Capítulo 11

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Passos ansiosos seguiam sobre as pedras de paralelepípedos, que se encontravam escorregadias por conta da chuva fina que se instalou naquele final de tarde.

Os sapatos Oxford marrons já começavam a dar indícios de que ficariam encharcados caso não chegasse até o seu destino em breve. Os seus pés já deviam estar acomodados fora daqueles sapatos elegantes – o dono deles tinha uma vasta coleção desse modelo em diversas cores –, talvez sentindo o piso frio da madeira, ou mesmo a maciez dos lençóis, ou melhor, o que ele ansiava; o calor quente do corpo da garota brasileira.

Achou graça quando certa vez ela lhe disse que gostava dos seus pés, que eram bonitos. Stephen nunca tinha reparado naquela parte do seu corpo até então. Manoela lhe beijou na planta dos pés e no seu dorso. A princípio, aquele gesto lhe incomodou, achou estranho, e logo foi substituído por sensações prazerosas, ao mesmo tempo em que lhe causava cócegas. A língua dela brincava com os seus dedos e ondas de relaxamento misturada com excitação tomaram conta do seu corpo. Aquilo que ela fazia era bom, tudo que Manoela fazia com ele era deveras gostoso. E agora, apenas por se lembrar de tais detalhes sentia-se novamente excitado.

Respirou fundo antes de afastar a porta de vidro de uma loja de bebida próxima ao apartamento de Manoela, queria lhe levar um agrado.

O sino tocou sobre os seus cabelos úmidos pela chuva e por conta do seu esquecimento daquele assessório tão necessário em seu país: o guarda-chuva. O dono do estabelecimento lhe lançou um olhar sobre os óculos, e voltou a sua atenção para o jornal estendido sobre o balcão. Stephen arrumou os óculos em seu rosto um pouco avermelhado pelo esforço de andar. Errou em seus cálculos e o táxi lhe deixou alguns quarteirões do seu destino. Esteve no apartamento de Manoela apenas aquela vez e depois daquilo, a sua casa seria a morada dos amantes. Gostava mais de ficar por lá, muito mais cômodo, e Stephen é isso, um comodista.

Seguiu rumo ao final daquele estabelecimento estreito e lá viu o que buscava; as garrafas de vinhos. Queria um pinot noir, não sabia muito do gosto dela por vinhos e o que ela consumiu em sua casa havia sido um assim, e a garota bebeu com afinco.

Decidido. Seria um pinot noir – e não um de sua marca favorita.

De volta à rua, ainda protegido pelos toldos dos estabelecimentos, seguiu o trajeto. Lembrou que estava perto quando passou pela pizzaria do outro lado da rua, e assim, avistou em meio as curvas daquele caminho sinuoso o casarão de quatro andares, contando com o sótão, de Manoela.

Uma construção muito antiga como tudo naquele centro. Porém, estava muito bem conservada. As grades das janelas pintadas na cor branca contrastavam com o cinza escuro das pedras de sua fachada. Stephen não era muito bom em identificar esses tipos de materiais, mas a construção datava das histórias que tanto apreciava. Eram assim na sua maioria, porém, o interior desses casarões já tinham sido todos adaptados para os anos de evolução e progresso. E isso deixava o professor um pouco ressentido, e novamente aquela vontade de ter nascido em outro século lhe sucumbiu ao ponto de não perceber que a porta enegrecida abriu a sua frente e por ela uma senhora muito velha o encarava.

— Boa noite! — a senhora de cabelos brancos lhe saudou. — Veio atrás da jovem Manoela presumo.

— Boa noite... — saindo do transe em que se encontrava e segurando com mais força a garrafa de vinho, Stephen sentiu-se constrangido por aquela mulher. — Sim... Ela está me esperando.

— Eu sei! Entre, por favor! Saia dessa chuva. Vais pegar um resfriado!

A senhora que lhe deu passagem era a dona daquele casarão. A Sra. Smith havia herdado do marido já falecido. Essa construção pertencia aos Smith daquela região desde o começo, e assim foi passado de gerações em gerações. A velha sentia que seria a última dona, pois, após a sua morte, os seus filhos possivelmente a venderiam ao primeiro comprador que aparecesse. Rapazes sem corações, sem laços, era assim que a senhora se sentia a respeito dos seus dois e ausentes filhos.

O Professor [Completo]Leia esta história GRATUITAMENTE!