Capítulo 6

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SE DÁ UM PASSO DE CADA VEZ

Aquele quase um mês de confinamento tendo um bebê como sua responsabilidade havia passado arrastado e sofrido. Alice com o os dias, aprendera como trocar fraldas e limpar um bebê, bem como preparar um café razoável e a fritar ovos. De um jeito cômico talvez, se pegava as vezes apertando o pingente de asas que seu avô lhe dera em seu aniversário, pedindo, mesmo que mentalmente, que tudo acabasse bem. Ela estava começando a aceitar a situação, o que de certa forma confortava.

- Bom dia Alice. – Sua companhia diária nunca perdia a hora. Como tinha o relógio, para saber os horários de Lipe, observou isso.

- Ainda não sei se vai ser bom. – Ela respondeu sem levantar do chão. Havia criado o hábito de ficar sentada naquele canto. Se encostava na parede e olhava pela janela o tempo passar. Era onde dormia também, já que nem um fino colchão tinha para se deitar.

- Só depende de você para que seja. Lipe ainda dorme? – O mascarado olhou o cesto do pequeno Lipe, que de fato dormia.

- É o que parece não é?! – E então ela resolveu olhar aquele rosto desprovido de qualquer expressão. Ela não sabia explicar como e nem porque, mas sentia que havia algo de diferente com aquela figura.

- Hoje você está estranha. – Ele pontuou.

- Estranha como? – Ela soltou um riso frouxo, sem qualquer tipo de emoção.

- Não sei. Talvez você possa me dizer.

- Não, eu não posso. A única coisa que sei é que estou aqui há praticamente um mês, e isso não faz nenhum sentido, mas bem, eu não me importo. – Ela não estava mais olhando para o mascarado, e sim para janela, por isso não percebeu quando ele se moveu até perto dela, se agachando a sua altura. Ele nunca estivera tão próximo assim, e isso a assustou.

- Você está desistindo? – A voz dele parecia aflita.

- Eu? Desistir? De quê? Eu não sei nem onde estou, porque estou. Eu não sei nada do que está acontecendo. Do que então eu estaria desistindo? – Ela tentava olhar nos olhos daquele, que ela sabia ser um homem. Mas aqueles olhos, havia algo errado com eles, pareciam, falsos?!

- Você está desistindo do desafio que lhe foi proposto. Eu sei que você entende que tudo isso é um desafio Alice. – Ele não havia se movido do lugar, talvez não percebesse o quanto estava próximo dela.

- E por que eu tenho que passar por esse desafio? – Alice tinha súplica nos olhos.

- Porque você pode ser muito melhor do que é. Você tem potencial. Sempre pude perceber isso. Eu só achava que precisava de um começo. E é isso que estou fazendo, estou de dando um novo caminho, para que possa chegar a um lugar diferente e quem sabe melhor. – Ela suspirou, sim, talvez ela estivesse desistindo, se sentia muito cansada.

- Eu era feliz do jeito que eu era. Quem é você para saber o que será melhor para mim? – Apesar das palavras serem secas, não havia agressividade em seu tom.

- Você era realmente feliz? – O olhar de Alice se perdeu por entre a paisagem da janela. Não respondeu a pergunta, simplesmente ficou em silêncio. Ela de fato, não sabia a resposta certa. Lipe então chorou tirando os dois daquele estado de torpor que se encontravam. O mascarado levantou depressa, como se só agora percebesse o quanto tinha estado próximo de sua prisioneira e Alice com o desanimo estampado na face se arrastou até o cesto onde estava o menino. O afagou nos braços com carinho sem mesmo perceber. O mascarado se fincou onde estava, admirando a cena. Ela percebeu.

- Algum problema? – Ela estava acabando de se levantar ainda com Lipe nos braços.

- Não, de forma alguma. Bom, vou deixá-los a vontade. Tome um café reforçado hoje. – Alice teria perguntado o porquê do café reforçado, mas antes que pudesse abrir a boca o homem já tinha se retirado.

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