Slifers

Galing kay Jukhen_

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Jukhen Silverheart está prestes a adentrar em um novo mundo repleto de desafios monumentais e consequências d... Higit pa

Bem vindos!
Personagens Principais
Prólogo: Sonho Infinito
Capítulo Um: O que vou fazer após completar meus 15 anos?
Capítulo Dois: O Despertar
Capítulo Quatro: Bem vindo aos Slifers
Capítulo Cinco: Treinando para sobreviver
Capítulo Seis: Quem nunca se sujou com sorvete?
Capítulo Sete: Descobertas
Capítulo Oito: Último dia de provas
Capítulo Nove: Infiltração
Capítulo Dez: Rain Killers
Capítulo Onze: Enigma Romano
Capítulo Doze: Encontro Duplo
Capítulo Treze: Verdade ou Desafio
Capítulo Catorze: Fim de Semana Radical
Capítulo Quinze: Os Ceifeiros
Capítulo Dezesseis: Batalha no Centro da Cidade Parte 1
Capítulo Dezessete: Batalha no Centro da Cidade Parte 2
Capítulo Dezoito: Voltando para as investigações
Capítulo Dezenove: Como invadir a diretoria de uma escola
Capítulo Vinte: Caye Verruckt o menino que só queria ter paz
Capítulo Vinte e Um: Por um centímetro
Capítulo Vinte e Dois: Face do Assassino
Capítulo Vinte e Três: Dia Sombrio
Capítulo Vinte e Quatro: De Volta ao Jogo
Capítulo Vinte e Cinco: O Lar dos Verruckt
Capítulo Vinte e Seis: Eu sou o Herdeiro de Ryousei
Capítulo Vinte e Sete: Revanche
Capítulo Vinte e Oito: Estudando o passado
Capítulo Vinte e Nove: Vindicta
Capítulo Trinta: Execução Final Parte 1
Capítulo Trinta Um: Execução Final Parte 2
Capítulo Trinta e Dois: Eclipse
Curiosidades e Agradecimentos ☯

Capítulo Três: Nunca confie em um estranho

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Galing kay Jukhen_

Já havia passado uma hora desde a morte dos meus pais. O tempo parecia se arrastar, como se cada segundo se recusasse a avançar. A dor ainda era insuportável, e meus olhos ardiam, secos de tanto chorar. O vazio deixado pela perda esmagava meu peito, e levantar daquele sofá parecia uma tarefa sobre-humana. Mas, de alguma forma, reuni forças. Eu sabia que precisava agir. Chamei Lee, o inspetor da cidade.

Ele era alto, de semblante duro, com os cabelos negros parcialmente cobrindo o rosto, e os olhos sempre semiabertos, carregando em si o traço de sua origem japonesa. Seus músculos delineavam-se sob o colete preto, resultado de anos na força policial. Em seu cinto, o coldre e o distintivo pendiam pesados, como se, naquele momento, também carregassem o peso de sua alma. A notícia o devastara. Seus melhores amigos, assassinados brutalmente. E ali estava ele, na sala de estar, de frente para o filho deles, agora órfão e perdido.

— Como você disse que era o nome do homem? – Lee me perguntou, sua voz soando como uma âncora à realidade. Ele me encarava, os olhos cheios de perguntas e incertezas.

Eu não queria falar, a menção daquele nome era insuportável. Minhas mãos trêmulas agarraram a caneta em cima da mesa e, com um esforço quase desesperado, escrevi no caderno: Cronos Sanguinem.

Lee leu em silêncio. Eu vi em seu rosto o reflexo da confusão, da impotência. Ele não conhecia o nome, não sabia o porquê de tudo aquilo. Senti sua mão pousar no meu ombro, um gesto de consolo que quase me fez desmoronar novamente.

— Sinto muito, Jukhen. Se precisar de qualquer coisa, estou aqui. – Sua voz saiu com uma mistura de dor e culpa, como se ele sentisse que deveria ter protegido meus pais de alguma forma.

Suspirei, tentando limpar as lágrimas que insistiam em retornar, enquanto a escuridão da realidade continuava a me cercar. Meu olhar encontrou o de Lee, e minha voz saiu em um sussurro pesado.

— Já levaram os corpos deles?

