Seu nível de apreensão subiu quando retornou até o seu esconderijo e constatou que estava vazio. Manoela não estava ali, e por que estaria? Sendo ela como era, ficar confinada em um aposento jamais seria uma opção, nem que ele lhe prometesse sexo ininterrupto. Também já havia passado desse ponto. Pelo menos ela já havia passado. Stephen, toda vez que Manoela se aproximava, sentia-se como um adolescente sem nenhum controle sobre os seus impulsos. O único desejo era saciá-lo. Porém, aquela casa tirava até isso dele.

 —Aconteceu alguma coisa, pai? — Charlotte encontrou com ele no corredor quando ia em direção para o seu quarto. Tinha isso em comum com ele, preferia ficar escondida.

— Estava procurando por Manoela. E você, está bem? — Stephen, desde o dia anterior, havia notado melancolia nos olhos da filha, Manoela havia também feito essa observação antes de dormirem.

— Ela está com os meninos lá na sala de TV, jogando videogame.

Stephen sorriu. Certamente Manoela se sentiria melhor ao lado dos jovens do que daquelas mulheres problemáticas. A mulher que tinha ao seu lado não era um poço de futilidade como as suas cunhadas e a ex mulher.

— E por que você não está com eles? — Stephen avançou um passo em sua direção, porém, Charlotte fez o contrário.

— Não gosto daquilo. Prefiro ficar lendo no meu quarto.

Stephen imediatamente se reconheceu naquela fala. Já havia dito e repetido tantas vezes que podia ser considerado o seu mantra quando tinha exatamente a mesma idade que a filha.

— Ela é igual a você, não fique surpreso. — Elizabeth apareceu sorrateira e escutava a conversa que eles tentavam manter.

Charlotte, sentindo que o clima mudaria, e detestava presenciar a mãe deteriorando ainda mais a imagem do pai, seguiu em passos rápidos para seu quarto.

— Charlotte, espera! — Stephen ainda tentou impedir a chamando de volta.

— Deixe-a ir. Preciso falar com você.

Elizabeth apoiou-se em uma das suas pernas para aliviar a tensão dos saltos altos que usava, e também para lhe dar equilíbrio. Os dois copos de uísques tomados já começavam a fazer efeito.

— Não estou com vontade de falar com você. — Stephen seguiu em direção as escadas que lhe levaria até onde Manoela estava. — Preciso de um cigarro também.

— Anda fumando demais. Aquela mulher também, toda vez que a vejo está com um cigarro na mão.

— Agora vai implicar com o cigarro que fumo. Quer saber, isso... — apontou para eles. — faz com que tenha mais vontade de fumar. Esse lugar. Tudo aqui!

— Então, por que vem? — Elizabeth ficou em posição de ataque.

— Como ousa me perguntar isso? Sabe que só venho aqui para ver eles. — Stephen, em contra ponto, se colocou em sentido de defesa.

— E faz isso muito mal. Charlotte tem medo de você, pensa que não vi quando ela se afastou. E Timothy nem sequer faz questão de sua presença. Aparentemente, aquilo que veio com você está tendo mais deles.

— Você também nunca facilitou a minha aproximação.

— Eles choravam todas as vezes que você os levava.

— Você podia ter ajudado mais.

— Não podia, Stephen. E outra, se essa coisa continuar com você, aí que não verá mais eles.

— Ela tem nome, e um muito bonito por sinal, então pare de se referir a ela dessa forma. Não cabe a você decidir isso, eles ficaram com você, mas a guarda é compartilhada, eu posso vê-los na hora que eu quiser.

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