— Calma amiga, vamos encontrar nossa princesa. — Michele fala, passando confiança.

— Ela... ela é tão pequenininha, eu quero minha filha. — Michele abraça Adriana e seu teatro começa, ela chora abraçada em sua "amiga".

As imagens dão para ver exatamente o que aconteceu. Nelas, aparece uma enfermeira entregando uma bebê para uma mulher de blusa de moletom com capuz. Infelizmente, o rosto não deu para ver. Os dois entram em desespero e as autoridades são acionadas. Saiu no noticiário de todos os jornais, mas não houve nenhuma notícia. Ninguém desconfiou do casal de amigos, que aparentemente se diziam tão leais.

Foram dois longos anos em que Michele e Júlio sustentaram o personagem de bons amigos, até que um dia Esra, a mãe de Adriana, parou de dar dinheiro para eles. Isso fez com que o casal odiasse a pequena Gabriele, que hoje se chama Ive Thompson, nome dado por Laura, a babá que Esra pagava.

Laura amava Ive. Junto com Ive, ela cuidava de Eduarda. Quando Esra parou de pagar, eles tiveram que dispensar Laura, pois o casal não queria testemunhas. Mas o que eles não sabiam era que Laura escondeu o colar que Adriana deu a sua filha dentro de uma caixinha de madeira. Até hoje, Ive acha que a caixinha velha e a pulseirinha com um nome apagado do hospital são as únicas coisas que tem dentro, as únicas coisas que têm do seu passado.

Anos de angústia e sem notícias fizeram com que Adriana usasse sua fortuna, herança deixada por sua avó materna, para encontrar Gabriele. Com essa obsessão, ela afastou todos: amigos, as poucas pessoas da sua família que ficaram ao seu lado e afastou o seu único amor, Rafael. Na cabeça dela, ela tinha que culpar alguém, e infelizmente esse alguém foi Rafael.

Se separaram depois de 2 anos do sequestro da pequena Gabriele (lve).

TEMPOS ATUAIS

TEMPOS ATUAIS

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Adriana.

Sou Adriana, tenho 44 anos. Como podem ver, minha vida gira em função do sequestro da minha filha. São 26 anos sem nenhuma pista. Sofro todos os dias com essa falta de notícias. Nada, absolutamente nada. Ninguém consegue descobrir onde está minha Gabriele.

Mesmo herdando uma herança que me deixaria a vida toda sem precisar trabalhar, precisei ocupar a cabeça. Abri essa construtora e outras empresas que empregam muitas pessoas. Não vou dizer que foi fácil tomar essa decisão de abrir as empresas, porque há 6 anos atrás não tinha forças para mais nada.

Em um dos meus desesperos, tentei tirar minha vida. Mas infelizmente, ou felizmente, me impediram. Lembro como se fosse hoje. Estava em um dos meus hotéis quando isso aconteceu. Foi no dia do aniversário de 20 anos da minha Gabriele. Uma doce menina, com os olhos tão lindos, mas ao mesmo tempo tão tristes. Ela sentou comigo no alto do prédio com seus produtos de limpeza na mão e começou a conversar comigo sobre como a vida pode estar dando oportunidades para que eu faça algo de bom. Nunca havia pensado nisso. Sempre gastei meu dinheiro com as buscas pela minha filha, que nunca me levaram a lugar nenhum.

E as palavras daquela jovem moça mexeram comigo. Me lembro de cada palavra.

(Lembrança)

Ive: Eu entendo sua dor. Acho que todo mundo tem algo que machuca, algo que arde o peito. Mas sabe, não deixe de viver. Você lutou até aqui, por que desistir agora? Talvez um dia você encontre sua filha e ela está precisando de todo esse amor que você guardou por tanto tempo. Ela está por aí e, se parecer um pouquinho com você, ela é uma menina forte. Eu não tive um abraço, um carinho ou alguém para me amar, mas isso não me fez desistir, e sei que você também não vai desistir. Sei que o dinheiro é seu, mas por que não usa sua influência, todo esse poder que dá para ver que você tem de longe, e ajuda quem precisa? Olhe ao seu redor, tantas crianças precisando de um conselho, um carinho. Muitas vivem em situação de miséria. Sempre disse para mim mesma que um dia quero ser alguém para poder ajudar ou pelo menos tentar fazer algo bom. Se você fizer uma criança sorrir, tenho certeza de que seu dia se encherá de alegrias. Isso posso te garantir.

