tanto quanto intrigada.
Mesmo que esse seja o último vagão, e os últimos sejam sempre os mais vazios, nunca ficou assim.
Abri minha mochila na intenção de procurar meu celular para falar ao meu irmão que eu já estava chegando, coisa que eu faço sempre que entro para esse trem.
O desespero e a ansiedade tomaram conta de mim ao ver que não encontrava de forma alguma o celular na mochila, já pensando o quanto foi caro e quantas horas extras vou ter que fazer no meu trabalho de meio período para juntar dinheiro o suficiente e comprar outro. Mas o universo pareceu estar a meu favor hoje, já que com o balanço do trem, vi meu celular escapulir pela repartição pequena da mochila - que até então eu não havia percebido que estava aberta - e cair direto no chão.
Soltei o ar pela boca fortemente, e me senti mais aliviada ainda após lembrar que nessa mesma manhã, eu havia colocado uma película na tela. Sorte a minha.
Antes mesmo de eu me abaixar para pegar, uma mão pequena, mas claramente masculina, fez o trabalho mais rápido, se abaixando rapidamente e tirando meu celular do chão, logo me estendendo-o intacto.
Olhei rapidamente para seu rosto, vendo um homem não tão alto, de olhos bem puxados e cabelos loiros bem penteados.
Ele é um homem bonito, e deveria ficar ainda mais sorrindo.
Não pude deixar de questionar quando o vi.
- Obrigada. - Falei prontamente assim que peguei de suas mãos. Logo eu tive certeza ds minha dedução quando ele sorriu para mim em forma de resposta, se pondo ao seu lugar novamente, lugar que eu percebi ser em pé. Possivelmente sua estação está próxima.
Ele realmente tem um lindo sorriso.
Soltei uma risada nasalada com meus pensamentos e percebi que meu celular estava desligado.
Que droga, demora séculos para iniciar.
Apertei os botões necessários e comecei a esperar.
Ao meu lado direito o homem continuava sua leitura concentrado, parecendo relaxado, ao contrário do cara sentado a minha frente do outro lado. Ele olhava o celular a cada cinco segundos, batendo o pé no chão incansáveis vezes, bufando toda vez que olhava pela janela.
Parecia preocupado, mas sua expressão era difícil de ser lida.
Diferente do garoto do sorriso bonito, esse cara parece tá de mau humor.
Dei de ombros.
Vi que estava chegando ao meu destino e logo me levantei do meu acento com minhas coisas em mãos, parando ao lado de uma barra de ferro, segurando na mesma, mas também ao lado de um homem de blusa branca e belas timberlands, aparentemente distraído com a paisagem.
Olhei para tras e meus olhos se cruzaram por um mero momento com os olhos do homem que antes sentava ao meu lado, e pude ver em seu rosto um leve sorriso de lado, que eu não entendi o porquê de estar ali. Envergonhada, eu desviei o rosto olhando para frente.
É impressão minha ou hoje todos os homens bonitos da Coreia resolveram me notar?
Ri baixo com meus pensamentos, mas logo minha atenção vai para meu celular que havia vibrado, anunciando que já estava ligado.
Franzo o cenho após ver quinze mensagem do meu irmão, e cinco ligações perdidas dele.
Deve ter queimado a comida de novo.
Reviro os olhos, desbloqueando o celular e nem me dando o trabalho de ler as mensagens, já retornando as ligações dele.
"Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mensagens e estará sujeita a cobrança após só sinal"
Ergui uma sobrancelha confusa.
Se ele precisava tanto falar comigo, por que não entende?
Não dou atenção quando o vagão dá um leve solavanco, só me segurando ainda mais na barra de ferro ao meu lado, apenas desviando o olhar do celular quando o coloquei de novo na orelha, ligando novamente.
Enquanto chamava, o moreno impaciente tinha finalmente deixado de encarar a janela e o celular, apenas estava emburrado, de braços cruzados e olhos chateados.
Parei de prestar atenção no mesmo quando minha ligação é atendida, mas com vários cortes na chamada.
- Namjoon? - Perguntei com a voz baixa, para não atrapalhar quem lia no trem.
- Ji...soo?! - O som chegou atrasado e picotando, parecendo o som daquelas televisões antigas.
- Sou eu, o que foi? Por que a ligação está péssima?- Mas o que ele anda fazendo?
