Um - Alice

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Existem alguns momentos em nossa vida em que paramos e nos perguntamos: O que diabos eu estou fazendo aqui?

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Existem alguns momentos em nossa vida em que paramos e nos perguntamos: O que diabos eu estou fazendo aqui?

Estar no ensaio do meu próprio casamento com o príncipe Quentin Augustini era um desses momentos. Não que eu estivesse reclamando, não exatamente. Mas meu plano de vida não incluía me casar aos dezenove anos, mesmo que fosse com o representante mais... ajeitadinho da realeza.

Tudo bem, ajeitadinho talvez fosse cruel da minha parte. Quentin era exatamente o que alguém esperaria de um príncipe no auge de seus vinte anos: bonito, atlético, pele branca de quem nunca sai ao sol, cabelos louros bem aparados e brilhantes olhos azuis. Tudo muito monocromático se vocês querem saber a minha opinião, mas aparentemente era um padrão de beleza muito bem aceitável em Tão Tão Distante.

- Alice, querida?

Sacudi a cabeça quase imperceptivelmente, porque qualquer coisa diferente disso seria considerado desrespeitoso, uma falta de educação e toda essa baboseira sem fim. Levantei os olhos e percebi que minha mãe me encarava com preocupação.

- Me desculpe. – disse, embora não achasse que tinha feito algo de errado. Nós estávamos sentadas no banco de mármore da igreja onde seria o casamento dali alguns dias. Era fim de tarde e os raios fracos do sol entravam pelas vidraças coloridas, pintando cores no chão e deixando a poeira visível. – Acho que estou meio cansada.

Ele se se aproximou mais de mim no banco e colocou a mão sobre a minha em uma tentativa de ser maternal.

- Você sabe como isso é importante, não sabe? Seria bom se você pudesse se esforçar só um pouquinho para que a cerimônia seja inesquecível. Seu pai mexeu os pauzinhos dele, mas você precisa colaborar.

É.

Meu pai, o grande – ou agora nem tão grande assim – Rei Louis via em mim uma última tentativa de revitalizar nosso reino, Era Uma Vez, me casando com Quentin, príncipe do reino mais cobiçado de todas as terras encantadas. Sem nem me consultar antes.

- Sim, eu sei. – respondi sem emoção, tentando deixar bem claro que não gostava nem um pouco da ideia. A questão era que viver em um palácio (mesmo decadente) e ter de seguir regras e ficar presa aos desejos do meu pai... Bom, não era o que eu queria. Preferia ser pobre, mas ser livre. Eu queria poder escolher minhas próprias roupas, minha própria comida, meus próprios amigos e, principalmente, meu próprio marido. Sempre achei que nosso destino, por mais grandioso que fosse, sempre era feito da soma das nossas pequenas escolhas.

Minha mãe colocou uma mecha do meu cabelo impecavelmente encaracolado atrás da orelha e sorriu.

- Acho que já ensaiamos demais por hoje, você não? Vou pedir para que os criados preparem seu banho para que você se apronte para o jantar. Ouvi dizer que o Príncipe Quentin está ansioso para te ver de novo.

Sim, esse era mais um pequeno detalhe. Tinha conhecido meu futuro marido há apenas três dias, uma semana antes do casamento. Só não fiz um escândalo maior porque, como disse, Quentin era bonito. Quer dizer, podia ser muito pior. Muito pior mesmo. Uma das minhas amigas, por exemplo, tinha sido obrigada a se casar com um marquês gordo e velho e, embora essa minha união indesejada fosse se tornar um inferno, era um inferno com um garoto da minha idade. Tinha vontade de vomitar só de pensar naquele marquês.

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