CAPÍTULO 1

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JIMIN

Meu nome é Park Jimin. Tenho 21 anos e, se existe uma palavra que define a minha vida, é rotina.

Não porque alguém me obrigou. Nunca obrigaram.

Eu simplesmente gosto de saber exatamente como meu dia vai começar, cada segundo calculado, cada passo previsto, como se eu estivesse desenhando um mapa antes mesmo de dar o primeiro passo. Gosto da certeza, do controle, de saber que nada vai sair dos trilhos que eu mesmo construí.

Às seis da manhã, meu despertador toca. Às seis e cinco, eu já estou de pé. Sem atrasos, sem hesitação, corpo e mente já acordados, prontos para cumprir o plano.

Naquela segunda-feira, porém, eu não acordei no meu quarto na universidade. Passei o fim de semana na casa dos meus pais, como costumava fazer quando conseguia encaixar uma folga na rotina, um pequeno intervalo previamente agendado para recarregar energias antes de voltar à minha vida normal. Naquela manhã, eu precisava voltar para a universidade e, consequentemente, para a minha vida normal.

Quando desci as escadas, o cheiro de café recém-passado, forte e aromático, já tinha tomado toda a casa, envolvendo cada cômodo como um abraço quente e familiar. Minha mãe estava na cozinha, usando uma calça de yoga cor de areia que se ajustava perfeitamente às suas pernas e uma blusa larga de algodão branco, leve e soltinha, com o cabelo castanho claro preso de qualquer jeito num rabo de cavalo frouxo, alguns fios soltos caindo sobre o rosto. Ela segurava uma caneca enorme de cerâmica azul-escuro com as duas mãos, enquanto mexia distraída em alguma coisa no celular, os dedos deslizando suavemente pela tela.

- Bom dia, filho. - A voz dela era calma, suave, parecida com o vento que passa devagar entre as árvores.

- Bom dia. - Respondi, parando por um instante na porta da cozinha e observando-a.

Ela sorriu, um sorriso inteiro e verdadeiro que iluminou os olhos castanhos e fez rugas fininhas aparecerem nos cantos. Um sorriso que eu conhecia desde que era pequeno, sempre igual, sempre ali.

Minha mãe tinha esse jeito tranquilo de existir. Era o tipo de pessoa que parecia ter tempo para tudo, como se o relógio andasse mais devagar ao redor dela. Fazia yoga quase todas as manhãs, no tapete encostado perto da janela da sala, com a luz do sol entrando devagar e banhando seu corpo em movimentos lentos e precisos. Gostava de meditação, de silêncio, de momentos onde o mundo parava. Comprava plantas de todos os tipos, suculentas, samambaias, uma enorme palmeira que ficava no canto da sala, plantas que eu jurava que não sobreviveriam, mas que de alguma maneira, com sua paciência e cuidado, ela conseguia manter todas vivas, verdes e fortes, como se elas também sentissem o carinho que ela dava.

- Dormiu bem? - Perguntou, levando a caneca aos lábios e bebendo um gole devagar, sem pressa.

- O suficiente. - Respondi, indo até a bancada e pegando uma xícara para mim.

- Você sempre responde isso. - Ela riu, uma risada leve, sem sombra de preocupação.

- Porque é sempre verdade. - Fiz um leve sorriso, o canto dos lábios se erguendo só um pouquinho.

Ela riu de novo, balançando a cabeça, como se já soubesse o que eu ia dizer antes mesmo que eu falasse.

Meu pai apareceu logo depois, vindo da sala, já vestido para trabalhar. Usava uma camisa social azul-marinho bem passada, calça preta de alfaiataria e sapatos sociais pretos brilhando de tão limpos. O cabelo castanho-escuro, já com alguns fios grisalhos nas têmporas, estava penteado para trás com cuidado. Ele parou ao meu lado e me deu um tapinha firme e caloroso no ombro, forte mas sem machucar, um gesto que dizia mais do que palavras.

- Pronto para mais uma semana? - Perguntou, olhando para mim com aqueles olhos iguais aos meus, sérios mas cheios de confiança.

- Sempre. - Disse, firme, sem dúvida.

Ele balançou a cabeça, divertido, e sorriu um sorriso de satisfação, de quem sabe que o filho está no caminho certo.

