{4 de abril de 2019, 22:40}
— Não me diga que vai sair nesse horário. — Sra. Kim falou enquanto observava seu filho tentar sair de casa na ponta dos pés.
O garoto virou-se devagar em direção a sua mãe, encontrando-a apoiada no balcão da cozinha, com uma das sobrancelhas arqueadas.
— Por favor me deixa ir, nem está tão tarde. — Yugyeom suplicou, juntando suas mãos em sinal de prece.
— Ir aonde? E com quem?
— No boliche, com meus amigos. Um deles conseguiu entrar para um programa de sobrevivência entre trainees em Seul e queremos comemorar.
Num suspiro, a mais velha apenas balançou uma das mãos em direção à porta, assentindo a saída do outro, que instantaneamente sorriu de orelha a orelha e partiu em disparada.
{5 de Abril de 2019, 00:03}
— Já ta tarde, eu tenho mesmo que ir. — explicou o Kim quando os meninos presentes tentaram convencê-lo a ficar.
— Você é muito sem graça cara. — algum dos garotos comentou.
— Eu não, minha mãe. E, no dia que você ver como ela reage quando eu chego atrasado, vai poder falar alguma coisa. Mas, por enquanto, fica quietinho ai.
O mais alto saiu apressado do estabelecimento, logo após dar um tapinha na cabeça de seu amigo e se despedir dos outros. Ao sentir a brisa gélida em sua pele, escondeu suas mãos dentro da jaqueta que usava. Aquela noite não deveria estar fria, já estava no meio da primavera, as temperaturas normalmente eram amenas.
Andou observando as casas pelas quais passava, todas as luzes se encontravam apagadas e nenhum barulho sequer era ouvido. O garoto se sentia dentro de um sonho, onde apenas ele sabia a existência do exterior. Não pode evitar que um sorriso bobo se formasse em seu rosto, aqueles momentos de pura paz eram os favoritos de Yugyeom. Respirou fundo, sentindo o ar frio invadir seus pulmões e expirou-o na forma de calor, tal sensação só se conhece quando feita, e ele adorava senti-la.
Sua atenção se desviou quando o barulho de uma lata de lixo sendo derrubada atingiu seus tímpanos. Ele se virou para onde o som parecia ter vindo e esticou o pescoço, numa tentativa falha, de enxergar o que poderia ter causado seu susto.
— Aish! Vai assustar o cão. — praguejou o mesmo enquanto iniciava uma rápida caminhada na direção oposta. Olhava para trás de segundo em segundo, o medo irracional de que algo poderia atacá-lo tomando seus pensamentos.
Sem nem perceber, já se encontrava correndo pelo caminho que sempre fazia até sua casa. Esquerda, reto, direita, reto, reto, esquerda e finalmente estaria em frente ao número cinco que tanto adorava. Havia pintado-o na caixa de correio junto com seu pai, cerca de 6 anos atrás.
Ofegante, virava a última curva de seu percurso, quase avistando a placa que indicava uma lombada, logo ao lado da garagem de sua casa. Desacelerou o passo e parou de virar-se em busca de algo que o assustaria. Finalmente estava seguro.
Bom, foi certamente o que lhe passou pela cabeça antes de parar bruscamente com a visão de uma silhueta feminina andando em sua direção.
— Meu deus, você me assustou. — disse rindo nervosamente enquanto observava a sombra se aproximar.
— Olá? Pode me ouvir?— já estava confuso, ele não tinha falado alto o suficiente?
— Moça? — o menino perguntou ao ver que o ritmo dos passos da garota havia aumentado, quase correndo em sua direção. Antes que tivesse tempo de pensar, partiu correndo de volta à curva que acabara de fazer, seu coração estava acelerado e ele temia por sua vida – pode parecer precipitado mas, quando alguém não responde e passa a te perseguir, o medo falava por si mesmo.
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Blood Garden | Kim yugyeom
RomanceKang Hayun sempre fora apaixonada por plantas. Costumava até relacionar pessoas conhecidas a flores. Considerava-se um asfódelo, flor que, na mitologia grega, cobria o local do mundo inferior onde as almas nem más nem boas descansavam. Era assim qu...
