6.SEM MEDO

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 Entramos no colégio sem transparecer qualquer intimidade, o que foi bom, afinal Leo me esperava no fim do corredor, braços cruzados contra o peito como se me cobrasse explicações.

–Liv, tem um minuto? –Ele me perguntou ansioso.

Olhei para Ian, ele franziu a testa e foi para a sala de aula.

Fiquei sem saber o que fazer, não imaginava o que ele poderia estar pensando, tive vontade de deixar Leonardo para trás e correr atrás de Ian mas sabia que ele não iria aprovar .

– Oi Léo, pode falar. –Parei em sua frente um tanto irritada.

– Lívia, eu não estou entendendo você, ultimamente eu nem a reconheço e agora anda para cima e para baixo com esse...com esse cara. –Ele estava meio alterado.

–Esse cara tem nome, Ian, e desde quando diz respeito a você com que eu ando ou deixo de andar? –Perguntei ríspida.

Leo me olhou como se eu acabasse de dizer a coisa mas terrível do mundo.

–É tão difícil entender como em tão pouco tempo as coisas tenham mudado tanto. –Ele baixou os olhos. –Depois daquele beijo tudo ficou diferente...

Senti meu rosto queimar, eu sabia que grande parcela da culpa por aquele beijo ter acontecido havia sido minha.

–Aquilo foi um erro...– Desviei meus olhos.–Mas não tem a ver com nossa situação atual, eu só tenho feito outras coisas e você também. –Tentei ser mais delicada uma vez que as cobranças de Leo vinham me tirando do sério.

–Liv, se tudo estivesse tão bem você não me evitaria como tem feito. –Ele respirou fundo.

Engoli seco, estava o evitando, mas não pelo beijo, aliás, no começo era mas depois tudo ficou bem resolvido, foi apenas um ato de afirmação própria, eu sabia bem a quem pertencia meu coração.

–Eu estou resolvendo coisas minhas, pessoais, não vejo onde está o drama. –Encolhi meus ombros parecendo ser natural.

Ele me encarou, eu estava desconfortável, era como se tentasse ler meus pensamentos.

–Bem, eu não vou perguntar quais são essas coisas que estão a ocupando tanto, mas...se precisar de alguma coisa, estarei aqui.

Ele conseguiu me tocar, cheguei a me arrepender por ter sido tão brusca.

–Obrigada. –Toquei seu ombro. – Eu seu que ainda somos amigos.

Sem mais nada dizer ele seguiu para sua sala e eu fiz o mesmo, estava irritada comigo mesma, com a minha falta de tato em algumas circunstâncias.

No corredor uma aglomeração anormal, todos estavam alvoroçados diante de um cartaz na parede, fiquei curiosa também ,mas não quis me enfiar no meio daquele monte de gente.

–O que está havendo? –Perguntei para Julia que já estava sentada em seu lugar.

Ela deu um gritinho histérico.

–Acabaram de colar os cartazes da festa de apresentação dos cartões, vai ser uma festa a fantasia!

– Nossa, é verdade, eu havia me esquecido dessa festa. –Admiti, afinal, desde o episódio fatídico ocorrido com Ian, eu havia me afastado e preferi me abster em relação aos cartões de natal.

–Você vem, não é? –Julia indagou encarando-me.

Pensei um pouco.

–Não, sei, tenho que ver... –Fui breve.

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