Era assim com eles. Nenhuma cobrança, nenhum peso, nenhum discurso grandioso sobre faculdade, notas ou futebol. Eles nunca precisaram me dizer que eu precisava ser o melhor. Eu simplesmente gostava de ser. De ser o primeiro a chegar, o último a sair, de fazer cada coisa com dedicação, de dar o meu melhor em tudo o que fazia, não por obrigação, mas porque era assim que eu era.

Peguei minha mochila preta de lona, resistente e simples, conferi pela segunda vez se tinha colocado tudo o que precisava, livros, cadernos, canetas, garrafa de água, chuteiras limpas, e me despedi dos dois, já com a mão na maçaneta da porta.

- Me manda mensagem quando chegar - minha mãe pediu, se aproximando e me dando um beijo na bochecha, o perfume suave de lavanda dela ficando no ar por um instante.

- Eu mando. - Prometi.

- E não esquece de comer, viu? Não passa refeição por nada. - Ela apertou meu braço de leve, olhando-me com aquele cuidado de mãe que nunca acaba.

- Mãe... - Falei, com um tom de brincadeira na voz, mas sem realmente me importar.

- Estou falando sério, Jimin. - Ela sorriu, os olhos brilhando.

- Eu sei. - Sorri de verdade, dessa vez, e abri a porta.

Entrei no meu carro, um sedã prata, limpo, arrumado, sem nada solto no painel, e dei a partida. O motor roncou suavemente, tão preparado para a viagem quanto eu.

A viagem até a universidade era longa o suficiente para eu organizar mentalmente o meu dia, cada horário marcado, cada tarefa em seu lugar, como uma lista impecável que eu riscava um item de cada vez.

Primeira aula: Cálculo Avançado. Sentado na primeira carteira, caderno aberto, anotações claras e organizadas.

Depois, Física Aplicada. Atenção total, sem distrações, cada fórmula compreendida e aplicada.

Intervalo: uma refeição leve, revisão rápida dos conteúdos, aquecimento leve para o treino.

Treino: disciplina, foco, estratégia, cada movimento calculado, cada passe pensado, cada corrida com propósito.

E, se tudo corresse como planejado, algumas horas de estudo antes de dormir, revisando o que aprendi e preparando o dia seguinte.

Simples. Previsível. Exato.

Quando cheguei ao campus, estacionei no lugar de sempre, número 47, perto da entrada do prédio de ciências, e atravessei o estacionamento com a mochila sobre um ombro, passos firmes e ritmados. O movimento já tinha começado: gente correndo para as aulas com livros apertados contra o peito, grupos sentados na grama conversando e rindo, jogadores carregando equipamentos pelo campus, roupas de time e bolas de futebol debaixo do braço. O sol brilhava sobre tudo, o ar cheirava a grama cortada e café fresco, e o som de vozes e risadas enchia o ar, um cenário familiar que eu já conhecia de cor.

Entrei no alojamento, um prédio de tijolos vermelhos com corredores amplos e paredes cobertas de cartazes e avisos, e subi as escadas até o terceiro andar. O elevador era imprevisível, então eu sempre preferia as escadas. Caminhei até o número da porta, abri devagar e parei no limiar.

Meu colega de quarto ainda estava dormindo. Na verdade, dormir era uma palavra generosa. Ele estava largado na cama, de bruços, um braço pendurado para fora, o cabelo loiro bagunçado cobrindo parte do rosto, ainda vestido com a roupa que provavelmente tinha usado na festa da noite anterior, uma camiseta preta estampada, calça jeans rasgada, tênis sujo ainda nos pés. Uma lata de energético vazia estava no chão ao lado da cama. Outra em cima da escrivaninha, ao lado de um livro aberto de cabeça para baixo. E havia uma terceira que eu preferi não descobrir de onde tinha vindo, rolando perto do lixo.

Revirei os olhos, fechando a porta atrás de mim sem fazer barulho. Toda segunda era a mesma coisa. Bagunça, desordem, falta de rotina, o caos em pessoa.

Deixei minha mochila na minha cama, perfeitamente arrumada, e organizei alguns livros na prateleira, colocando cada um no lugar certo, em ordem alfabética. Canetas no estojo, cadernos empilhados, roupas limpas no cabide. Ele nem se mexeu, nem quando eu fechei a gaveta, nem quando passei perto da cama.