Essas palavras ficaram na minha cabeça, mas não foram somente elas que me fizeram desistir, e sim aquela moça. Ela abriu os braços e começou a chorar. Senti uma necessidade tão grande de abraçá-la que não resisti. Seu abraço demonstrava uma menina mulher cheia de medos, precisando de alguém para conversar, alguém para amar igual a mim. Os policiais me separaram dela e nunca mais tive notícias. Não pude nem agradecer, mas sei que Deus muitas vezes nos manda anjos para nos ensinar que a vida é bem melhor quando sabemos viver.

Estou no meu escritório revisando uns documentos quando ouço vozes alteradas e a porta. Não demora muito e ela se abre com tudo. Uma mulher entra correndo e, quando me vê, ela arregala os olhos.

— Meu Deus, enfim te encontrei.

— Desculpa, senhora, não consegui segurar. — Jaqueline, minha secretária, fala nervosa.

— Tudo bem, pode deixar. — Jaque sai sem graça e eu falo com a desconhecida.— O que deseja?

— Eu sei onde está sua filha. — Nesse momento, me sento em choque. Uma eletricidade percorre todo o meu corpo, me fazendo tremer dos pés à cabeça. — Fica calma, eu tenho certeza de que é ela por causa disso. — Ela me mostra o pedaço do jornal com a notícia do sequestro da Gabriele com o colar que coloquei na descrição, pois não tínhamos fotos da minha filha, somente o colar.

— Meu Deus. — Entro em desespero, segurando suas mãos com expectativa de ouvi-la falar.

— O nome dela é Ive Thompson, eu mesma dei esse nome a ela.

— Você que sequestrou minha filha? — Bato na mesa nervosa. Ela começa a falar rápido, pois viu que iria chamar a polícia.

— A pessoa que levou sua filha foi Michelle e Julio, a mando da senhora Esra, sua mãe. Eu sou Laura, fui babá da menina até os dois anos. — Cerro meus olhos, duvidando do que ela diz.

— Ficou louca? Eles eram meus amigos, sofreram comigo e com Rafael. Você é mais uma que vem querendo tirar dinheiro em troca de falsas notícias.

— Olha. — Ela tira uma foto, não é muito boa, mas dá para ver perfeitamente.

— Meu Deus, são eles.

— Essa bebê foi entregue para mim. Eu não desconfiava que era de um sequestro até que vi o colar.

— O que fizeram com minha filha? Como ela está? Onde ela está? Me diz, pelo amor de Deus.

— Ela é secretária do Taylor Jolins. Confirmei esses dias quando vi os dois no restaurante.

— Das empresas Jolins?

— Isso mesmo.

Saio correndo porta afora, entro no carro e vou atrás dele. Chego lá e encontro uma secretária que me diz outro nome. Tento convencê-la a me deixar entrar para falar com ele, mas é inútil.

— Tem mais alguma secretária que trabalha aqui? — Pergunto nervosa.

— Não, senhora. Trabalho aqui há 3 anos. — Agradeço e saio.

Fico na porta da empresa por duas horas, até que vejo ele saindo com uma moça. Seu rosto é meigo, uma mulher extremamente linda, mas de longe dá para ver o quanto é vulgar.

— Senhor Jolins?

— Sim! Eu te conheço?

— Vamos para o nosso apartamento gostoso, ou vai me trocar por uma velha?

— Cala a boca, Eduarda. Desculpa, senhora Bronson.

— Preciso muito da sua atenção. É caso de extrema urgência.

— Tudo bem.

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