[1] Os curativos que te impedem de ver a beleza do mundo

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Jeongguk acordou sem enxergar naquela manhã. Nada mais que uma assustadora escuridão provinha de seus olhos, e não eram por pálpebras fechadas ou por conta dos enormes curativos que selavam seus ambos orbes com milímetros de distância para que os abrisse, mas, sim, devido à falta de uma visão nítida.

Sentia-se enjoado e fraco, talvez pelas intravenosas — que notou somente ao tentar levantar um de seus braços — introduzida em seu pulso e que circulavam medicamentos por seu corpo. Ele não sabia dizer exatamente o que estava sentindo. Aliás, ao pensar um pouco mais sobre aquilo, se deu conta de que não sabia dizer absolutamente nada. Sequer seu nome, se tinha família, se um dia não fora cego de fato ou o motivo de estar em um maldito hospital.

— Com licença — uma voz feminina pediu, causando uma reação de sobressalto no paciente.

— Q-Quem está aí? — questionou, desconcertado, tateando tudo o que podia ao seu redor e sendo retido pelos fios que prendiam seu corpo ao leito.

— Oh, você finalmente acordou, Sr. Jeon! — a mulher pareceu entusiasmada. — Faz dois dias desde que sua cirurgia ocorreu. E me atrevo a dizer que foi um sucesso. Seus sinais estão ótimos.

Jeon? Quem era Jeon? Ele?

— Vamos ver como estão esses olhinhos — a figura cantarolou.

Não existiam outros ruídos além daqueles que o salto da mulher fazia no piso (o que indicavam que eram apenas eles dois os presentes ali) e do desconforto. Fez-se o alívio.

Os movimentos que se aproximavam eram calmos e delicados e a figura não apresentava sons que indicassem ser uma ameaça — e aquilo, de fato, tornou a situação menos apavorante.

Jeongguk pressentiu a aproximação da aparente enfermeira e tentou seu máximo para não se afastar do toque gentil da mesma. Sua mente encontrava-se em estado de confusão; o coração estava acelerado e batendo tão forte que seu peito estava a ponto de explodir. A falta de recordações também não ajudava muito em acalmar o desorientado jovem — que questionava tudo, até a si mesmo.

As unhas compridas da desconhecida roçaram na pele ao redor dos curativos, ocasionando um leve ardor que não experimentara antes daquele ato. O adesivo que impedia qualquer fonte de luz exterior de chegar até seus orbes foi puxado vagarosamente com a ajuda de um líquido que julgou ser água ou soro. Assim que se viu livre de qualquer impedimento, Jeongguk abriu os olhos, porém somente para se arrepender em seguida.

Uma claridade e quantidade absurda de imagens invadiu sua perspectiva em menos de meio segundo. As coisas apresentavam-se um pouco mais embaçadas que o normal e nenhum pouco nítidas.

— Não force muito. Esses novos olhos ainda não se acostumaram com você — explicou a enfermeira.

— O que aconteceu comigo? — o Jeon indagou, estreitando os orbes em uma tentativa de obter uma imagem melhor da pessoa à sua frente.

Não soube identificar muito bem a expressão que a enfermeira elaborou em seu rosto, entretanto, julgou não ser boa pelo silêncio posterior a sua demanda.

— Você não se lembra de nada? — questionou um tanto surpresa. — Sabe quem é, pelo menos?

O moreno indicou que "não" com um movimento desajeitado. Controlava sua curiosidade em tocar o próprio rosto para descobrir se estava muito inchado ou se haviam por ali mais alguns ferimentos ocultos.

— Isso é péssimo — a mulher afirmou mais para si mesma. — Vou chamar o Doutor Kim imediatamente.

— Quem? — franziu o cenho.

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