Olhei para o relógio de pulso, o mostrador branco e os números pretos claros: 08h48.

Eu tinha tempo. Tempo de sobra para tudo o que eu precisava fazer.

Tomei banho rápido, troquei de roupa, calça moletom preta, camiseta branca lisa, tênis branco limpo, e saí para a primeira aula, fechando a porta com cuidado para não acordá-lo.

Cálculo passou rápido, os números fazendo sentido, as fórmulas se encaixando como peças de um quebra-cabeça que eu já conhecia de cor. Física, nem tanto, alguns conceitos exigiram mais atenção e foco, mas eu anotei tudo com calma e sabia que conseguiria dominar.

Quando finalmente chegou o intervalo, eu já estava pensando no treino, no campo, na bola, a parte do dia em que eu realmente conseguia desligar a cabeça de tudo o resto e me concentrar só no que importava.

O futebol sempre tinha sido assim para mim, desde pequeno. Eu gostava da sensação de entrar em campo sabendo exatamente o que precisava fazer, onde cada companheiro estava, qual a melhor jogada, qual o momento certo de correr ou de esperar. Gostava da disciplina, cada treino, cada corrida, cada chute repetido até ficar perfeito. Da estratégia, estudar o adversário, planejar os contra-ataques, saber onde cada um devia estar. Da competição, o coração acelerado, a adrenalina, o desejo de dar o melhor de mim. E, principalmente, de vencer. Não por vaidade, mas porque vencer era a prova de que todo esforço, toda hora de treino, todo planejamento, tinha valido a pena.

Naquela temporada, porém, havia uma coisa que eu queria mais do que qualquer outra: a braçadeira de capitão. Não era apenas um pedaço de tecido com um "C" branco sobre listras escuras. Era reconhecimento, era responsabilidade, era ser o exemplo, era liderar o time dentro e fora de campo. Era o cargo que eu tinha trabalhado anos para merecer.

Não era segredo que eu queria. E também não era segredo que havia outra pessoa querendo exatamente a mesma coisa.

Jungkook.

Eu ainda não o tinha visto naquele dia. E pretendia manter assim pelo maior tempo possível.

Cheguei ao vestiário antes de todo mundo. O silêncio ainda reinava ali, só o som do meu próprio passo sobre o piso frio e brilhante, o ar cheirando a desinfetante, tecido novo e madeira velha. Deixei a mochila no banco de madeira escura, no meu lugar, perto dos armários, com o número 7 gravado em metal brilhante, coloquei minhas chuteiras pretas com detalhes dourados no chão, uma ao lado da outra, perfeitamente alinhadas, e comecei a me preparar: bermuda do time, camisa número 7, meias até os joelhos, faixa no pulso. Tudo no lugar, tudo arrumado.

Um jogador entrou, batendo a porta de leve.
- E aí, Jimin.
- Fala. - Respondi sem parar o que estava fazendo.

Depois outro. E outro. Em poucos minutos, o vestiário começou a ficar cheio, as vozes aumentando, rindo e contando histórias, o som de zíperes abrindo e fechando, chuteiras batendo no chão. Um por um, os jogadores me cumprimentavam, acenos, batidas no ombro, "Jimin" aqui, "Jimin" ali. Eu respondia a todos, educado, firme, sem perder o foco no que estava fazendo.

Até que a porta abriu novamente, com um som mais forte, e o ar pareceu mudar de pressão.

Jungkook entrou.

Ele estava com a mochila preta pendurada em um ombro, caindo de um jeito despreocupado, e o cabelo castanho-escuro, encaracolado e cheio, ainda um pouco bagunçado, como se tivesse passado os dedos por ele várias vezes sem sucesso, ou como se tivesse acabado de sair da cama e não tivesse se importado de arrumar. Ele parou ali, na entrada, olhou ao redor com aqueles olhos castanhos-claros, que pareciam sempre estar vendo algo que os outros não viam, e sorriu de leve, um sorriso que chegava antes dele mesmo. Usava a camisa do time ainda aberta por cima de uma camiseta branca simples, calça cinza, e um cordão fino de prata no pescoço que brilhava quando ele se movia.

Quando nossos olhos se encontraram, do outro lado do vestiário, ele apenas levantou o queixo em um cumprimento curto e direto, dizendo sem palavras que estava ali.