Ele desviou o olhar, talvez para esconder a própria dor. — Sim, já foram levados para autópsia... O funeral será amanhã. – Havia uma tristeza em sua voz que não deixava dúvidas: ele estava se reprimindo, segurando o peso de sua própria perda.

O silêncio que se seguiu foi pesado, sufocante. Cada segundo parecia durar uma eternidade até que ele finalmente quebrou o gelo:

— Você realmente pretende ir atrás do amigo do pai de Jin?

Senti um calafrio percorrer minha espinha. — Sim. Tenho medo... aquele cara pode voltar. Ele já sabe onde me encontrar, conhece meus amigos. Eu jamais me perdoaria se Kazuya, Alice ou Íris pagassem o preço por eu existir.

Lee balançou a cabeça lentamente, e pude ver que ele lutava para entender. — Não consigo imaginar o que você está passando... mas talvez seja melhor você sair daqui. Eu prometo que vou encontrar esse desgraçado e prendê-lo. – Sua promessa soou firme, mas havia uma fragilidade oculta em suas palavras.

Ele se levantou, pegou o boné que deixara sobre o braço do sofá e, antes que pudesse sair, um outro policial entrou, carregando um pacote embrulhado em papel colorido. O contraste entre a alegria simulada do presente e a dor real que eu sentia era quase cruel.

— Jin comprou ontem, antes de sair do trabalho. Pediu para eu te entregar. Era uma surpresa – Lee disse, jogando o pacote em minha direção.

Eu olhei para o presente com incredulidade. Aquilo não podia ser real. Não agora, não depois de tudo. Mas antes que eu pudesse retrucar, Lee já estava na porta.

— Cuide-se, ok? – E com essas últimas palavras, ele se foi.

A porta se fechou, e a solidão invadiu o ambiente como uma avalanche. O peso de tudo era insuportável. Meus pais, minha vida... tudo tinha sido arrancado de mim em questão de horas. Subi as escadas como se meus pés estivessem acorrentados ao chão. Ao chegar ao banheiro, me despi, liguei o chuveiro e deixei a água quente cair sobre mim, como se esperasse que ela levasse embora toda a dor. Fechei os olhos com força, desejando que, ao abrir, tudo não passasse de um pesadelo. Que ouviria a voz de meus pais me chamando, rindo das confusões que Íris sempre arrumava com seus namoros. Mas a realidade era cruel, e o único som que ouvia era o da água batendo no piso frio.

A dor voltou, mais intensa, esmagadora. Eu queria gritar, chorar até que não restasse mais nada dentro de mim. Mas sabia que me entregar à tristeza não mudaria nada. Eles não queriam isso para mim. Respirei fundo e desliguei o chuveiro.

Sequei-me mecanicamente, vesti uma cueca e calças, mas o reflexo no espelho me encarava com olhos inchados, azuis tingidos de vermelho, um espectro do que eu era antes. Sentei na cama, puxando da gaveta uma pequena caixa espalhafatosa e um envelope. Dentro, duas cartas. Li a mais antiga primeiro: um testamento, transferindo para mim metade do salário e ações. Dobre com cuidado, mas meu coração batia mais forte ao pegar a segunda.

"Querido Jukhen,"

Se você está lendo esta carta, é porque sua mãe e eu já não estamos mais neste mundo. Eu sei que essas palavras devem estar rasgando seu coração, e só de imaginar sua dor, já sinto o peso das lágrimas que você deve estar segurando. A vida é assim, meu filho... um dia, todos nós temos que partir. Mas o que eu quero que você nunca esqueça é que, enquanto estivemos aqui, tivemos um imenso orgulho de você. Você foi nossa maior alegria.

Antes de qualquer coisa, quero pedir perdão. Perdão por termos guardado de você a verdade sobre o seu dom por tanto tempo. Não queríamos que carregasse esse fardo, e mesmo que agora pareça impossível, quero que saiba, de todo o meu coração, que você não é o culpado pelo que aconteceu. Se partimos hoje, a culpa é nossa, nunca sua.

Nos momentos de sofrimento, lembre-se do que sempre lhe dissemos: mesmo nas horas mais sombrias, tente encontrar um raio de luz. Sorrir pode parecer difícil agora, mas é nesses momentos que o sorriso se torna mais poderoso. Não conseguimos lhe contar antes sobre a sua origem. Deveríamos ter tido essa conversa há muito tempo, mas o medo de sua reação nos paralisou.

Você foi adotado por nós, Jukhen. Sei que isso pode ser um choque, mas, por favor, não veja isso como algo que diminua o amor que sentimos por você. Não éramos seus pais biológicos, mas, desde o momento em que te encontramos, você se tornou nosso. Lembro-me do dia como se fosse ontem. Sua mãe chegou do trabalho e encontrou você, um bebê tão pequeno, deixado em uma cesta com apenas uma breve mensagem. As pessoas que te deixaram disseram que tinham medo de você, medo do que poderia ser... do que você poderia fazer. Nós pensamos em levá-lo para um orfanato, mas antes que percebêssemos, você já era nosso filho. Você trouxe luz para nossas vidas, esperança quando tudo parecia perdido.

Naquela época, éramos recém-casados e, depois de tantas tentativas frustradas de termos um filho, encontrar você foi como um milagre. Seu sorriso, seu jeito... tudo sobre você nos fez acreditar novamente. Mas quando você fez três anos e com um simples espirro explodiu a TV da sala, soubemos que havia algo especial em você, algo além do comum. Kai Yagami, um velho amigo de seu avô, nos explicou os riscos e o porquê de seu dom ser algo tão incompreendido.

Escondemos essa verdade para te proteger, para te dar a chance de viver uma vida mais tranquila. Talvez tenhamos errado, mas fizemos o que achamos ser melhor para você. Somos seus pais, Jukhen, não importa o sangue. Nosso dever sempre foi cuidar de você, e se isso significava fazer sacrifícios, estávamos dispostos a tudo. Mesmo que biologicamente não sejamos seus pais, nós te amamos com toda a intensidade de nossos corações.

Agora, é sua vez de trilhar o seu caminho. Procure os Slifers em Perluna, siga seu sonho. Faça amizades que valham a pena, ame intensamente e, acima de tudo, viva. Viva por nós, por você, pelo futuro que ainda te aguarda. Seja o homem que sabemos que você pode ser. E, por favor, não se esqueça de cuidar de si mesmo — sim, isso inclui manter uma alimentação saudável! Sua mãe ficaria furiosa se eu não te lembrasse disso.

Mesmo que não possa nos ver, estaremos sempre ao seu lado, em cada passo que der. O amor que sentimos por você transcende a vida. Estamos cuidando de você, onde quer que esteja.

Cuide-se, campeão.

Te amamos, para sempre,

Jin e Agnes."

Ao terminar a carta, lágrimas caíram sobre o papel, manchando o que estava escrito e todo a angústia e tristeza voltou igual a um míssil para me devastar, eu tinha certeza agora, meus pais estavam mortos e era tudo culpa minha, apenas o fato de ter nascido com tal poder não só fez meus pais biológicos me jogarem fora como levar as pessoas que eu mais amava direto para a morte. Eu não ligava nem um pouco se tinha sido adotado, Jin e Agnes Silverheart eram meus heróis e os levaria comigo para sempre, um brilho surgiu do fundo da caixa levei meus dedos para dentro dela retirando dali um anel prateado analisei a jóia com cuidado notando as siglas SH abaixo de um pequeno coração desenhado de tamanho minúsculo um sorriso involuntário surgiu ao notar que se tratava do emblema da família.

Ao ler a carta, as lágrimas voltaram, manchando o papel. Cada palavra parecia um golpe, cada frase uma confirmação de que meus pais realmente haviam partido. E a revelação... o fato de eu ser adotado... era um fardo que não importava. Jin e Agnes sempre seriam meus pais. Eles me amaram, me protegeram, e agora tudo estava perdido.

No fundo da caixa, um anel prateado brilhava. As iniciais "SH" e um pequeno coração, o símbolo da nossa família. Coloquei o anel no dedo indicador da mão esquerda. Um gesto simples, mas que carregava todo o significado do que havia perdido e do que levaria comigo.

Finalmente, após três horas de organizar as lembranças, roupas e joias, me deitei na cama, exausto, mas o sono não veio. Não havia como dormir. Cada pensamento era uma tortura, cada batida do coração, um lembrete de que a vida, como eu a conhecia, tinha acabado. Me levantei, abri o notebook de meus pais e busquei o caminho para Perluna. Era meu único destino agora.

