Harry Styles
Sempre levei a minha vida numa forma desportiva. Desde que as minhas hormonas começaram a exaltarem-se comecei a divertir-me e nada importava-me. Mas mais tarde aprendi a controlar-me e entreguei-me ao mundo dos negócios. O meu pai pretendia que eu seguisse os seus passos e acontece que a minha vontade era essa mesma. Tudo ia bem, mas depressa tudo se apagou e ficou escuro.
Só que agora, o que eu vejo é vermelho. Nada de preto ou branco, vermelho! Enraivecido e descontrolado como um touro louco. Justamente agora que as coisas estavam a começar a ficar bem, mais uma bomba cai entre mim e Caroline. Desde que estamos juntos alguma coisa aparece no meio de nós.
- Quero saber de tudo mãe! E não adianta falar merda para mim porque se eu descobrir que vai-me mentir novamente eu juro que irei matar a desgraçada da Lauren! – Digo tentando acalmar-me, mas é impossível.
Anna Styles apenas chora fortemente. Ela treme e tenho uma vontade enorme de a colocar em meus braços e a acalmar, porém estou extremamente zangado.
- Eu conto. – Ela diz tão baixo. – Eu adoro Caroline filho, ela está a fazer-te bem e noto isso. Ela é linda e uma moça tão boa, desculpa todo o horror que eu disse sobre ela, mas tinha de ser feito. – Confessa entre lágrimas. – Porque apareceu do nada a Lauren.
- Continua mãe, por favor. – Peço e puxo o meu cabelo para trás.
- Apareceu Lauren e educadamente ofereceu-se para conhecer-te. Fiquei feliz, tinhas mais uma pretendente. Contudo Lauren mostrou-se ser algo que não era e quando dei por mim estava cercada. – Admite e limpa as lágrimas.
- Cercada como? – Pronuncio.
- Ela estava a ameaçar-me matar Elijah e o teu pai se eu não fizesse o que ela queria. Pensei em ir á policia, mas assim que ela mostrou-me fotografias do teu irmão na faculdade percebi que ela tinha contratado alguém para andar de olho a vigiar. – Chora novamente.
O meu coração quase para após ouvir as dolorosas descobertas pela minha mãe. Obviamente que ela estava sob ameaça e pretendia garantir a vida de todos nesta casa. Admiro-a por isso, mas ela deveria ter-me contado. Eu vou acabar com a raça dessa mulher ruiva que está a cometer o maior crime possível.
- Então eu comecei a cumprir a minha parte, tudo para que ela não fizesse mal á nossa família. Eu juro. – Anna garante.
Eu vejo a verdade nos olhos da minha mãe. Aliás! Ela não ia-me mentir sobre isto, eu sei.
- A mãe tinha de contar-me. Eu tinha todo o direito de saber! – Afirmo.
- Não podia Harry! Tenta perceber o meu lado. Eu iria-me sentir culpada se alguma vez algo de mal acontecesse ao teu pai e ao teu irmão. – Diz. – Eu nunca perdoaria-me. Mas também estava com o meu coração a doer por ti, eu sabia que não a irias deixar. Tu gostas de Caroline mais do que aquilo que achas. Caso contrário já te terias afastado dela.
Engulo em seco e tento focar-me no ponto aqui. Expludo e dou um murro forte na porta do quarto. Isso resultou com os meus nós dos dedos cheios de sangue e cortados, mas não me importei. Nada agora importa, apenas quero matar Lauren por toda a merda que anda a fazer.
- Ainda há mais que deva saber a respeito disso?
- Sim, quando o teu pai teve um enfarte. – Começa e ouço-a. – Não foi natural.
- Como não foi natural? Fala mãe! Por Deus! – Grito mais furioso do que nunca.
- Filho foi ela. A Lauren veio aqui um dia e sem eu ver ela colocou algo no uísque do teu pai que acelerou o coração dele levando-o quase à morte. – Confessa chorando. – Foi ela e ainda teve a coragem de ligar-me a dizer o que fez. E segundo ela era apenas um aviso para que eu cumprisse a minha parte e depressa.
Não consigo absorver esta informação. É demasiado para mim, dolorosa demais. Eu quase perdi o meu pai por causa de uma louca. Eu não percebo o que ela quer de mim. Mas isto foi longe demais. A minha família é uma vítima no meio disto tudo. Vou obrigar a minha mãe a contar tudo para o meu melhor advogado e Lauren irá pagar por tudo isto, afinal é um crime.