Eu fiz o mesmo, mas com um detalhe a mais: apertei os lábios, senti aquele velho incômodo subir pelo peito, e desviei o olhar, voltando a amarrar as chuteiras com mais força do que o necessário.

Não precisava falar com ele. Nunca precisei. E, talvez, fosse melhor continuar assim.

Porque eu conhecia Jungkook desde muito antes daquela universidade. Muito antes daquele time. Muito antes de nós dois começarmos a disputar a mesma posição, a mesma braçadeira, o mesmo espaço.

Eu conhecia aquele garoto desde a escola. Desde os corredores pintados de azul, desde o campo de terra batida, desde as arquibancadas de ferro. E, naquela época, ele já conseguia me irritar com uma facilidade impressionante, como se soubesse exatamente onde apertar para me tirar do sério, sem nem mesmo tentar.

Lembro da primeira vez que realmente reparei nele, de verdade. Nós ainda éramos crianças, com os joelhos ralados e os uniformes um pouco grandes demais. Eu estava sentado na arquibancada do campo da escola, com meu uniforme perfeitamente arrumado, camisa passada, calça bem dobrada, meias altas, e uma prova de matemática dentro da mochila que eu pretendia revisar antes da aula seguinte, lendo cada questão de novo para ter certeza de que não tinha errado nada.

Jungkook estava no campo. Correndo atrás da bola como se nada mais existisse, como se o tempo não importasse, como se ele e a bola fossem uma coisa só. Ele corria com uma naturalidade que eu invejava sem querer, passos longos, leves, sem esforço, como se o chão fosse dele. Ele driblou três meninos sem nem olhar para trás, passou a bola para si mesmo entre as pernas de um outro, e chutou forte, certeiro, no canto. E depois sorriu, aquele sorriso aberto e sem medo, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

Ele sempre foi bom. Muito bom. Tinha facilidade para entender o jogo, para ver onde os companheiros estavam antes mesmo de eles se moverem, para encontrar espaços que ninguém mais via e, principalmente, para fazer parecer que tudo aquilo era simples, sem precisar de estudo, de treino, de sacrifício.

Enquanto eu precisava pensar em cada movimento, pé direito, ângulo do corpo, força do chute, posição dos joelhos, ele simplesmente fazia. Sem pensar, sem calcular, só sentindo. E isso me incomodava profundamente.

Não porque eu achasse que ele não merecia. Mas porque parecia fácil demais para ele. Como se não precisasse lutar por nada, como se tudo viesse pronto, entregue de bandeja, enquanto eu passava horas repetindo o mesmo movimento até minhas pernas doerem.

Jungkook sempre tinha gente ao redor dele, por onde passava. Amigos batendo nas costas dele, colegas chamando seu nome pelos corredores, pessoas rindo das suas piadas antes mesmo de ele terminar de falar. Ele conseguia conversar com qualquer pessoa, do calouro mais tímido ao professor mais sério, como se já o conhecesse há anos, como se todo mundo fosse seu amigo. Ele tinha um dom de fazer as pessoas se sentirem vistas e importantes, sem nem mesmo se esforçar.

Eu nunca fui assim. Eu gostava do meu espaço, do meu silêncio, dos meus livros, da minha rotina. Eu preferia poucos amigos, mas verdadeiros. Preferia saber o que esperar. E, talvez por isso, nós nunca tivéssemos realmente funcionado. Éramos como fogo e gelo, ou melhor, como o plano e o acaso.

Nossas personalidades eram diferentes demais, como se fôssemos feitos de materiais opostos. Jungkook gostava de improvisar, mudava de ideia no último minuto, esquecia o que tinha combinado, seguia o momento. Eu gostava de planejar, cada passo calculado, cada decisão pensada, nada deixado ao acaso. Ele chegava no último segundo, suando e rindo, sem nem mesmo ter corrido. Eu chegava cedo, preparado, com tudo em mãos, esperando o tempo certo para começar. Ele esquecia as coisas, boné, garrafa, chaves, compromissos. Eu lembrava de tudo, horários, nomes, datas, detalhes que ninguém mais notava.

E, de algum jeito, isso sempre acabava colocando nós dois um contra o outro. Como se o universo tivesse nos criado para competir, para nos empurrar um contra o outro, para ver qual dos dois caminhos, o planejado ou o improvisado, venceria no final.