- Jisoo, onde-- lugar seguro! - Jisso, onde lugar seguro?
Estava picotando demais.
Outro solavanco de leve foi presente, mas novamente, não teve atenção ninguém.
- Do que você tá falando? Namjoon, por que ligação tá uma porcaria?- Eu já comecei a ficar impaciente.
Ele não respondeu mais, a única coisa presente foi aquele som irritante de ligação picotada.- Namjoon?
Levei um susto ao escutar um grito masculino. Um grito bem alto e dessa vez, claro.
- FOGE JISOO! - Depois disso, a única coisa que eu escuto é o "beep"
- O que...?- Murmurei para mim mesma apertando minha mão na barra de metal, nervosa.
Disquei o número o mais rápido que eu pude, mas novamente, ninguém atende.
Se isso for uma brincadeira, o Namjoon vai acordar sem o que ele tem entre as pernas amanhã.
Pensei bufando, e senti uma sensação de estar sendo observada.
Meus olhos foram direcionados como imãs para o acento do moreno impaciente, e realmente era ele.
Ele me encarava com o cenho franzido, intercalando seu olhar do meu celular para o meu rosto, sem expressão, e percebi que ele também mantinha seu celular ligado na aba de mensagens.
E do nada... o trem freiou com tudo, fazendo um barulho insuportavel das rodas nos trilhos. Eu arregalei os olhos segurando o celular na minha mão com força por reflexo, e como eu estava distraída, não me segurei do força na barra o que resultou nomeu corpo sendo jogado para a frente.
Eu fechei os olhos pronta para sentir o impacto, mas senti braços me seguraram pela frente, e me manterem em pé em seu peito.
Abri meus olhos de imediato, dando de cara com um peitoral coberto por uma blusa branca de malha. Não demorei mais um segundo para me levantar.
Vermelha de vergonha, ergui meus olhos para o rosto do homem que me segurou.
Eu só passo vergonha.
- Me desculpe.- Me curvei com o pouco de coragem que me restava.
- Tá tudo bem?- Perguntou me olhando de cima a baixo, o que só me deixou mais vermelha ainda.
- Tá sim, obrigada pela... ajuda.- Falei ao olhar em volta e perceber que as uma única mulher eu estava em pé - provavelmente por seu destino também ser o próximo - conseguiu se segurar.
- Fala sério. - O moreno impaciente ditou surpreendendo a todos com sua voz grossa, que mesmo não sendo tão alta, chamou atenção, mas ele pouco se importou com isso. A irritação em sua voz trazia um certo medo a quem ouvia, por ser tão grave.
- Tudo bem.- Volto a olhar para o garoto que me ajudou. - Parou no nada, algum animal deve ter entrado nos trilhos já que aqui em volta é uma floresta.- Comentou o moreno. Ele pode ter razão, os arredores são uma floresta, apenas depois vem a civilização.
- Pode ser. Tipo um veado?- Questionei, percebendo que finalmente meu rosto não estava mais quente. Quando olhei para trás checando o vagão, vi o garoto que lia o livro de culinária catando os livros que caíram do seu colo calmamente e a mulher parecendo sem saber o que aconteceu, como todos nós.
- Tipo um veado. Eu já cacei com meu pai algumas vezes aqui perto, tem bastante deles por aqui. - Voltei meu olhar para o moreno, que afirmou o que eu disse com uma feição pensativa.
Pelo menos ele não parecia ter dado atenção a vergonha que eu passei.
- Menos mal né?- Sorri fechado sem graça, e ele retribuiu simpaticamente.
Suspirei ao perceber que voltar para casa nunca foi tão difícil e olho para a janelinha do outro vagão, mas foi inútil ao perceber que o vidro era escurecido, diferente das janelas que davam a perfeita vista da floresta ao nosso redor.
E então, tudo aconteceu muito rápido.
Ouvimos gritos desesperados no outro vagão a nossa frente, gritos de socorro e de piedade, gritos que emitiam dor e completo medo.
Arregalei os olhos encarando o moreno que havia me ajudado antes , vendo-o retribuir o olhar.
Todos pararam o que faziam. O moreno impaciente largou o celular, o homem que lia fechou seu livro, o garoto do sorriso bonito fechou sua expressão bem humorada, a mulher franziu a testa sem entender, e ninguém conseguiu ficar em suas cadeiras, todos se levantaram de imediato.
