4.Fogos, sinos e violinos

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—E então, tem muita gente aí? —Ian apontou com a cabeça para o interior da sala.

Eu mal podia acreditar que ele viera mesmo para nos ajudar com os cartões.

—Nem a metade do que esperávamos. —Avisei enquanto entravamos.

Haviam dois professores nos supervisionando, ambos demonstraram satisfação com a presença de Ian ali, já alguns alunos pareciam estar vendo um alienígena.Mostrei à ele alguns cartões do ano anterior, expliquei um pouco da técnica que usávamos e como Ian estava instruído a não usar nenhum um tipo de objeto cortante no colégio, ele ficou com a parte da colagem.

Eu já imaginava que nem todos agiriam com naturalidade, e até era compreensível,estávamos falando de alguém com uma doença grave, no entanto,tudo corria tecnicamente bem até Cristina e Leonardo juntarem-se ao grupo.

Ele, já havia dias,me tratava com indiferença, já Cristina lançou um olhar desprezível a Ian,fiquei aliviada por ele não ter visto.

Os dois sentaram-se próximos e passaram todo o tempo cochichando, achei que a tensão havia passado, todos estavam trabalhando da melhor forma possível quando Cristina se levantou.

—Minha tesoura está cega, tem alguma sobrando? —Ela avisou com sua voz estridente.

Havia uma  bem ao lado de Ian e nem mesma eu previ o desastre, quando ele inocentemente ofereceu a Cristina.

Foi como uma cena de filme, todos se voltaram ao mesmo tempo para os dois esperando  pelo desfecho daquele simples ato.

 Cristina  arregalou os olhos como se estivesse sofrendo uma ameaça , ninguém mais parecia respirar tamanho o silencio que tomou conta do lugar.

 —Me desculpe, mas não vou pegar sua tesoura. —Ela disse alto e bom som, sem sutileza, sem titubear.

Ian permaneceu com a tesoura na mão por alguns instantes, ele não esperava por aquilo, meu instinto me fez tirá-la de sua mão e com raiva a recoloquei sobre a mesa.Meu Sangue ferveu e corria queimando minhas veias.

—Sabe que isso é preconceito,não sabe? —Levantei-me e coloquei meu dedo em riste.

Ela sorriu com desdém.

 —Eu só não quero ficar doente como ele. —Cristina prosseguiu, como se fosse uma afirmação justa.

Todos nos olhavam boquiabertos.

—Livia, não precisa fazer isso. —Ian sussurrou para mim, já em pé ao meu lado.

—Sabe o que é isso?Despeito. —Continuei. —Está agindo assim porque há pouco tempo atrás você se jogou para cima de Ian e ele a rejeitou. —Falei sem ter certeza do que dizia.

Ela riu irônica.

—E agora que ele está doente, acha que vai sobrar alguma coisa para você? —Ela colocou as mãos na cintura e começou a deferir ofensas sobre mim.— Isso chega a ser nojento.Eu...

Antes mesmo que ela pudesse terminar a frase , seu rosto estava coberto de cola branca.Peguei o recipiente que estava sobre a mesa e joguei sobre ela, não pensei, apenas fiz, era isso ou eu grudada em seu pescoço.

—Livia, veja o que você fez. —Ian me repreendeu, segurando firme meu braço.

 —Eu não a reconheço mais...—Leo olhou-me com decepção.
 

Alguns alunos se afastaram, já outros, rodearam Cristina como se quisessem defendê-la, isso dava a ideia de quem estava errada ali.

   —Mil vezes ser doente fisicamente a ser como você, podre e sem alma!—Caminhei até a porta.— Você não passa de uma ignorante.—Ainda falei antes de me retirar.

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