CAPÍTULO XVI

100 18 0
                                        

Ela estava em silêncio, como se não houvesse entendido o que eu estava dizendo. Mais uma vez, fiquei com aquela sensação de que eu deveria conhecê-la.

- Sam, não tem graça. - ela disse, recusando-se a acreditar. - Eu sei que você está com raiva de mim, mas fingir que me esqueceu não é a melhor forma de resolver isso.

- Não estou fingindo. - agora eu estava aflito. Será que eu realmente havia esquecido dela? - Eu não lembro de você. Desculpe.

- De nada? - ela perguntou. Estava chorando e isso me fez sentir realmente culpado. - O nosso primeiro beijo? Quando você me pediu em namoro? Quando rompemos? Quando nos reencontramos há três dias em uma boate e eu o convidei para jantar na minha casa? Quando discutimos ontem?

- Não lembro de nada. - ah, cara! Eu era namorado dessa garota. E agora eu esqueci quem ela era. Não havia nada sobre ela na minha memória.

- Nós estávamos tentando nos entender, Sam. - ela disse, tristemente. - Você não lembra disso? - ela olhou para mim. - Não. Você não lembra. - ela fechou os olhos novamente. - A pessoa mais importante da minha vida me deletou da memória dela.

O que era isso que eu estava sentindo? Um arrepio na minha espinha quando ela chegava perto.

- Desculpe. Eu realmente queria lembrar de você, mas eu não consigo. - eu disse. Eu estava aterrorizado. Essa garota deve ter sido parte importante da minha vida.

Ficamos em silêncio por alguns instantes.

- Sam, o que você lembra de antes do acidente? - ela perguntou, tristemente.

- Eu lembro que fui jantar no apartamento da Virgínia, mas são apenas fleshes. - eu respondi. Realmente lembrei disso. Depois, alguns detalhes do acidente.

- Tudo bem. - ela balançou a cabeça. - Eu... eu acho que vou deixá-lo descansar agora. Desculpe incomodá-lo.

Eu não sei o que aconteceu, mas, antes que ela saísse, eu segurei a sua mão. Eu me senti culpado por ela ser a única pessoa de quem eu não lembrava.

- Desculpe. - eu disse. - De verdade.

Ela soltou a minha mão e saiu. Pude ver a dor nos seus olhos. Como eu poderia esquecer alguém como ela. Meu coração estava em pedaços.

Vinte minutos depois, o dr. Alencar veio me ver.

- Ei, Samuel. - ele disse. - Você está um pouco melhor?

- Bem, estou vivo. - eu respondi.

- É. Você teve sorte. Ainda mais que dirigia sem cinto de segurança.

- O que foi uma burrice de minha parte, eu sei. - eu suspirei. - Mas eu estava com tanta raiva.

- Raiva? De quem? - o dr. Alencar perguntou, subitamente interessado. - O que houve antes do acidente?

- Eu não lembro de quem eu estava com raiva. - respondi. - Eu só lembro que eu estava no apartamento da Virgínia e, quando saí de lá, estava com raiva. E depois veio o acidente.

- Ah, tudo bem. - o dr. Alencar disse. - Não se esforce muito. Tente descansar. E saiba que você está se recuperando bem. Mais tarde eu volto para ver como você se sente, tudo bem?

A Garota Que Você EsqueceuWhere stories live. Discover now