Comprei a passagem, vesti a blusa azul que Jin tinha comprado para mim, e deixei a casa, fechando a porta pela última vez. O céu estava começando a clarear, um tom de azul que contrastava com a escuridão do meu coração. E assim, dei meus primeiros passos rumo ao desconhecido, com um futuro incerto, mas determinado a continuar.

Suspirei profundamente, incomodado, enquanto comprava meu ingresso pela internet. Não era o tipo de despedida que eu queria, mas a sombra de Cronos ainda parecia pairar sobre mim, observando cada passo meu. Programei um e-mail para Kazuya, explicando o que havia acontecido e me despedindo de forma breve. Não tinha coragem de partir sem dizer adeus, mas o medo era maior. Vesti uma camisa qualquer e fui até a mesa buscar o presente surpresa que meu pai havia deixado: uma blusa de capuz azul. Era uma peça simples, do tipo que a maioria das pessoas ignoraria, mas para mim era perfeita. Confortável, discreta, exatamente como eu gostava. Vesti-a, deixando o zíper aberto, e joguei o notebook na mochila, sentindo o peso daquilo que estava prestes a deixar para trás.

Abri a porta da minha casa, parando por um momento para contemplar pela última vez o lugar onde cresci. O céu estava pintado com tons de azul escuro e azul claro, uma transição suave que anunciava o amanhecer. Fechei a porta atrás de mim, trancando-a como quem sela um capítulo da vida. Caminhei em direção ao ponto de ônibus mais próximo, onde alguns desconhecidos já aguardavam, o que, para minha sorte, tornava o ambiente menos perigoso. A solidão, naquela altura, seria o maior dos riscos.

O ônibus chegou rapidamente. Entrei, paguei a passagem, e segui para os últimos assentos, onde me joguei como se estivesse tentando fugir do mundo. Levantei o capuz, puxando-o sobre a cabeça, e usei a mochila como travesseiro. O cansaço se acumulava como uma nuvem pesada sobre mim. Conectei os fones de ouvido no celular, escolhendo uma playlist aleatória e deixando a música no volume máximo, afogando meus pensamentos nas vozes e melodias que sempre tinham o poder de me acalmar. Tudo que eu queria era esquecer. O destino me aguardava em algum lugar longe dali, e uma hora seria o suficiente para chegar à estação de trem.

Após cerca de trinta minutos de viagem, abaixei o volume da música. Sabia que logo estaríamos no ponto final. Quando o anúncio de chegada finalmente ecoou pelo ônibus, desci com a mochila nas costas, o peso de tudo o que deixava para trás ainda me acompanhando. Caminhei até a plataforma 23º, onde famílias, casais e adolescentes já aguardavam o trem. O relógio no celular marcava cerca de 05h da manhã. Esperei pacientemente, conferindo o bilhete pelo aplicativo. Quando o trem chegou, entrei e caminhei até a última cabine, vazia, onde me joguei em um dos bancos. O silêncio era bem-vindo. Fechei os olhos e me deixei afundar no estofado, apenas querendo um pouco de descanso.

Minha tranquilidade foi interrompida pelo som da porta da cabine se abrindo. Abri os olhos, irritado, apenas para ver um garoto ruivo, de aparência desajeitada, parado ali. Ele parecia ter a minha idade, mas era menor, com sardas no rosto, olhos castanhos e roupas rasgadas. Em seus pés, sandálias. Fiquei confuso. Como ele havia entrado ali? Certamente tinha pago a passagem, pois o guarda não o teria deixado entrar de outra forma.

— Com licença, posso ficar aqui até a viagem terminar? — Ele perguntou com uma voz tímida, quase hesitante. Fiz um sinal afirmativo com a cabeça, sem dizer uma palavra.

Ele se sentou à minha frente, esticando a mão em um gesto de cumprimento. Relutante, aceitei o gesto, mas logo recuei. Não estava no clima para conversar, mas algo na sua situação me intrigava.

— Prazer, me chamo Jukhen. E você? — Perguntei, quebrando o silêncio.

— Max Pride. O prazer é meu — respondeu ele, com um sorriso desajeitado, mexendo nervosamente na camisa verde surrada.

— Por que está vestido desse jeito? — perguntei, sem esconder minha curiosidade.