Até nossas famílias conheciam a história. Nossos pais se cumprimentavam com um aceno educado quando se encontravam nos jogos. As nossas mães conversavam sobre escola e notas e como estávamos crescendo. Às vezes, até tentavam nos colocar no mesmo grupo em alguma atividade, para nos conhecermos melhor, diziam. Nunca funcionava. Cinco minutos e já estávamos em lados opostos, discutindo a melhor forma de fazer alguma coisa, ele querendo fazer de um jeito, eu de outro, nenhum de nós dois querendo ceder.

Porque Jungkook sempre encontrava um jeito de me provocar, um comentário de canto, um olhar, um sorriso que dizia "você é tão previsível". E eu sempre encontrava um jeito de me irritar, apertava os dentes, revirava os olhos, respondia com secura, sentindo o sangue ferver só de estar perto dele.

Anos depois, algumas coisas tinham mudado. Estávamos mais velhos, mais altos, mais fortes, jogando em um campo maior, com uma bola mais pesada, perante um público que crescia a cada jogo. Outras, aparentemente, não. Éramos os mesmos dois garotos, com os mesmos jeitos, os mesmos defeitos, a mesma rivalidade silenciosa que nunca desaparecia, só crescia.

Voltei para o presente quando ouvi uma risada atrás de mim, leve, fácil, sem preocupação. Jungkook.

Olhei pelo canto do olho, sem virar a cabeça. Ele estava encostado no armário, conversando com dois dos jogadores, completamente à vontade, gesticulando com as mãos, rindo de algo que um deles tinha dito. Como se aquele lugar fosse dele, como se nada, nem ninguém, fosse capaz de tirá-lo do eixo.

Então ele olhou para mim, de novo, direto nos meus olhos. Por alguns segundos, nenhum dos dois disse nada. O barulho do vestiário pareceu diminuir, como se só existíssemos nós dois ali.

Jungkook ergueu uma sobrancelha, devagar, um desafio silencioso flutuando no ar entre nós.

Eu apenas desviei o olhar com firmeza, abaixei a cabeça e terminei de amarrar minha chuteira, puxando o cadarço com força até ficar perfeito, sem uma dobra, sem uma folga.

Não ia começar. Não naquele dia. Não precisava. Eu tinha um plano, e ele não incluía brigar com Jungkook antes mesmo de pisar em campo.

O treinador entrou no vestiário alguns segundos depois, batendo palmas forte para chamar a atenção, o som ecoando pelas paredes de azulejo.
- Vamos, pessoal! Cinco minutos e estamos em campo! Movimento!

Todos começaram a se levantar de um pulo, pegando garrafas, luvas, bonés, a energia subindo no ar. Peguei minha garrafa de água gelada e fui em direção à porta, passando entre os companheiros, sem pressa mas sem parar.

Jungkook estava no caminho, e ele não se moveu. Passou por mim tão perto que senti o vento do movimento dele, o perfume suave e fresco que ele usava. E, baixinho, só para mim ouvir, ele murmurou:

- Capitão.

Com um sorriso de canto, debochado e leve, como se estivesse me testando, como se estivesse dizendo "ainda não é seu".

Parei no lugar, os pés pesados de repente, o coração batendo mais forte. Olhei para ele, de frente, pela primeira vez naquele dia. Seus olhos brilhavam, desafiadores, esperando minha reação.

- Algum problema? - Perguntei, firme, sem deixar minha voz tremer.

- Nenhum. - Ele sorriu de novo, deu um passo para o lado e continuou andando, como se nada tivesse acontecido.

Revirei os olhos, soltando o ar dos pulmões de uma vez. Claro. Apenas cinco minutos de treino. E ele já tinha conseguido me irritar.


Nota Oi, alguém por aqui lendo essa fic? ♡Ela não foi originalmente pensada como Jikook, mas achei interessante usar essa dinâmica e ver onde a história poderia chegar

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Nota
Oi, alguém por aqui lendo essa fic? ♡
Ela não foi originalmente pensada como Jikook, mas achei interessante usar essa dinâmica e ver onde a história poderia chegar. Espero que vocês gostem e, por favor, me contem o que estão achando!

Against the Pattern - versão jikook Stories to obsess over. Discover now