15.CARTAS NA MESA-Por Vanessa Vendinni.

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Eu observava toda aquela cena como uma espectadora, sabe quando você assiste aquela série preferida, e a sua personagem favorita está sofrendo?Então, era como eu me sentia vendo a situação da Lívia, implorando para que a mãe a deixasse viajar, ali, de joelhos aos seus pés.Só que aquilo, não era uma série, era vida real.

Aquela mulher ganhou o meu ódio a primeira vista, tudo nela me incomodava, o ar de superioridade, a frieza e aquele jeito de advogada do diabo, sempre usando argumentos batidos, para justificar suas ações. Só no tempo em que fiquei ali a ouvi dizer a frase:"é para o bem da Lívia...", umas duzentas vezes.

Se não fosse seu pai ali, eu não me seguraria, olhava para aquela mulher, que em nada se parecia com um ser humano, ignorando os pedidos da filha, e a minha vontade era de voar no pescoço dela.

–Eu vou filha, eu vou pra lá, agora. –Seu pai baixou-se, ele tentava colocar a filha em pé, mas era em vão, Liv estava derrubada mesmo, e aquilo me partia o coração.

–Pai, Ian precisa de mim,sou eu quem tem que estar ao lado dele! –Ela começou a berrar.

–Denise... –Jonas gritou –faça alguma coisa pela sua filha.

Ela manteve-se em silêncio.

–Não vou deixar que fim da nossa filha seja esse. – Ela rosnou entre os dentes.

Livia cessou o seu choro e por um minuto não ouvia-se nada naquele ambiente, apenas o som dos eletrodomésticos, e dos veículos que passavam na rua.

Todos, Denise, Jonas e eu, aguardávamos o próximo ato de Liv.Então ,ela se levantou,sua respiração estava curta, chegou bem perto de sua mãe, que mesmo diante de tamanho drama permanecia ali, intacta, alinhada e com a maquiagem impecável.

–Eu-nunca-vou-te- perdoar! –Livia cuspiu pausadamente aquelas palavras.Seu tom era raivoso, assustador até, e havia tanta verdade ali que, se eu fosse aquela mulher, mudaria de idéia na hora. –Eu te odeio!Eu te odeio!Eu te odeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeio! –Seus gritos ecoaram por todo o apartamento e certamente para fora dele também.

Depois disso ela correu para seu quarto e, na sala nós três ainda tentávamos digerir o que acabava de acontecer.

Denise finalmente pareceu ser atingida, ela caiu no chão como se tivesse sido desmontada.

–Qual a parte de "O namorado da sua filha pode estar morrendo",você não entendeu? – Abaixei e sussurrei para ela, mantive minhas mãos nas costas do contrário elas teriam encontrado seu rosto.

Não esperei para ver o que ela me responderia, eu sabia que estava abusando, Denise podia me expulsar de seu apartamento, a hora que quisesse.

Segui para o quarto da Liv, ela estava em pé, de frente para o guarda roupas, segurava uma chave e um capacete.

–O que é isso? –Perguntei sem entender.

–Eu preciso sair daqui... –Ela soluçava.

–Liv, você precisa se acalmar, seu pai, ele vai dar um jeito. –Eu tentava encontrar as palavras certas para dizer.

Ela me abraçou, bem rapidamente.

–Nos conhecemos há tão pouco tempo e você já é uma das minhas pessoas preferidas no mundo.Você está no mesmo pacote do meu pai e do Ian. –Ela voltou a chorar e saiu do quarto, como um raio.

Eu fui atrás, aquela garota não podia ficar sozinha nem por um minuto. Na sala a discussão estava calorosa, os pais de Livia trocavam acusações, não dava para saber quem gritava mais alto. Livia passou por eles e tamanha era tensão que eles nem notaram, continuaram ali, berrando ofensas.

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