[CONCLUÍDA] Dez anos atrás, Jimin partiu, deixando para trás um amor. Agora, ele voltou para um homem que não é mais o mesmo. Jungkook carrega tatuagens no corpo e rancor no coração. E, em um mundo onde um elo não escolhido os une, eles descobrirão...
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O calor do verão coreano grudava na pele como uma segunda camada, mesmo às oito da noite, pesado e opressivo como a ansiedade que habitava o peito de Jimin.
O asfalto ainda irradiava o calor acumulado durante o dia e as cigarras cantavam sua sinfonia ensurdecedora entre as árvores que ladeavam a rua familiar.
Jimin desceu do táxi com a mala pesada e o corpo exausto de dezesseis horas de viagem. O ar abafado e carregado de cheiros familiares – o jantar de alguma família, o aroma de flores noturnas e o asfalto quente – bateu em seu rosto.
Mas foi sob esse manto de familiaridade que algo mais profundo e primal se agitou.
Dez anos. Havia se passado uma década inteira desde a última vez que pôs os pés naquela rua, com exceção das raras visitas à casa dos pais.
A rua estava exatamente como ele se lembrava. As casas, os postes de luz amarelada criando círculos dourados no chão e o cheiro de churrasco coreano que escapava pelo terraço de alguma casa.
Jimin puxou a alça da mala e se virou em direção à casa dos pais, mas então seus olhos captaram um movimento. Uma figura sentada em uma moto ao lado do muro baixo da casa vizinha, a brasa alaranjada de um cigarro brilhando e sumindo no ritmo lento de uma respiração.
Por alguns segundos, Jimin apenas observou sem reconhecer o cabelo roxo que brilhava sob a luz do poste, os braços cobertos de tatuagens que se estendiam até as mãos, uma transformação tão completa que parecia estar olhando para um estranho.
Mas então o homem moveu a cabeça, ainda sem o notar ali, e Jimin sentiu o mundo sair do eixo.
Mesmo sob a luz do poste, mesmo com toda aquela tinta na pele que não existia antes, mesmo completamente diferente de como se lembrava, ele reconheceria aquela silhueta em qualquer lugar do mundo.
A forma como os ombros se curvavam ligeiramente para frente, a maneira como a mão livre se enfiava no bolso da calça à procura de alguma coisa, o jeito que ele inclinava a cabeça enquanto estava perdido em pensamentos, e o cheiro...
Madeira queimada, âmbar e tempestade.
Ele cortou o ar como um golpe, atingindo Jimin em cheio no peito, tão potente e inconfundível após todos aqueles anos que foi como ser atingido por um caminhão.
Jeon Jungkook.
Seu alfa.
O cigarro parou a meio caminho dos lábios de Jungkook. O tempo congelou. Por um segundo infinito, os olhares deles se prenderam através da rua, e Jimin viu o mesmo reconhecimento cego e instantâneo acontecer no alfa.
Os olhos escuros de Jungkook se arregalaram, não apenas com surpresa, mas com algo mais profundo, mais animal: a reconexão de um vínculo violentamente negado.
Jimin sentiu as pernas fraquejarem. Queria dizer alguma coisa, qualquer coisa, mas as palavras morreram em sua garganta seca. O ar quente do verão de repente parecia pesado demais para respirar.
Jungkook soltou uma respiração trêmula, os olhos arregalados fixos em Jimin como se estivesse vendo um fantasma. Por um momento, sua expressão se abriu, vulnerável como Jimin se lembrava de quando eram apenas garotos.
Mas então, como se um interruptor tivesse sido acionado, uma máscara de puro ódio e rejeição desceu sobre seus traços. A expressão dele endureceu tão rapidamente que doeu.
Os lábios de Jungkook se moveram, e as palavras que o vento quente carregou foram um golpe baixo e sibilante:
— Isso não pode estar acontecendo.
O cigarro caiu de seus dedos com raiva, a brasa queimando contra o asfalto ainda quente. Sem outro olhar, Jungkook se afastou da moto estacionada e desapareceu através do portão baixo da casa dos pais, deixando apenas o eco da porta se fechando em seguida e o fantasma agonizante de seu cheiro no ar misturado com o amargor da fumaça e do desprezo.
Jimin ficou paralisado. A mala pesada em sua mão não era nada comparada ao peso esmagador no seu peito. Seu coração batia tão forte que abafava até o canto das cigarras, mas um som ainda mais alto ecoava em sua mente: o som de um vínculo, dolorosamente reconectado por um instante, sendo violentamente ignorado mais uma vez.
O seu alfa o havia visto. E o havia rejeitado.
☔️
oii <3 bem vindos ao drama! playlist fixada no perfil :)