Capítulo 29

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JUNGKOOK


A primeira sensação que surge em mim quando pisco e abro os olhos é um alívio esmagador.

Nem a queimação no pescoço, nem a sensação de areia no fundo da garganta.

Enquanto olho para o teto e para os quatro buracos por onde a luz brilha sobre mim e ouço o apito das máquinas, meus olhos ardem com a sensação de alívio que me inunda.

Quando deitei em meu sangue e vi Jimin gritar meu nome e me implorar para não deixá-lo, me arrependi de tudo. Queria ficar, pensar que poderia ter um futuro, afinal.

Mas era tarde demais.

A tinta me submergiu e eu não aguentava ser visto daquele jeito por ele.

Eu não teria sido capaz de viver com isso.

Então eu fiz a única coisa que poderia acabar com tudo.

Mas não acabou.

O segundo sentimento surge com a voz de mamãe.

- Jun...?

Culpa. Isso é o que está gravado em seu rosto geralmente radiante, seus olhos injetados, seus lábios inchados. A culpa que ela projeta em ondas bate contra a minha até que não consigo respirar.

- Filho? - Papai está do meu outro lado. - Você voltou, oh, obrigado, porra.

Ele chega acima da minha cabeça para empurrar alguma coisa.

Falha. É assim que papai se parece. Ele sente uma sensação de fracasso. Como fiz por quase uma década.

- Jun? - O som quebrado pertence a Glyn.

Ela está chorando, riachos de lágrimas escorrendo por suas bochechas rosadas. Seus sentimentos de tristeza se misturam com a miríade de emoções que ondulam através de mim até eu engasgar.

O que eu fiz?

- Querido, você pode nos ouvir? - Mamãe pergunta.

- Sim... - Minha voz está grogue e embargada enquanto tento me sentar.

Os três me ajudam com cuidado, como se eu fosse quebrar se me tocassem do jeito errado. E eu odeio tê-los feito passar por isso. Eu odeio ser a razão pela qual pessoas importantes para mim estão lutando.

Eu os esmaguei sozinho porque não conseguia ser forte o suficiente. Os médicos vêm me ver e fazer algumas perguntas. O tempo todo, mamãe segura minha mão direita e Glyn a esquerda. Papai observa de lado, parecendo dez anos mais velho do que sua idade real.

Que porra eu fiz?

Assim que os médicos saem da sala, olho para trás, em busca da presença que mais preciso comigo agora.

Mas não vejo um homem grande e tatuado.

Você espera que ele tenha ficado depois que você mostrou o quanto você é um idiota?

Mamãe aperta minha mão.

- Sinto muito, querido. Eu sinto muito. - Eu olho entre ela e papai.

- O que... Por que você está arrependido? Sou eu quem deveria estar arrependido.

- Jun, não. - Meu pai balança a cabeça, a dor irrompendo em suas feições exaustas. - Não há nada pelo que você deva se desculpar. Absolutamente nada, você me ouviu? Somos nós que precisamos nos desculpar por decepcioná-lo.

King of Ruin | JikookHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora