Ela estava em silêncio, como se não houvesse entendido o que eu estava dizendo. Mais uma vez, fiquei com aquela sensação de que eu deveria conhecê-la.
- Sam, não tem graça. - ela disse, recusando-se a acreditar. - Eu sei que você está com raiva de mim, mas fingir que me esqueceu não é a melhor forma de resolver isso.
- Não estou fingindo. - agora eu estava aflito. Será que eu realmente havia esquecido dela? - Eu não lembro de você. Desculpe.
- De nada? - ela perguntou. Estava chorando e isso me fez sentir realmente culpado. - O nosso primeiro beijo? Quando você me pediu em namoro? Quando rompemos? Quando nos reencontramos há três dias em uma boate e eu o convidei para jantar na minha casa? Quando discutimos ontem?
- Não lembro de nada. - ah, cara! Eu era namorado dessa garota. E agora eu esqueci quem ela era. Não havia nada sobre ela na minha memória.
- Nós estávamos tentando nos entender, Sam. - ela disse, tristemente. - Você não lembra disso? - ela olhou para mim. - Não. Você não lembra. - ela fechou os olhos novamente. - A pessoa mais importante da minha vida me deletou da memória dela.
O que era isso que eu estava sentindo? Um arrepio na minha espinha quando ela chegava perto.
- Desculpe. Eu realmente queria lembrar de você, mas eu não consigo. - eu disse. Eu estava aterrorizado. Essa garota deve ter sido parte importante da minha vida.
Ficamos em silêncio por alguns instantes.
- Sam, o que você lembra de antes do acidente? - ela perguntou, tristemente.
- Eu lembro que fui jantar no apartamento da Virgínia, mas são apenas fleshes. - eu respondi. Realmente lembrei disso. Depois, alguns detalhes do acidente.
- Tudo bem. - ela balançou a cabeça. - Eu... eu acho que vou deixá-lo descansar agora. Desculpe incomodá-lo.
Eu não sei o que aconteceu, mas, antes que ela saísse, eu segurei a sua mão. Eu me senti culpado por ela ser a única pessoa de quem eu não lembrava.
- Desculpe. - eu disse. - De verdade.
Ela soltou a minha mão e saiu. Pude ver a dor nos seus olhos. Como eu poderia esquecer alguém como ela. Meu coração estava em pedaços.
Vinte minutos depois, o dr. Alencar veio me ver.
- Ei, Samuel. - ele disse. - Você está um pouco melhor?
- Bem, estou vivo. - eu respondi.
- É. Você teve sorte. Ainda mais que dirigia sem cinto de segurança.
- O que foi uma burrice de minha parte, eu sei. - eu suspirei. - Mas eu estava com tanta raiva.
- Raiva? De quem? - o dr. Alencar perguntou, subitamente interessado. - O que houve antes do acidente?
- Eu não lembro de quem eu estava com raiva. - respondi. - Eu só lembro que eu estava no apartamento da Virgínia e, quando saí de lá, estava com raiva. E depois veio o acidente.
- Ah, tudo bem. - o dr. Alencar disse. - Não se esforce muito. Tente descansar. E saiba que você está se recuperando bem. Mais tarde eu volto para ver como você se sente, tudo bem?
- Está bem. - eu disse. - Obrigado, doutor.
Então ele saiu.
☆☆☆
Poucos minutos depois, Virgínia e Sandra entraram novamente no quarto.
- Ei. Voltamos. - Sandra disse.
- Ei. Aconteceu alguma coisa? - eu perguntei.
- Hum. Não. - Virgínia respondeu. - Nós só queríamos saber se você está bem.
- Vocês souberam da garota, não foi? - perguntei com um suspiro.
- Er, sim. - Virgínia respondeu.
- Mas só viemos para saber como você está reagindo. - Sandra disse.
Eu pensei um pouco antes de falar alguma coisa, mas não aguentei. Eu tinha que perguntar. Eu tinha que saber.
- Bem, eu tenho que ir. - Sandra disse. - Você vem comigo, Virgínia?
- Não. Eu vou mais tarde, não se preocupe. - Virgínia respondeu.
- Hum... tudo bem, então. - Sandra olhou para Virgínia de forma desconfiada. - Até mais, Samuel.
- Até mais e obrigado pela visita. - então ela saiu. Fiquei um pouco desconfortável com a Virgínia, mas decidi que perguntaria. - Então, Virgínia, você conhece a garota que já foi minha namorada mas eu não lembro? A garota que eu esqueci?
Ok. Ela me olhou como se quisesse me matar. E, sendo a Virgínia, eu não duvidava que ela fosse capaz. Depois, a fúria assassina em seus olhos abrandou e ela respirou fundo, soltando o ar pela boca.
- Sim, eu a conheço. - ela respondeu.
- E você sabe se ela está bem? - perguntei, curioso. Eu me vi preocupado com ela.
- Não. Ela não está bem. Aurora ainda sofre, mas ela está tentando seguir em frente. - ela respondeu.
- Então esse é o nome dela? Aurora? - sorri. Um nome lindo para uma garota linda. - Um belo nome.
- Sim. A minha família gosta de nomes, hã, fora do convencional. - ela comentou.
- Sua família? - eu perguntei, surpreso.
- Aurora é minha prima. - ela respondeu. - Uma garota que faria qualquer garoto feliz.
- Eu queria poder ser esse garoto. - eu disse.
- Sabe, ela é uma garota bem forte, mas às vezes não suporta algumas situações.
Eu entendi o que ela queria dizer.
- Sei... situações como o garoto por quem ela é apaixonada não lembrar dela. - eu ofereci.
- Desculpa, você não entende. Você não é o garoto por quem ela é apaixonada. - Virgínia falou. - Você é o garoto que ela ama. Ela está sofrendo de verdade, Sam. Descupa se isso não te faz bem de qualquer forma, mas lembrar de mim e esquecer dela foi uma grande brincadeira de mau gosto do seu cérebro.
- Tudo bem. Eu entendo o seu ponto. - eu disse. - Obrigado pela sinceridade.
- Bem, está tarde. - Virgínia disse. - Eu já vou. Tenho que consolar a minha prima... Hum, realmente não é algo inteligente para se dizer para você. Até mais. Fica bem.
Então ela saiu, me dando todas aquelas informações sobre alguém que eu deveria conhecer, que eu deveria amar, mas simplesmente não conseguia. Era como se houvesse uma grande névoa no meu cérebro, encobrindo tudo o que estava relacionado à ela.
Aurora.
Um nome era tudo o que eu tinha agora. Um nome que não me era familiar, mas me causava um arrepio na espinha.
Senti o peso de tanta informação. Fechei os olhos e dormi.
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¡Hola, chicos y chicas! Voltei! u.u
Então, espero que tenham gostado do capítulo! E desculpem-me. Não consegui cumprir o combinado de dois capítulos por semana. Essa semana foi um pouco corrida, maaaaas, aqui estou. Espero comentários e estrelinhas! O Sam, mesmo sem memória, agradece! ^.^
¡Hasta luego!