— Tive alguns problemas com ladrões que tentaram me assaltar — respondeu ele, com um sorriso sem graça. Suspirei profundamente. Aquilo soava estranho, mas eu estava cansado demais para aprofundar o assunto.

— Entendo.

Após mais algumas trocas de palavras, deixei claro que não queria conversar.

— Max, é o seguinte: eu não tive um dia bom, então só quero dormir, ok?

Ele assentiu em silêncio, respeitando meu pedido. Abracei a mochila, fechando os olhos e permitindo que o cansaço me dominasse.

Quando acordei, uma mulher de cabelos grisalhos estava me sacudindo gentilmente, com um sorriso terno no rosto.

— Ah, graças a Deus, achei que não ia conseguir te acordar a tempo — disse ela, aliviada. — Já chegamos, querido. Saia antes que o maquinista venha checar e te dê uma bronca.

Agradeci, mas quando procurei pela minha mochila, ela não estava lá. Meu coração disparou.

— Você está brincando comigo... onde ela está? — murmurei para mim mesmo, ajoelhando-me para olhar debaixo dos bancos. Nada. Olhei ao redor, desesperado, mas logo percebi a terrível verdade.

Max tinha desaparecido. E com ele, a minha mochila.

A fúria me dominou. Todas as memórias de Jin e Agnes estavam naquela mochila. Corri até a saída, perguntando ao maquinista se ele havia visto um garoto ruivo. Para minha sorte, ele confirmou, apontando em direção ao bosque próximo à estação.

Sem pensar duas vezes, corri em disparada, o sangue fervendo em minhas veias. Eu não era uma pessoa violenta, mas havia uma linha que não podia ser cruzada, e Max a havia ultrapassado. Se eu o encontrasse, ele pagaria caro.

Finalmente, avistei o garoto. Ele estava sentado, devorando um pacote de batatas como se não tivesse um único problema no mundo. Ao seu lado, minha mochila. Sem hesitar, agarrei uma pedra e a arremessei contra o saco de batatas, assustando-o. Antes que ele pudesse reagir, eu já o tinha derrubado no chão, segurando-o pela gola da camisa.

— Seu desgraçado! Você me roubou! — gritei, a raiva transbordando.

Ele tentou se explicar, mas eu não queria ouvir. Estava prestes a sufocá-lo quando notei lágrimas em seus olhos. Algo no seu olhar me fez hesitar. Ele começou a falar desesperadamente, atropelando as palavras, tentando justificar o roubo.

— Claro que é! Você roubou meu notebook! Tudo o que disse sobre ladrões era mentira. O ladrão é você, seu maldito! — gritei, minha voz ecoando pela clareira enquanto apertava ainda mais meu braço contra o corpo dele. Eu estava furioso, e se ele tentasse dar mais alguma desculpa esfarrapada, eu o sufocaria até que seu ar faltasse. Depois, alertaria a polícia.

Ele, no entanto, me olhou fixamente, seus olhos começando a lacrimejar. Por um momento, fiquei confuso. A raiva ainda queimava dentro de mim, mas algo naquele olhar mexeu comigo. Arqueei a sobrancelha, sem entender por que ele estava prestes a chorar. Relutante, afrouxei o aperto.

— O-Olha... Eu sei que você está nervoso, e eu também estaria... Mas eu estou dizendo a verdade. Não menti. Tomei uma surra porque fui sequestrado por ladrões. Eles usaram minha prima menor como refém para me forçar a hackear o sistema de um banco para eles. Foi assim que entrei no trem, hackeando para fazê-los acreditar que eu era apenas um passageiro que teve um dia ruim. — Ele falou rápido, atropelando as palavras, e eu realmente não sabia se acreditava nele.

— Eles me pediram para conseguir um computador ou celular pra eles... Se eu não fizer isso, eles vão matar ela. Juro que é verdade! — Ele caiu de joelhos à minha frente, sua expressão desesperada, seus olhos suplicando por compreensão. — Eu venho de uma família que preza o próprio sangue acima de tudo. Eu sei que errei em roubar você, mas eu estava desesperado. Por favor, tente entender.

Algo na voz dele parecia real, autêntico, e isso só aumentava minha frustração. Eu odiava estar nessa situação, odiava a ideia de estar começando a acreditar nele. Suspirei profundamente, massageando as têmporas enquanto tentava processar tudo aquilo.

