Capítulo 1

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Ter quatorze anos, não é fácil.

Você sempre é julgada pelo resto da sociedade por ter pensamentos diferentes. Sejam eles: pensamentos suicidas, pensamentos de fã, pensamentos amorosos e etc...

Sou coreana, me chamo Park Jiwon, tenho quatorze anos e sou descendente brasileira.

Eu moro com a minha mãe, e com a minha vó. Moramos em uma casa gigante, com três andares, e velha, feita de madeira. Super barulhenta. Eu odeio essa casa.

Minha vó é super estranha. Moramos na mesma casa a quatro anos, e nesses quatro anos eu só vi ela umas oito vezes, por causa do natal.
Ela nunca saí do ultimo andar da casa, e a minha mãe pediu para mim não ir lá encomoda-lá.

Minha mãe não para em casa, ao contrário da minha vó, que nunca saí de casa.
Minha mãe está sempre trabalhando, ou sei lá o que ela faz lá fora, mas eu também a vejo poucas vezes.

Eu odeio o último andar dessa casa, onde minha vó fica, é assustador.
Só fui lá uma vez, por curiosidade.
É cheio de teias de aranha, e poeira.
Faz muitos barulhos, sinto que aquele lugar não é do bem.

Nunca entrei no quarto da minha vó, mas ela é uma velha muito estranha, então nem quero entrar.
Vai que ela mata pessoas, e bebe o sangue como suco de morango.

Ok, estou exagerando.

▪  ☆  ▪

- Jiwon, sua vó não está muito bem. - Falava minha mãe antes de ir para o trabalho.

Minha mãe arrumava coisas em sua bolsa, eu comia um pão de geleia enquanto estava sentada no balcão. O relógio marcava 06:30 da manhã.

- Quando der meio dia, pode por favor levar esse remédio para ela? - Perguntou colocando um remédio no balcão.

- Hum... nunca vejo ela. - Falei. - Como vou dar o remédio?

- Sua avó é teimosa, então não quer beber. - Ela suspirou. - Mas leve até o quarto dela, bata na porta, e entregue.

- Você disse que, eu nunca, jamais, poderia entrar no quarto da vovó, ou perguntar algo sobre lá a ela. - Falei.

- Isso era antes, agora você já é mais velha, sabe o que pode e o que não pode. - Falou e saiu dalí. - Tchau, vou trabalhar!

▪  ☆  ▪

Estava sentada no sofá, com meu celular, assistindo uma live dos amores da minha vida, vulgo bts.

Minha mãe o-d-e-i-a o fato de eu gostar deles. Minha vó sem sabe que eu gosto, mas acho que ela também odiaria, nunca fomos próximas.

De qualquer forma, não ligo para opinião delas. O que importa é que eu amo muito os sete.

Antes que eu percebesse, já era 11:50. Suspirei e me levantei do sofá, peguei o remédio e um copo com água.

Subia os degraus, um por um até chegar no segundo andar.
Por algum motivo, qual nem eu sei, eu morro de medo do terceiro andar, e tenho um pouco de medo até da minha vó.

Continuei andando, e finalmente cheguei ao terceiro andar, olhei para os lados, e a situação estava pior que na primeira vez.

Andei lentamente, andando para todos os lados até chegar no quarto da minha vó.
Fechei os olhos e bati na porta, esperando uma resposta e nada.

Abri os olhos, e bati novamente na porta.
A porta se abriu, mas não tinha ninguém. Dei um passo e entrei no grande quarto, olhei para todos os lados e não vi ninguém.

- Avise a sua mãe, que não preciso de remédio algum. - Ouvi a voz de minha vó dizer.

Uma cadeira, que estava lonje da porta se virou, minha vó estava sentada nela.

- Vó... minha mãe disse que a senhora... - Ela me interrompeu.

- Sua mãe não sabe de nada. Não estou doente, não preciso de remédios.

- Desculpa, vó, mas tenho que te dar o remédio, se não, minha mãe vai brigar comigo. - Falei me aproximando dela.

- Deixe-o alí. - Falou olhando para uma mesinha. - Mas não vou beber isso.

- Tudo bem.

Fui até a mesinha, tinha vários objetos estranhos, coisas que nunca tinha visto na vida.

Coloquei o remédio sobre a mesa, mas não deixei de notar uma pedra.
Assim que olhei para ela, percebi que ela brilhou.
Era uma pedra linda, roxa e azul, eu queria muito aquela pedra.

- Que pedra linda, vó. - Falei.

- É uma herança de família. - Ela suspirou. - Não toque, isso já foi da minha tataravó.

- Desculpa... um dia a senhora vai passa-lá para minha mãe? - Perguntei.

- Sua mãe não aceita essas coisas, e provavelmente você também não, então isso acaba aqui, a pedra morrerá junto comigo.

- Por que ela não aceita? - Perguntei. - É tão linda... e eu aceitaria sim.

- Claro que aceitaria, não sabe nada sobre a pedra, muito menos sobre a família.

- O que quer dizer? - Perguntei confusa.

- Por que acha que sua mãe te criou longe do resto da família? Por que acha que ela pediu para não me perguntar nada, ou subir aqui em cima?

- Eu não sei...

- Sua mãe não quer que você seja como o resto da família, ela não quer que essa familia continue. - Ela suspirou. - Se você não souber, seus filhos também não saberão, nem seus netos. Tudo acabará aqui, e é isso que sua mãe quer.

- O que é 'tudo'? - Perguntei. - E por que ela quer que acabe? O que a pedra tem de tão especial?

- Quer saber? - Ela sorriu. - Leve a pedra, e descubra por conta própria, mas nunca abuse de nada.

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⏰ Last updated: Jul 08, 2019 ⏰

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