Normalmente, de manhã eu não acordo de primeira com o despertador, mas hoje eu nem consegui pegar no sono, estava frio e chovendo, fiquei observando o clima da janela do meu pequeno flat de esquina, e estava tão bonito e aconchegante que eu nem lembrei de dormir. É claro que o sono veio mas eu não me lembro de adormecer. Quando acordei, a chuva havia parado.
— Cara você não fez isso! — ouvi um homem gritando lá da rua, ao lado de casa, me tirando de meus pensamentos. Coloquei a cabeça para fora da janela do meu quarto e vi que eram dois homens brigando, com várias caixas em volta deles. — Ele vai me comer vivo! E eu não estou falando no sentido figurado. — O homem parecia muito aflito, mas também me parecia familiar de certa forma, talvez eu pudesse ajudar em alguma coisa?
Tirei meu pijama e coloquei uma calça jeans azul claro um tanto rasgada, uma camiseta branca e jaqueta de couro que era bem quentinha; desci as escadas. Cheguei à rua bem rápido e fui para o lado do prédio do qual havia ouvido a tal briga, aquilo era um beco, um beco escuro e sem nenhuma saída, nunca tinha reparado o quanto era assustador, e agora eu estava à deriva em um beco, com dois desconhecidos, com a chance de chegar mais um provavelmente pior ainda. Era uma ideia burra, mas mesmo assim queria saber se poderia ajudar em alguma coisa, então me aproximei.
— Vocês precisam de ajuda? — perguntei educadamente e os dois me olharam confusos.
— Quem é você? Ele vai chegar a qualquer momento! Vai embora daqui! — ele olhava freneticamente para meus lados tentando enxergar atrás de mim.
— Oi? Quem vai chegar? — o homem na minha frente parou e fechou a cara, eu me virei e havia um outro homem ali, era mais novo que os anteriores, mas mais velho que eu com certeza, mesmo sendo mais baixo. Recuei alguns passos até praticamente encostar na parede no fundo do beco, intimidado pela sua expressão que me assustou, e mesmo estando sozinho ainda parecia bem confiante e amedrontador. Mesmo estando em um ambiente escuro, a claridade vinda do céu cinzento acima dele enchia sua aura e a deixava ainda mais sombria.
— Quem é esse? — perguntou com a voz grossa e calma, alta o suficiente para ouvirmos, não tirou os olhos de mim, o que me fez olhar imediatamente para o chão, em desconforto.
— Também não sei chefe, acho que mora aqui perto e estava passando.
— Qual seu nome? - perguntou para mim desta vez, e eu já estava começando a ficar bem assustado.
— Je-Jeon Jungkook. — Respondi e logo voltei a olhar para o chão, os olhos do rapaz eram penetrantes, mesmo eu tendo os encarado apenas por alguns segundos já dava para me perder nos meus próprios pensamentos. Ele suspirou depois de um tempo.
— E o que vocês trouxeram pra mim? — Se aproximou das caixas, agachando e abrindo a mais próxima dele. — Perfeito, são quantos quilos ao todo?
— São 150 quilos, chefe. — O homem ao meu lado respondeu baixo, como se revelasse um segredo importante. O outro, o chefe, se levantou e virou para o homem, caminhou até ele, ficando cara a cara, o homem tremia e estava encostado na parede ao fundo do beco junto a mim, eu estava a um metro deles e observava tudo com os olhos arregalados.
— Quantos quilos eu encomendei?
— 250. — O número quase não saiu da boca dele, nunca vi alguém tremer de medo daquele jeito.
— Você já resolveu como vai conseguir o resto? — O homem balançou a cabeça em um sinal positivo, me aliviei pois nada aconteceria com ele ali pelo menos. — Ótimo. — O tal chefe recuou um passo mas logo voltou com tudo, empurrando o outro, que bateu a cabeça na parede e depois caiu no chão gemendo de dor, suas mãos um pouco acima da nuca. Meus olhos estavam no cara caído, quando percebi, seu agressor já estava cara a cara comigo. Ele me encarava, tentando me decifrar de algum jeito, e eu também tentava, mas seu olhar era frio e violento, não conseguiria imaginar ele gostando de alguma coisa a não ser dele mesmo. Ele parecia ser esse tipo de pessoa. — Você estava indo a algum lugar antes de chegar aqui?
— N-Não, eu... — tentei explicar, mas me perdi em seu olhar novamente. Droga.
— Então vai vir comigo. — disse sem demonstrar reação. Se afastou de mim e apontou para o outro "subordinado", que estava lá só observando o que acontecia, e fez um sinal apontando para as caixas que eu não entendi. Ainda estava grudado na parede, o chefe agora estava de costas pra mim então aproveitei o tempo para ajudar o que estava no chão; abaixei e o toquei no ombro, ele tirou uma das mãos do local ferido e a olhou, estava toda vermelha, ele precisava ir a um hospital e rápido, ter o crânio aberto não era nada bom, isso se for tão grave quanto parecia. Estava sangrando muito.
— Tome cuidado com ele garoto, talvez faça o mesmo com você. — Ele diz, me informando daquilo, e eu senti um ar gelado na nuca.
— Deixe-o, já fiz coisas bem piores com esse aí. Venha. — Me assustei quando ele se pronunciou, e resolvi obedecer, vai saber o que ele faria comigo se reclamasse. Me levantei e fui me afastando do outro caído no chão. — E Chung... quero os 100 quilos que estão faltando até sexta feira.
— Sim chefe. — Chung se ajoelhou o mais rápido que pôde, fez uma reverência e manteve a cabeça baixa, voltando as mãos no ferimento, eu realmente espero que ele fique bem.
— Eu... nem sei seu nome. — disse me aproximando do chefe.
— Meu nome é Min Yoongi.
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Cold Chains
Fanfiction"- Você disse para sempre! Agora está me abandonando, você me entregou seu imbecil! - Yoongi se debatia tentando sair dos braços dos policiais mas as algemas já encostavam sua pele e prendiam suas mãos juntas bem apertadas. - Me desculpe. - respondi...