Porém, nada apaga a minha raiva e dor neste momento. Se ela aparecer á minha frente sou bem capaz de a matar a sangue frio. Dou outro murro na porta e desta vez aparece Elijah, o meu pai e Caroline.
- O que se passa aqui? – O meu pai questiona autoritário.
Quero sair daqui. Passo por todos deixando-os perplexos e logo ouço a minha mãe gritar para Caroline vir atrás de mim. Não que ela fará algum milagre, eu preciso de sair daqui. Todo o ar está-me a sufocar.
Saio da mansão e abro o carro, nesse exato momento vejo o olhar azul de Caroline sobre mim a questionar-me o que se passa. Não quero ter de explicar agora, talvez mais tarde. Ignoro-a e entro no carro, mas antes que feche a porta Caroline aparece impedindo-me de realizar esse ato.
- Harry, onde vais? O que se passa?
- Caroline deixa-me fechar a porta. – Tento não ser rude com ela.
- Não, por favor, diz-me aonde vais assim tão enraivecido. – Pede com lágrimas nos olhos.
Eu acho que ela sabe para onde vou e por esse motivo não digo nada. Os meus músculos estão a precisar de relaxar, mas a minha mente ainda muito mais.
- Oh não. – Ela murmura e coloca a mão na boca em choque. – Por favor diz-me que não.
- Eu vou. – Digo e avanço para fechar a porta, mas ela impede-me.
- Não podes. Não podes ir lutar agora. – Ela choraminga.
Saio do carro e agarro nos seus braços, forçando-a a encarar-me e parar de choramingar. Estou cansado disso, já bastou a minha mãe.
- Ouve Caroline, eu vou agora para lá. – Digo olhando nos seus olhos azuis magoados. – Não vais-me impedir de ir. Não tens esse direito. Depois do que descobri esta noite eu tenho de ir com urgência. – Apercebo-me de que estou a gritar e ela a tremer. – Por favor entende.
Ela fica estática, pálida e calada. Eu sei que só lhe faço mal, mas se mal consigo controlar-me como posso ficar com ela? Esta conclusão tira-me do sério e o meu coração parte-se.
- Depois volto.
- Quando? – Pergunta assim que largo os seus braços.
- Não sei! Se sair de lá direito e vivo ainda hoje vou ter contigo mais tarde. Mas se sair desfigurado outro dia. Liga a Sebastian. Ele que te venha buscar. Desculpa Caroline. – Digo e entro no carro.
Caroline Miller
Eu pergunto-me como é que eu ainda permito-me sofrer assim. A bipolaridade de Harry e a causa dela. Descobri que Harry fica com raiva quando alguma bomba estoura e eu tenho a certeza que algo estourou no quarto da mãe dele, pelo estado da Anna e dele, mas não sei o que foi.
Abraço o meu corpo enquanto vejo o carro do Harry a ir embora chiando nos pneus. Ele tratou-me mal agora, mas eu o entendo por um lado. Ele está muito zangado e quando se acalmar vai falar comigo, eu sei disso. Mas sempre acabo assim. Sozinha, isolada e sem ele.
Digito o número de Sebastian e peço para ele me vir buscar. Limpo as minhas lágrimas e despeço-me de Elijah. Ele está preocupado com o irmão então eu imagino a mãe ou o pai. Ambos estão no quarto e eu não os quero incomodar. Provavelmente Peter está a consolar a sua mulher.
Assim que Sebastian chega entro no carro e peço para ele não dizer-me nada, o meu amigo respeita. Em casa vou para o meu quarto e Sebastian não me segue, ainda bem ele sabe que preciso de um tempo para mim.
Deito-me na cama abraçada á almofada com o cheiro de Harry. Ainda ontem estávamos bem. A nossa relação parece não funcionar. Existe problemas atrás de problemas e sempre que nos acertamos ficamos assim deste jeito.
Tenho esperança que Harry volte ainda hoje, embora eu quisesse que ele não fosse. Ele não ouviu-me quando pedi para não lutar. Eu sei que talvez não tenha o direito de pedir para ele não ir, mas não precisava que ele atirasse-me isso á cara.
Quando a minha mente se cansou de pensar sobre ele e as suas atitudes e as lágrimas secaram eram quatro e meia da manhã. Não dormi, era impossível. Tomo um banho, mas o mesmo não me relaxa e volto para a cama. Na mesma eu vejo um vulto e acendo o candeeiro da mesinha. A figura de Harry está lá sentada e eu fico quieta no lugar. Pelo menos ele veio, ele cumpriu a sua palavra.
