Nossa última lembrança ainda trazia água aos meus olhos.
O portão da vila estava quase vazio. O sol se despedia atrás das muralhas, tingindo o céu de um laranja cansado, como se até o dia estivesse exausto de tentar convencê-lo a ficar. O vento passava baixo, levantando a poeira do caminho, fazendo as folhas secas rolarem entre nossos pés — nenhuma delas ousava permanecer parada.
Sasuke estava de costas para mim.
O manto escuro balançava levemente com o vento, os ombros rígidos, a postura ereta demais para alguém que dizia estar em paz. Sua bandana pendia frouxa, riscada, e por um instante pensei que, se eu estendesse a mão, poderia segurá-lo ali. Não o corpo — a decisão.
Minha voz saiu menor do que eu queria. Quase um pedido que tropeçava no ar.
— Deixe-me ir com você.
Ele não se virou de imediato. Houve um silêncio. Denso. Cruel. Um desses silêncios que esmagam mais do que qualquer palavra dita. Quando enfim respondeu, sua voz veio baixa, controlada demais para não doer.
— Talvez na próxima.
Sasuke deu o primeiro passo sem olhar para trás.
Fiquei ali, com as mãos cerradas, sentindo o peito apertar como se algo estivesse sendo arrancado lentamente de dentro de mim. O vento tocava meu rosto, mas era o vazio que queimava. Observei sua silhueta diminuir no caminho, até se tornar apenas uma sombra engolida pela estrada.
Eu não gritei.
Não chorei naquele momento.
Apenas entendi.
Eu morreria todos os dias esperando por ele.
...
Saía do hospital quando o cheiro forte de antisséptico ainda impregnava minhas roupas. As portas de vidro se fecharam atrás de mim com um clique abafado, isolando o murmúrio dos corredores internos — passos apressados, vozes contidas, o rangido distante de macas sendo empurradas. Do lado de fora, o ar parecia mais leve, embora carregado pelo silêncio estranho que a paz havia deixado sobre Konoha.
Foi então que vi uma figura familiar se aproximando.
Alto, de cabelos louros intensamente dourados, Naruto Uzumaki vinha em minha direção com o mesmo andar desengonçado de sempre, os passos largos demais, os braços balançando sem qualquer coordenação. O sol da tarde refletia em seus fios claros, quase ofuscando por um instante. Os olhos azuis, vivos e expressivos, contrastavam com o rosto jovem, ainda liso, sem qualquer sinal de barba — apesar dos dezoito anos recém-completados.
Vestia sua tradicional jaqueta preta com zíper alaranjado, a faixa vermelha com o brasão da Vila Oculta da Folha presa ao braço esquerdo e a calça alaranjada que jamais abandonara. Algumas coisas simplesmente não mudavam. Era impossível confundi-lo com qualquer outra pessoa.
Dois anos haviam se passado desde o fim da Quarta Guerra Ninja. Vivíamos, enfim, um período de paz — ainda frágil, ainda estranha. Kakashi Hatake assumira o posto de Sexto Hokage e, mesmo assim, missões continuavam existindo. Talvez menos sangrentas, menos desesperadas... mas nunca inexistentes.
— Sakura-chan! — chamou, levantando o braço em um aceno exagerado, a voz ecoando brevemente no pátio do hospital antes de se dissipar.
Parei por um instante antes de responder, ajustando a alça da bolsa no ombro, sentindo o cansaço pesar nos músculos.
— Kakashi-sensei pediu para encontrarmos com ele no escritório daqui a uma hora — continuou, aproximando-se mais alguns passos.
— Certo — respondi, minha voz saindo mais baixa do que eu pretendia. — Ele comentou sobre o que se trata?
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A Mulher do Uchiha
FanfictionEventualmente, quando a quarta guerra Shinobi terminou e a paz mundial foi estabelecida, Sakura foi considerada a Kunoichi mais influente e poderosa. Mas isso não era o bastante para evitar a solidão que sentira, porque apesar de estar entre tantas...
