2.A MORTE ENTRE NÓS

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A visita do meu pai não foi muito demorada, ele como sempre me trouxe muitos presentes e até minha mãe ganhou um lindo lenço indiano.Em outras épocas eu encararia aquela gentileza como uma reaproximação, mas, com o tempo percebi que alguns casais funcionam melhor separados.

Era sexta-feira e eu queria muito passar o final de semana com meu pai, por mim teria ido junto com ele, mas sabia do seu cansaço, por isso decidi r no dia seguinte.

–Boa noite mãe. –Fui dar um beijo nela antes de ir me deitar.

–Saiu com o Leonardo Lemme, o filho do Juiz Lemme? –Ela perguntou enquanto fingia folhear um livro.

–Sim, eu deixei um bilhete na geladeira.

–Eu sei, eu vi e fiquei muito feliz, ele é um ótimo rapaz. –Ela insistiu.

Percebi o que ela estava querendo.

–Acha que se Leonardo e eu tivermos alguma coisa, fica mais fácil você se aproximar do pai dele? – Tive que perguntar.

Ela fez uma cara de espanto e ruborizou como uma garota de quinze anos que tem seu segredo descoberto.

–Lívia, me respeite! –Ela alterou a voz.

–Mãe, acha que sou boba?Eu vejo o jeito que você fala dele.

–Eu apenas admiro o profissional que ele é. – Ela se levantou. –Apenas isso.

–Que bom, porque Leo e eu somos apenas amigos. –Avisei já indo para meu quarto.

Enquanto colocava meu pijama relembrava o beijo, pensava no que aconteceria se aquilo caísse nos ouvidos de Julia e pior, como eu agiria quando me encontrasse novamente com ele.

Uma coisa era certa, eu não estava arrependida, nem um pouco.

Antes de dormir Ian apareceu em meus pensamentos, eu estava certa de que ele ia ser pai, e por algum motivo isso me deixou com raiva.

No dia seguinte acordei bem cedo, separei algumas roupas e segui para a casa do meu pai.

Como eu imaginava, ele tinha mil e uma histórias para me contar sobre a Índia, passamos o dia todo conversando, almoçamos bobagens na praia, já que ele morava a poucos quarteirões de lá.

Nossas conversas eram descontraídas, talvez por viver viajando e consequentemente conhecer diversas culturas, ele tinha uma mente muito aberta, não me tratava com superioridade. Meu pai não ficava me lembrando a toda hora quem mandava em quem.

Não que minha mãe fosse assim, mas de qualquer jeito acho que ela se sentia pressionada, ela foi quem assumiu mesmo a missão de me educar e depois da separação acabou ficando mais dura.

Há certa altura do dia tive que desligar meu celular, ligações de Leo e de Julia se alternaram o dia todo, eu não atendi nenhum deles.

Sabia que na segunda-feira teria de encarar os dois, Julia certamente já estava sabendo que eu Leo havíamos saído juntos, com tantos conhecidos naquela sorveteria eu não esperava que fosse diferente.

Passei a tarde de domingo no computador vendo as mais de quinhentas fotos que meu pai havia feito, ele fazia questão de me narrar o que havia acontecido em cada cena que eu via.

–É mesmo um país muito diferente. –Falei ao ver uma foto do transito confuso de lá.

–Filha, daqui a mais ou menos um mês tenho que voltar para lá, mas desta vez ficarei apenas uma semana. –Ele me avisou empolgado.

Ao seu ladoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora