Dirigindo pela Ben White Boulevard sinto o vento espremer minhas bochechas como se fosse uma forma de me cumprimentar pelo retorno à minha cidade natal. É um prazer estar de volta ao meu lar, onde estão meus amigos e meus amores... Peter não para de latir para o vento, que insiste em nos deter em sua bolha de ar gélido e refrescante no calor pesado do verão do Texas.
Minha barriga está roncando e sinto minha pressão baixar à medida em que me aproximo da lanchonete do posto de gasolina. Nesse momento só consigo pensar na torta de maçã com chantilly fresco batido na hora. Confiro novamente meu relógio de pulso e conto os minutos que faltam para chegarmos. Aumento o som do carro e mergulho na reta final da estrada, com a certeza de que saborearei a mais deliciosa torta de maçã de todo o universo!
Descemos do carro apressados e entramos na lanchonete de sofás vermelhos com estofados de lona, daqueles bem vagabundos, e mesas de madeira de lei, recém instaladas, destoando do ambiente simples da senhora viúva, mãe de seis filhos ruivos e gordos.
Quase todos os filhos ajudam Louise Frank na lanchonete, mas somente a mãe é responsável pelos deliciosos quitutes. A filha mais velha cuida das finanças, a caçula sardenta anota os pedidos e os gêmeos ajudam a trazer os pratos à mesa. A filha do meio, a Janete, nunca aparece no salão. Ela tem uma doença grave, uma deformação nos seios da face que a impede de sorrir e, por isso nunca pode se misturar com os clientes... tenho muito medo da Janete! A impressão que me dá quando estou na lanchonete é que ela está me encarando atrás das cortinas alaranjadas que ficam próximas ao caixa da irmã.
Jason, o mais velho de todos os irmãos, nunca está na lanchonete. Ele é responsável pela compra dos produtos, reposição do estoque e pelo descarte do lixo; e sempre que estou perto dele sinto cheiro de produtos frescos ou de restos de comida.
Jason é minha paixão de adolescência, o motivo de todos os meus pensamentos secretos debaixo do meu edredom; é aquele que eu espero o dia inteiro para ver. Como sei que ele costuma fumar nos fundos da lanchonete, depois que descarrega as maçãs e as folhas de alface que busca na fazendo do Sr. Wilson, corro para lá assim que termino meu pedaço de torta.
Chego atrasada e vejo duas guimbas de cigarro jogadas no chão de terra batida. Me abaixo para pegar os restos do vício da minha paixão e sou surpreendida pelos latidos do Peter apontando para algo atrás de mim. Recolho os pedaços de nicotina esfarelados o mais rápido que consigo enquanto me viro vagarosamente para saber quem está me esperando e, para minha surpresa, encontro o olhar do Jason observando meu quadril agachado em uma posição bem ingrata e servil.
Viro-me energicamente para tentar encará-lo à altura, mas ao subir tão rápido, me desequilibro e caio inteira no chão áspero e ingrato. Ele começa instantaneamente a rir e eu acompanho sua alegria, rindo de mim mesma enquanto ele me ajuda a levantar. Tento me explicar, mas acabo me atrapalhando e quase conto o que não deveria...
- Ah! Eu me desequilibrei porque não estou acostumada a me movimentar assim tão rápido!
- Sério? Falta de exercício, Srta Myers?
- E... sim, mais ou menos! Bom, eu acho que vou indo, vai chover daqui a pouco e meu pai vai ficar preocupado.
- Eu te levo! Quero dizer, se você permitir, eu posso te acompanhar.
- E como você vai voltar, Jason?
- Bem, eu... eu volto andando depois que a chuva passar. Não me importo. De verdade... - Seu rosto ovalado, com os olhos azuis brilhantes me comovem e me tiram do eixo.
- Ok, ok. Mas não quero que você pegue um resfriado por minha causa!
- Passa as chaves, Srta Myers. Eu vou conduzi-la. - E em uma piscadela ele me mostra que a condução até minha casa vai levar mais tempo do que eu imaginava e será muito, mas muito mais emocionante!
Passamos pelo lago de Oat Honey e chegamos até o desfiladeiro de Sunset Dream. E é ali, no calor da tarde úmida que ele acaricia meu corpo inteiro, sem se importar com os latidos do Peter, que não se conforma em ficar fora do carro enquanto encontramos a paz dos nossos corpos juntos e harmonizados.
A chuva começa a cair incessantemente sobre nossos corpos nus e, de repente, meu Cadillac vira uma enorme piscina, onde podemos mergulhar em todo prazer que estamos presenciando. Olhamos para o céu alaranjado no entardecer de um dia especialmente iluminado e nos deparamos com ela, a felicidade cotidiana, tão simples e, ao mesmo tempo, tão rara de se encontrar!
Seria a cena perfeita de um casal de namorados que experimenta a perda da virgindade em um momento único e perfeito, mas a verdade é que ele não é meu namorado. Ele é apenas o filho da cozinheira e eu... eu sou a dona de metade de Gateheaven, sou a filha do General Myers, sou filha do vento e das águas, sou a escuridão em forma de sol. Sou a Lua que abre o portão do paraíso, que comanda os bem-aventurados que se escondem nessas terras... Sou Luanna, a Luanna Myers de Gateheaven.
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Gateheaven (Finalizada)
Ficción GeneralA história de uma garota que queria, simplesmente, viver. Luanna Marques é uma mulher apaixonada por aventuras, desafios e romances tórridos. Seu lugar no mundo sempre foi correndo atrás dos seus sonhos, ao lado do seu cachorro imaginário Peter e a...