- O que tá acontecendo?- A mulher, de por volta quarenta anos perguntou preocupada.
- Não sei.- Eu respondi, e logo pulos de susto foram dados quando tapas fortes foram dados em uma das janelas do trem.
Todos sem exceção encaram o lugar de onde o som veio, e todos sem exceção arrecadaram os olhos diante de duas "pessoas", aparentemente destruídas, com roupas rasgadas, peles parecendo comidas, dentes podres e amarelos expostos, já que sua boca estava aberta, enquanto tentavam de toda porta invadir o vagão.
Os gritos estavam mais altos, e então mais e mais "pessoas" daquele tipo foram se aglomerado em volta de todo o vagão, batendo com força, me fazendo dar um pulo para trás toda vez que faziam isso. Eles iam conseguir entrar.
- Que porra é essa?- Levo mais um susto com a voz grossa, e agora atormentada do moreno impaciente atrás de mim, encarando a nossa volta, e tentando falar mais alto que os gritos.
- E-eu não sei.- O homem que me ajudou falou.
- As notícias de hoje de manhã. - Finalmente, a voz do garoto de sorriso bonito foi escutada.
- Sobre a suposta epidemia?- O homem dos livros apareceu de pé, claramente preocupado.
- Q-que epidemia?- Os gritos de repente pararam, o que faz com que ignoracem minha pergunta, e olhassem todos para a porta para o outro vagão.
Minha respiração estava acelerada, e eu só sabia pensar que iria morrer.
Acabou, eu tenho certeza que acabou.
Olhei para aquelas janelas infestadas daquelas... coisas que pareciam querer me devorar e fechei os olhos fortemente por segundos, e abri logo depois.
- Hoje no jornal anunciaram o início de uma epidemia. A doença começou em Busan, mas ninguém falou sobre a possibilidade dela chegar nesse estagio ou em Seul.- O loiro respondeu apreensivo.
- Quem se importa em como isso começou? Eu só preciso sair daqui, e vivo de preferência. - O homem impaciente afirmou nervoso.
- Tá infestado, não tem saída.- O homem dos livros disse após chegar todas as janelas.
- Vamos tentar ir para o outro vagão, os gritos já pararam.- A mulher falou.
- Tá louca? Esses desgraçados estão claramente atrás de carne, se você abrir essa porta e tiver mais algum deles aí, todo mundo morre.- O moreno impaciente disse.
- É como você sabe disso senhor...?
- Taehyung.- Respondeu o moreno impaciente quando ela perguntou, falando "senhor" ironicamente.
Impaciente combina mais.
- E eu sei por causa daquilo.- Apontou para uma das janelas, que estava um deles ao redor do corpo de um animal, devorando ele.
Meu estômago embrulho.
- Isso só pode ser brincadeira...- Murmurei.- O que dá pra fazer? O vagão dá frente deve tá infestado, esse é o último vagão e tá rodeado, o que significa que a porta de trás deve tá cercada também. - Observei, falando tudo sem ar.
- Boa observação. - O de camisa branca disse.
Por que ele está estranhamente calmo.
- Por que o senhor bonitão tá tão calmo sabendo que vai morrer cercado de desconhecidos- A mulher interviu amarga.
Isso não tá ajudando.
- Eu aprendi que em situações de risco não adianta desespero ou decisões precipitadas, você precisa manter a calma. E meu nome é Jungkook. - Explicou calmamente.- Aliás, eu tenho uma arma.- Arregalei os olhos ao ver ele tirar uma pistola do coldre que era escondido por sua blusa branca cumprida.
Eu estou cercada por criaturas querendo me devorar e um cara armado. Ótimo.
- Por que anda com uma arma por aí?- Franzo o cenho.
- Boa pergunta.- O garoto dos livros cruza os braços, mas deu um passo para trás receoso.
- Eu disse que caço com meu pai.- Explicou, vendo quantas balas tinham ali.- A gente pode tentar ir embora pela saída, tentar ir pro outro vagão ou ficar aqui para morrer.- Péssimas opções.
- É claro que a gente vai embora, fora de questão ir pro outro vagão ou ficar aqui.- Taehyung deu um passo a frente determinado.
- Ele tá certo, o outro vagão também deve tá infestado, só estão esperando um pedaço ambulante de carne aparecer pra fazerem alarde. - O loiro do sorriso bonito disse, concordando.
- Também acho, eu não tô afim de morrer hoje.- O garoto dos livros falou.
- Tudo bem, acho que tá certo.- A mulher deu o braçoa torcer, e todos logo olharam pra mim.
- O que? É uma democracia?- Talvez eu estivesse impaciente e nervosa demais para ser gentil com todos aqueles sons de tapas e gemidos nas janelas.
Graças ao bom Deus esses vidros são fortes, mas uma hora vão ceder.
- Só queremos saber se tem uma ideia melhor. - Jungkook explicou, e eu suspirei.
- Por que não tentamos ligar pra alguém?
- Eu tentei, as linhas telefônicas foram cortadas. - Taehyung cortou minha ideia, sendo seco.
- Tudo bem, eu concordo também. - Me dei por vencida, sem mais saídas, mas não pude deixar de pensar no Namjoon.
"- FOGE JISOO!"
Por favor, esteja bem.
- Vou precisar da ajuda dos homens pra por minha ideia em prática.- Jungkook falou.
- Hoje não é um bom dia pra machismo bonitão. - A mulher disse, o que fez Jungkook suspirar.
- Eu mereço. - Taehyung olhou pro teto, respirando fundo.
Ele deveria treinar a paciência.
- Como se chama?- Jungkook perguntou, pegando novas balas em seu bolso e colocando em sua pistola.
Ele anda por todos os cantos com isso?
- Elene.- Suspeitava, os olhos dela não são tão puxados assim, provavelmente tem apenas descendência asiática.
- Elene, não é questão de machismo, são os fatos. - Fechou a pistola, fazendo um barulho ecoar, atiçando os bichos, o que me fez pular. - Homens são mais fortes que mulheres fisicamente, e agora eu preciso de força braçal. - Elene se calou.
Nisso ele tem razão, na verdade, ele tem boas ideias.
- Você, do boné branco.- Apontou para o garoto dos livros.
- Seokjin.- Diz o que é seu nome, e Jungkook assentiu.
- Vou precisar que você segure a porta do lado esquerdo, e Taehyung, você do lado direito.
- Por que a gente tem que segurar? Não é só abrir de uma vez?- Taehyung questionou.
- A porta é de correr, e se forem muitos pode faltar munição e vocês vão ter que fechar quando eu pedir.- Assentiram.- Você é...?- Apontou com a cabeça para o loiro.
- Jimin.
- Tem uma barra de ferro que fecha as portas, você arranca aquilo dali, já que parece ter musculos e aquilo é pesado.- Suspirou parecendo incerto, mas mesmo assim Jimin assentiu em concordância.
- Vou fazer isso.
- E você, como se chama?- Jungkook olhou para mim.
- Jisoo.- Respondi baixo.
Ele vai mesmo me dar algum trabalho braçal? Olha pra mim, uma garota baixa, pálida e magrela.
- Jisoo, tenta achar com a Elene pelo menos um instintos de incêndio de baixo das poltronas, sempre tem nós vagões, e vai servir se as coisas não saírem como o esperadoe vocês precisarem se defender.- Engoli seco a última parte, mas apenas concordei.
- Dar errado, isso tem que dar certo.- Taehyung murmurou, claramente preocupado.
- Tudo bem, vamos fazer isso.- Jungkook exclamou determinado.
E que a gente saia vivo disso.
●Finalização●
Então gente, esse foi o primeiro capítulo da fanfic, se gostaram, comentem e votem para me fazer uma autora feliz :)
Acham que eles vão conseguir ou que vai dar merda? Façam suas apostas.
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◇ Perdão se houverem erros de digitação
◇ A personagem principal é interpretada pela idol Jisoo, do grupo Blackpink.
◇ A personagem Elene é interpretada pela atriz Rinko Kikuchi
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Destinos Entrelaçados ● BTS
Fanfiction"Jisoo só queria voltar para casa após um dia exaustivo, mas seu trem para no caminho quando uma tragédia acontece e os mortos começam a andar em meio aos vivos sedentos por carne humana." 》Uma fanfic onde a vida de uma garota é interrompida pelo ap...
