Janeiro de 2019 - Seul, Coreia do Sul
Ayla sempre acreditou que algumas decisões mudavam uma pessoa antes mesmo de acontecerem.
A decisão de deixar o Brasil foi assim.
Não aconteceu de uma hora para outra. Não foi uma fuga. Não foi uma escolha feita por impulso.
Foi algo que cresceu dentro dela aos poucos.
Aos 20 anos, Ayla sentia que precisava descobrir quem era longe de tudo que conhecia.
Depois que sua mãe faleceu, ela herdou uma pequena quantia de dinheiro que havia sido guardada durante anos. Não era o suficiente para viver sem preocupações, muito menos para nunca mais precisar trabalhar.
Mas era o suficiente para tentar.
O suficiente para começar.
Sua mãe sempre teve uma ligação especial com a Coreia.
A família dela carregava uma história que atravessava oceanos. O bisavô de sua mãe havia nascido na Coreia e, muitos anos antes, deixado seu país para construir uma vida no Brasil.
Com o passar das gerações, muita coisa mudou.
A família se tornou brasileira.
Mas algumas histórias permaneceram.
Receitas antigas.
Alguns costumes.
Fotos guardadas.
E as histórias que sua mãe contava sobre um país que ela nunca tinha conseguido conhecer novamente.
Ayla cresceu ouvindo sobre a Coreia.
Sobre as paisagens.
Sobre a cultura.
Sobre como um lugar tão distante podia carregar tantas histórias.
Talvez por isso, quando começou a pensar em um novo começo, aquele país pareceu uma escolha natural.
Não porque ela achava que seria fácil.
Mas porque sentia que precisava conhecer uma parte da história que também fazia parte dela.
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Quando o avião pousou no Aeroporto Internacional de Incheon, Ayla ficou alguns segundos parada olhando pela janela.
Era real.
Ela estava na Coreia do Sul.
O país que durante anos existiu apenas em pesquisas na internet, vídeos e histórias da mãe agora estava diante dela.
Ela respirou fundo antes de pegar sua mala.
O medo estava ali.
Mas a animação também.
Os primeiros dias foram mais difíceis do que ela imaginava.
Seul era enorme.
Muito maior do que qualquer lugar onde ela já tinha vivido.
As pessoas caminhavam rápido.
As placas pareciam impossíveis de entender.
O idioma era uma barreira maior do que ela esperava.
Mesmo tendo estudado algumas coisas antes de viajar, uma coisa era aprender palavras em casa.
Outra era tentar usá-las no meio de uma cidade onde todos pareciam falar rápido demais.
Mas Ayla não desistiu.
Ela sabia que teria dificuldades.
Só não esperava que cada pequena conquista fosse parecer uma vitória.
Aprender o caminho até o mercado.
Conseguir pedir comida sem usar o tradutor.
Entender uma frase simples.
Cada coisa fazia ela sentir que estava, aos poucos, criando uma vida ali.
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No final de janeiro, ela conseguiu alugar um pequeno apartamento.
Não era grande.
Não tinha uma vista incrível.
Não parecia aqueles lugares perfeitos que apareciam nos dramas coreanos.
Mas era dela.
Um pequeno espaço onde ela poderia começar novamente.
Nas semanas seguintes, encontrou um trabalho em uma cafeteria no centro de Seul.
Também começou a procurar uma escola de coreano.
Ela sabia que, se realmente queria viver naquele país, precisava aprender a língua.
O inglês ajudava.
Mas ela queria conseguir conversar.
Entender.
Fazer parte.
Em uma noite fria de fevereiro, Ayla chegou em casa depois do trabalho, colocou uma música baixa para tocar e preparou um chá.
Sentou perto da janela e observou as luzes da cidade.
Por um momento, sentiu saudade.
Do Brasil.
Das pessoas que deixou.
Dos lugares conhecidos.
Mas junto com a saudade veio uma sensação diferente.
Paz.
Pela primeira vez em muito tempo, ela sentia que estava exatamente onde deveria estar.
Pegou o celular e abriu uma foto antiga da mãe.
Sorriu.
- Eu consegui chegar até aqui.
Não sabia o que os próximos meses trariam.
Não sabia quais pessoas encontraria.
Não sabia que aquela cidade ainda guardava encontros que mudariam completamente sua vida.
Naquele momento, Ayla só sabia de uma coisa:
Ela tinha começado de novo.
E, pela primeira vez, isso não parecia assustador.
Parecia uma oportunidade.
BINABASA MO ANG
além dos palcos
FanfictionAos 20 anos, Ayla Martin deixa o Brasil para trás em busca de um novo começo na Coreia do Sul. Longe de casa, em uma cidade onde tudo parece desconhecido, ela nunca imaginaria que uma simples visita a um museu mudaria completamente o rumo da sua vid...
