19.ENCONTRO

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 Em 19/02/2012 19:46, Denise Maestri escreveu:


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Ian,

espero que leia este e-mail com o coração aberto e sem considerar nossos desentendimentos passados.

Hoje, peço que me enxergue como uma mãe desesperada, que ama e que não agüenta ver o sofrimento de sua única filha.

Admito ter sido incompreensiva e mesmo intolerante ao relacionamento de vocês, mas, agi de tal forma,porque já previa a situação que hoje se dá.Eu sabia que esse seria o desfecho, porque sou experiente,e como disse anteriormente, era notável o peso que Lívia estava carregando nesse relacionamento. Ela é apenas uma garota.

Não quero que pense que estou feliz por ver que hoje, as minhas previsões estão se concretizando,porque não estou. Embora ela não esteja deixando transparecer isso a você, Liv está sofrendo, muito.

Ela é uma garota de 17 anos, com a vida toda pela frente,no entanto, desde a sua viagem, ela vive presa dentro desse apartamento, não sai com as amigas, se alimenta minimamente e se culpa por ter vontade de fazer tudo isso, mas quer manter-se fiel a promessas e juras feitas para você.

Ian, eu mesma a ouvi dizer para uma das poucas amigas que restaram a ela, que, não sabe como vai fazer para dizer a você que quer seguir outro caminho.

Ela não tem coragem, se culpa, e isso está acabando com minha filha, e eu como mãe amorosa, estou morrendo junto com ela.

Lívia está apagada, isolada e não sei como isso pode ter um final feliz.

Sei que ela planeja uma viagem até Londres, ela quer falar sobre isso pessoalmente com você.

Livia tem medo de sua reação, ela teme que você desista do seu tratamento caso ela termine esse namoro.

Então eu pergunto a você:

É justo que ela esteja vivendo dessa forma?

Ela nunca fez uma viagem para o exterior, e sua primeira experiência deve mesmo ser essa?

Hoje mais cedo ela saiu, estava descontrolada, nervosa, e se não fosse o Leonardo trazê-la de volta para casa, eu nem sei o que poderia ter acontecido.

Ian, eu sei que gosta da minha filha e sei também o quanto ela já gostou de você, mas considere tudo o que estou falando e tome suas próprias decisões.

Conto com sua descrição, já que faço isso por amor a minha filha.

Denise.

Esse foi o texto que li, assim que abri meu e-mail, no dia do meu aniversário. Tinha ido ao apartamento da minha mãe, queria pegar algumas roupas, mais tarde Ian e eu sairíamos para comemorar.

Meu pai estava me esperando na sala e Denise no trabalho.

Desde o retorno de Ian, eu não sentava na frente de um computador, já que antes eu só fazia isso para ter uma opção de comunicação com ele.Naquele dia alguma coisa me chamou.

Aquele e-mail tinha sido enviado há dias atrás pela Marla, irmã de Ian. Ela pediu desculpas, mas disse que não se sentiria bem se não o fizesse, disse que sabia que seu irmão não teria coragem de me contar a verdade.

Ela ainda fez um breve resumo de como as coisas aconteceram por lá, e garantiu que sua madrasta estava nisso com minha mãe.

Havia em anexo outros e-mails.Preferi não vê-los, para mim aquele já era o bastante, o que eu acabava de saber me causava tanta repulsa que perdi o chão.

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