''Diversos tipos de pessoas habitam essa terra, diversos tipos de jardins rondam o mundo. Jardins belos, floridos e alegres sempre bem cuidados que sobrevivem a épocas sombrias como o inverno. Outros esquecidos pelo tempo ou por seus donos, que já nem devem ser chamados de jardins pelo seus estados. Folhas secas que com apenas uma leve brisa são levadas e terminam de devastar aquilo que um dia foi um belo local para borboletas. Eu tenho em mente que eu seja esse jardim destruído e esquecido, onde as ervas daninhas tomaram de conta, onde o vento fez questão de levar os restos que ainda me sobravam.''
Todos naquele circulo olhavam para mim, e as expressões sedentas para ouvir minha historia me dava ânsia. Eu ainda não sabia por que eu frequentava terapia em grupo e muito menos por que eu tinha que repetir minha historia sempre que uma pessoa nova entrava para o grupo, mas não tinha nada de interessante a se saber sobre mim, a não ser se alguém ali gostasse de tragédia, então eu seria um ótimo entretenimento.
– Quando minha mãe morreu de câncer de pulmão eu tinha 15 anos e lidar com a morte dela na época foi difícil – e ainda é por isso estou aqui, eu pensei, mas eles não precisavam saber dessa parte. – Meu pai não suportou o fato de ter perdido sua esposa, que para ele a tinha perdido desde quando ela foi diagnosticada, então a sua morte só o incentivou a.. – As caras de espantos e apreensão na sala começaram a se formar - não ele não se matou –O alivio foi mutuo - apenas arranjou outra capaz de suprir seus desejos sexuais e fugiu deixando apenas um bilhete com o ''eu amo vocês'' mais falso que eu já havia lido. Eu e meus irmãos fomos morar com nosso avós. Hoje eu moro sozinha e sobrevivo tirando fotos de casais e as vezes faço alguns trabalhos para o jornal local. Meu nome é Lauren Jauregui, e acho que isso é tudo que vocês precisam saber.
Frequentar terapia em grupo era a maneira que eu havia encontrado para manter contato com humanos que não fosse para algum destino profissional, por mais que tentasse negar esse era o real motivo. Eu morava em um pequeno apartamento no subúrbio onde eu quase cheguei a me familiarizar com o estilo de vida dos moveis velhos que eu havia comprado por um bom preço. Minha vida se resumia a trabalho, por que ainda era a coisa que eu mais amava fazer. Desde pequena eu amava tirar fotos, e quando ganhei a minha primeira câmera eu fiz minha mãe se questionar se realmente tinha sido uma boa ideia. Eu trocava as refeições e dever da escola por fotos, e isso me deu um grande álbum que eu guardava desde os meus 10 anos quando eu revelei minhas primeiras fotos. Fotos da minha mãe, de plantas, do meu antigo cachorro, dos meus avôs e dos meus irmãos preenchiam aquilo e me inundava de emoções e de uma boa dose de nostalgia. Dose era disso que eu precisava.
Levantei e abri a velha instante com portas de vidros, ainda tenha um pouco do whisky na garrafa. A levei até minha boca e o liquido desceu queimando a minha garganta. Meu bom e velho gosto por coisas destrutíveis. Era impressionante como tudo me remetia a coisas que não me faziam bem, pensar em algo destrutível era pensar em tudo que eu já havia vivido. Se eu fosse naqueles programas de variedades e alguém me mandasse resumir minha vida em uma palavra eu iria me perder pensando em qual sinônimo de destrutível eu falaria pra não amedrontar os telespectadores e os fazer achar que eu era louca ou uma espécie de sádica.
A tela do meu computador acendeu com uma notificação de novo e-mail. Distração. Eu chequei minha caixa de entrada e era um e-mail do Michael o chefe do jornal que as vezes me contratava para fotos de acidentes ou coisas que deixassem pessoas normais enjoadas. Felizmente a única coisa que me deixava enojada era meu outro trabalho que no caso eu tirava fotos de casais, casais recém formados que com alguns meses estariam pensando na que merda tinham feito com suas vidas quando aceitaram aquele pedido de namoro.
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FLOWER
RomanceAlguns jardins não resistem as mudanças de tempo. Algo duro e sombrio como o inverno é o suficiente para devastar a beleza e dar lugar as ervas daninhas e ao esquecimento. Lauren sabia o que ela era, o que a falta de cuidados contínuos a havia torna...