- Care. – Ele fala tão roucamente enquanto se levanta e se dirige a mim. – Por favor, vamos conversar.
Não tenho a certeza do que vai resultar daqui e por isso aceno positivamente com a cabeça. Sentamos-nos na cama e ele puxa os seus cabelos. Eu iria apreciar certamente a maneira como ele puxa os fios do couro cabeludo, mas não agora, visto que estou preocupada com ele. Vejo o seu rosto e o mesmo só tem um vermelhão num lado do rosto e relaxo. Ele veio bem e agradeço a Deus por isso.
- Linda. – Ele chama e agarra as minhas mãos com as suas depositando carinho nas mesmas, relaxando-me de certa forma. – Quero primeiro pedir-te desculpa pela forma como falei contigo. Mas eu estava furioso com o que soube.
- O que soubeste? – Murmuro com a voz falhada.
- A minha mãe contou-me o porquê de ela não gostar de ti. – Ele olha nos meus olhos e eu estremeço.
- Estou a ouvir.
- Ela gosta de ti, sempre gostou. – Ouço-o confusa. – Porém, devido á maldita da Lauren a minha mãe teve de odiar-te e até tentar separar-nos.
- O quê? – Pergunto incrédula. – O que estás a dizer?
- A Lauren ameaçou a minha mãe Care. Ameaçou matar Elijah e o meu pai.
Harry conta-me tudo o que descobriu esta noite e eu estou pasmada. Simples assim. Não estou a querer acreditar nisto tudo, mas ao que as circunstâncias indicam é verdade. Ele conta-me do enfarte propositado do seu pai, as fotografias de Elijah o que demonstra estar a ser vigiado, o facto de Anna não poder contar nada a ninguém ou poderia sofrer as consequências.
E agora eu entendo. Depois de o ouvir eu entendo. A reação do Harry foi descontrolada e eu pensei que dessa vez ele não tinha como justificar, mas está mais que justificada. O meu peito dói por termos que passar por isto, mas dói ainda mais pelo sofrimento em que Anna se submeteu para cuidar da sua família.
Harry também diz-me que vai falar com Flynn o seu advogado e eu concordo. Assim Lauren ficará presa pelo crime que cometeu. Talvez depois disso nós ficaremos bem.
- E é isso o que vou fazer, falar com o meu melhor advogado e tratar este maldito assunto. – Anuncia.
- Acho que é o melhor a fazer.
- Por favor, perdoa-me pela maneira como te falei. – Ele pede e acaricia a minha bochecha.
O seu perfume inebria-me, o seu toque excita-me, a sua voz proporciona-me borboletas na minha barriga e por isso não consigo raciocinar ao pé dele.
- Estás zangada comigo? – Pergunta triste enquanto passa o seu polegar sobre o meu lábio inferior.
- Eu pedi-te para não ires porque não queria ver-te magoado mais tarde. Digo fisicamente. – Anuncio e desfaço o nosso contacto visual. – Eu só quero o teu bem e quero que falasses comigo como acabaste de fazer agora, quero ser eu a tirar toda a perigosa tensão de cima de ti. Quero ser eu o motivo da tua calma, mas não sou e esse é o facto.
- Não digas isso Care. – Mete uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. – Tu acalmas-me. Estou a falar a sério. Tu és a minha constante no meio disto tudo, é em ti que eu refugio-me. Pode não parecer, mas por vezes acalmo-me sem precisar de ir ao clube, basta pensar em ti.
Eu acredito nas suas palavras, pois elas são sinceras. Só que ainda não conformo-me com o facto de não ter total controlo sobre as trevas dele. Oh, eu quero tanto! Quero tanto poder acalmar o seu coração nos momentos de maior explosão.
- Mas ainda precisas de lutar. – Digo triste.
- Não. Quer dizer, eu esvaziei a tensão um pouco, mas não totalmente. Por favor, ama-me esta madrugada e acalma-me. – Ele pede com os seus olhos brilhantes, mas não de malícia, mas sim de carinho. – Preciso de ti agora, eu imploro. Ama-me na tua cama, amor.
O meu coração palpita tão forte e tudo o que eu faço é unir os nossos lábios numa junção perfeita da melodia clássica.
Escrito por: stylesgodx