Valarr Targaryen

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Seu pai, Lorde Donnel Arryn, governante do Ninho da Águia e protetor do Vale, fora convocado para servir como estrategista de guerra do Rei Daeron em Porto Real, quando você tinha apenas nove anos de idade.

A contragosto, seu pai concordou com uma condição: que você e sua irmã, Alys, o acompanhassem até a Fortaleza Vermelha e aprendessem os costumes da corte e do governo, já que ele não tinha filhos para sucedê-lo quando morresse.

O rei Daeron aceitou o pedido de seu pai e prometeu que vocês dois seriam criados junto com seus netos, os príncipes reais Daeron, Aerion, Aemon, Aegon, Matarys e Valarr. E assim, seu tio assumiu a regência do Vale no lugar de seu pai, enquanto vocês encontravam seu novo lar na Fortaleza Vermelha.

Você se lembrava do primeiro dia na Capital como se fosse ontem; em suas mãos, segurava uma pequena boneca de pano, um presente de despedida de sua mãe, enquanto olhava pela janela da carruagem em direção ao imponente castelo de Porto Real.

O sol já havia se posto atrás do porto, incendiando as muralhas da Fortaleza Vermelha com um tom carmesim, e suas grandes torres e baluartes projetavam longas sombras negras sobre a cidade como braços opressores.

Você tinha ouvido histórias sobre o palácio; como se comentava que havia passagens secretas onde se podia perder e nunca mais encontrar a luz do dia, e que na escuridão dos confins do castelo, jazia uma sala repleta de mandíbulas e crânios de monstros terríveis.

A boneca caiu de suas mãos, formando um monte amassado, enquanto você se aconchegava ao lado de seu pai, seus bracinhos o envolvendo pela cintura, tentando se esconder da fortaleza que se aproximava. Seus olhos se fecharam com força, desejando estar de volta em casa, tentando imaginar as montanhas ondulantes que cercavam o Ninho da Águia, as cachoeiras que despencavam como torrentes prateadas pelas grandes rochas esculpidas em forma de falcão e o imenso céu púrpura que brilhava com a luz de milhões de estrelas.

Mas tudo o que você conseguia ver eram as sombras da Fortaleza Vermelha, estendendo-se para te alcançar.

Ao contrário de você, sua irmã estava encostada na janela, os cabelos brilhando à luz do entardecer enquanto ela sorria para o castelo. Alys era três anos mais velha que você; seu décimo segundo aniversário havia passado apenas alguns dias antes. Seu sorriso vacilou quando viu você encolhida ao lado de seu pai, e seu nariz se enrugou.

— Pare de chorar — ela sussurrou, seus dedos finos pegando a boneca de pano caída do chão antes de colocá-la no seu colo. — Você vai amassar o vestido se continuar se curvando assim!

— Eu não ligo para o meu vestido idiota! — Você fungou, agarrando a boneca mais uma vez. — Eu quero ir para casa!

— Você sempre tem que estragar tudo, não é? — Alys puxou seus vestidos de seda azul, ajeitando o tecido. — Esta é a nossa casa agora. Vamos morar com os Príncipes, como naqueles contos de fadas que a velha Septã nos contava – agora pare de reclamar e se arrume!

9 anos depois

— S/n? Chegamos. — A voz suave de sua criada, Elia, uma garota dornesa que fora designada a você quando chegou a Porto Real pelo Rei Daeron, despertou-a de seu sono inquieto. Apesar de ser sua criada, Elia havia se tornado, ao longo dos anos, uma de suas amigas mais próximas.

Ela era apenas dois anos mais velha que você, com cabelos negros e brilhantes, pele morena e olhos bondosos. Em particular, nenhuma de vocês usava formalidades e preferiam fofocar sobre as últimas notícias da Fortaleza Vermelha. Como criada, ela ouvia rumores e notícias que, de outra forma, não chegariam aos seus ouvidos, e vocês duas passaram muitas noites cochichando e rindo até altas horas da madrugada.

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