— Eu juro que se você estiver mentindo, eu acabo com você. — Minha voz saiu fria, mas no fundo, uma pequena parte de mim queria acreditar que ele estava sendo sincero.

— Obrigado! — Ele se levantou rapidamente, voltando a pegar o saco de batatas, como se estivesse voltando a algo trivial.

— Então, se sua prima foi sequestrada, por que você está aqui, comendo tranquilamente, como se nada estivesse acontecendo? — Cruzei os braços, desconfiado. A história dele ainda soava absurda, e eu estava pronto para dar uma surra nele e levá-lo direto para a polícia se descobrisse qualquer mentira.

Ele jogou o resto do salgadinho na boca e me olhou, sem pressa.

— Estou esperando eles chegarem.

Eu ia retrucar, já perdendo a paciência, mas então ouvi vozes graves se aproximando, acompanhadas de um choro abafado. Meu corpo ficou tenso. Olhei para ele, que fez um gesto rápido para que eu me escondesse atrás das pedras. Apesar de toda minha relutância, fiz o que ele pediu.

Não demorou para que quatro homens surgissem na clareira. O primeiro era magro, com cabelos cor de areia caindo sobre os olhos. Usava um piercing no nariz e tinha olhos escuros que transmitiam um certo desprezo pelo mundo. Sua camisa era larga, uma corrente de prata pendia do pescoço, e suas calças rasgadas combinavam com o tênis de marca. Ele segurava um taco de baseball de forma ameaçadora.

Ao lado dele, um homem de estatura mediana, com cabelos encaracolados e loiros, olhos verdes e um semblante mais tranquilo, embora uma faca em sua mão esquerda dissesse o contrário. Usava uma camisa branca folgada, bermuda justa e tênis brancos. Parecia o menos preocupado, mas ainda assim, perigoso.

O terceiro era o mais intimidador. Musculoso, com um corte de cabelo moicano roxo e olhos castanhos. Segurava uma bengala preta e exibia uma expressão sádica, como se estivesse à espera de um motivo para fazer algo terrível.

O último deles era um homem acima do peso, com uma cicatriz abaixo dos olhos cor de mel. Segurava uma corda que estava enrolada no pescoço de uma menina pequena, cujas roupas surradas eram idênticas às de Max. Ela tinha cabelos ruivos curtos e tremia visivelmente, os olhos inchados de tanto chorar. Quando viu o primo, tentou correr para ele, mas foi impedida pelo homem que a segurava.

— Anny, vai ficar tudo bem. Só mais um pouco, logo você será livre. — Max tentou acalmá-la, sua voz suave contrastando com a tensão no ar.

— Pelo bem da pirralha, espero que você tenha conseguido um computador que valha a pena, Maxwell. Um que seja capaz de hackear o banco da cidade. — O homem de moicano disse, encarando Max com frieza.

Max retirou meu notebook da mochila com mãos trêmulas. Aquilo era meu. E não ia deixar ser roubado assim. Continuei observando, tentando decidir o que fazer.

— Está aí, Kevin. Agora, por favor, deixe-a ir. — Max pediu, a voz embargada.

— Tudo certo. Vamos soltá-la. — Kevin fez um gesto para liberar a menina, e no momento em que a corda deslizou do pescoço dela, peguei a primeira pedra que vi no chão e a arremessei com toda a força que tinha. Acertou o bandido de cabelos cor de areia direto no olho.

— Porra, meu olho! — O grito de dor dele ecoou pela clareira. Os outros ficaram imediatamente alerta, mas antes que pudessem reagir, joguei outra pedra, acertando o loiro.

— Ah, para de ser frouxo! — O grandalhão debochou, vendo o parceiro no chão.

Sem perder tempo, mirei a próxima pedra nas partes baixas de Jackson, o grandalhão. Ele caiu no chão, gritando de dor, o que me fez soltar uma risada abafada.

Kevin, furioso, colocou o notebook de lado e encarou Max e Anny com olhos selvagens.

— Você vai pagar caro por isso. — Ele segurou sua bengala e apertou um botão. Antes que eu entendesse o que estava acontecendo, corri em direção a Max e interceptei o golpe.

Aqui está uma versão melhorada do seu texto, com mais detalhes, sentimentos e emoções:

— Sabe, Maxwell, eu odeio quando tentam passar a perna em mim. Você vai morrer por ousar me enganar! — A fúria vibrava em minha voz, enquanto estendia o antebraço, segurando a bengala com uma determinação que fazia meu coração acelerar. Apertei o botão acoplado a ela, e antes que eu pudesse processar o que estava acontecendo, um lampejo azul cortou o ar. Instintivamente, corri em sua direção, meus instintos gritando para agir.

Levantei o antebraço à frente do meu rosto, recebendo o choque que deveria ter se dirigido ao ruivo. Uma dor aguda atravessou meu corpo, mas era um erro do bandido; a eletricidade pulsava em mim, como se finalmente estivesse despertando. Um sorriso irônico brotou em meus lábios ao ver seu espanto. Sem compreender completamente como, canalizei a eletricidade de volta para ele. Ele começou a chacoalhar violentamente, um grito de desespero escapando de seus lábios enquanto caía ao chão, inconsciente.

Os outros três, que assistiam à cena com um misto de medo e incredulidade, levantaram-se e fugiram da clareira, deixando para trás o caos que se desenrolava. Meu coração ainda disparado, abaixei-me e peguei a bengala, partindo-a com força contra meu joelho. O estalo ecoou no ar, seguido pelo som dos restos caindo em direção a uma lixeira ecológica a poucos metros de distância.

— N-Não acredito... Jukhen, você é um Troublemaker? — Max me olhou, a confusão estampada em seu rosto. Um riso involuntário escapuliu de mim, e pisquei para ele, enquanto ele ria nervosamente, abraçando sua prima que, atordoada, ainda tentava entender a situação.

— Agora estamos quites — murmurei, indo em direção à minha mochila e colocando de volta o notebook, meu bem mais precioso.

— Anny, esse é o Jukhen. Ele me ajudou a te salvar. Agradeça, sim? — Max disse, seu tom era doce, como um irmão protetor.

O olhar da garotinha se prendeu a mim, fazendo um aceno tímido antes de se agarrar ao antebraço de seu primo. Senti uma onda de alegria ao ver a conexão entre eles, e não pude deixar de rir. Coloquei a mochila de volta ao meu ombro, sentindo que nada poderia me separar dela, nem mesmo um sono profundo. Cruzei os braços e encarei Max.

— E agora, Max, para onde você vai? — perguntei, curiosidade misturada com preocupação.

— Voltar para minha vila com minha prima — respondeu, um sorriso aberto iluminando seu rosto enquanto se abaixava para que Anny pulasse em suas costas. — Só que vai demorar...

— Se for de trem, não vai — disse, retirando da carteira algumas notas de 50 brilhos um total de 150. Sabia que era o suficiente para pegar três trens e ainda comprar uma boa refeição, ou até um par de roupas. Ele precisava mais do que eu, e eu podia simplesmente transferir dinheiro pelo celular, caso precisasse.

— Isso é sério? Depois do que eu fiz com você? — indagou, completamente atordoado, como se a ideia fosse absurda.

— E quem disse que isso é de graça? — O encarei com firmeza. — Você vai me levar para a entrada de Pearl City, já que não faço a menor ideia de como chegar. A desculpa que encontrei era a mais idiota, mas, para minha surpresa, ele caiu, confirmando animadamente.

Depois de 40 minutos de caminhada sob o sol, finalmente avistei o fim da floresta. A enorme cidade de Pérola se desenrolava diante de mim, suas edificações brilhando ao sol. Um sorriso involuntário surgiu em meu rosto enquanto estendia a mão para um cumprimento.

— Obrigado pelo tour, Max. Foi um prazer te conhecer. Da próxima vez que me roubar, eu juro que acabo com você. — Pisquei o olho, fazendo-o rir nervosamente, e ele aceitou meu cumprimento.

— Mais uma vez, me desculpe. Nunca mais faço isso — declarei, um misto de sinceridade e alívio em minha voz.

Sorri satisfeito ao vê-lo seguir seu caminho, Anny ainda nas costas. A decisão de ajudá-los foi a certa. Com toda certeza, era o que meus pais fariam, e aposto que se orgulhavam do que tinha feito. Me virei, encarando as várias casas e prédios abaixo da pequena estradinha que seguia rumo à entrada da cidade. Ali, minha nova vida começava, pulsando com possibilidades.

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