Prólogo

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Outra vez, estou acordada às 4 da manhã ,tentando entender porque ainda estou aqui. Tiro todos os livros da estante buscando encontrar uma visão que me agrade e mudando a organização, por autor, cores, editoras... Tiro tudo de novo e recomeço pela quarta vez, porque como a minha estante é o meu coração agora, bagunçado e por mais que eu tente arruma-lo parece que não está da forma que deveria.


Minha mente é uma confusão, esquecimento, dor e perda, não que eu tenha perdido alguém que ame, mas perda de partes de mim, ou talvez não estejam totalmente perdidas, só não sei como as encaixar de novo, como me lembrar de quem eu sou.


Saio do quarto e vou para a área da casa, andando na ponta dos pés para não acordar meus pais e me sento na velha e confortável poltrona azul, devia ter buscado algo para tomar -penso - Agora não pretendo abrir a porta outra vez e correr o risco de fazer muito barulho.


Tento focar, em quem eu sou, me lembrar do que tenho esquecido com maior frequência nos últimos dias . - Sou Yara, tenho 17 anos, amo animais, principalmente gatinhos, amo literatura, sou amada, tenho amigos, vou passar na melhor faculdade porque... - Paro na mesma hora em que esse pensamento vem.


Como posso ser tão estúpida ao ponto de querer convencer a mim mesma , com minhas mentiras , sou uma dissimulada, bem que meu pai me disse até poucas horas atrás , finjo o tempo todo, ter uma vida normal, ser uma garota feliz, com uma família feliz e que tudo está bem.


Ouço o toque do telefone e corro o mais rápido que posso para desliga-lo, contudo ao olhar para tela vejo que terei que atender, Samantha não ligaria se não fosse algo importante.


- Oi, não sei se você sabe, mas são mais de 4 da manhã, então eu espero não me arrepender de ter atendi ...


- Calma, Calma, Calma, você lembra que temos teste de Biologia daqui... hum, 3 horas e meia ? E a senhorita está acordada até agora? - Diz ela com o sotaque engraçado.


- Se você está tão preocupada me diz você que também está acordada? - digo sem interesse nenhum naquela conversa.


- Acordei de repente e lembrei que minha prima provavelmente iria matar aula mais uma vez, Já que não veio nenhum dia dessa semana, sendo assim não está sabendo que temos uma prova muito importante, então resolvi ligar para te avisar.


- Eu agradeço, mas acredito que não dá para dormir e estudar para prova ao mesmo tempo, Não se preocupe, tenho justificava para a falta - minto - nos vemos no fim de semana.- desligo sem esperar sua resposta.


Volto para o quarto, com mais dúvidas ainda, minha prima diz que sou alguém em potencial, porém que não leva a sério os estudos, se preocupa demais, não apenas comigo, mas com qualquer aluno que não se importe, que não dê valor as oportunidades que temos.


Deito na cama e fecho os olhos, não durmo direito à três noites seguidas e parece que essa vai ser mais uma delas, começo a tentar de novo, buscar pensamentos bons e falho como sempre.


Escuto o som das chaves quando meu pai as pega, por volta das 6:40, ainda estou aqui e não estou, é difícil saber. Me levanto assim que ouço o som do portão se fechar e preparo meu café.


Enquanto procura algum biscoito, acabo esquecendo que mamãe está em casa e não posso simplesmente falar outra vez que não consegui dormir a noite, por mais que ela seja compreensiva, não vai deixar que eu mate aula pela 3 vez nessa semana.


Antes mesmo de achar algo para comer, tomo banho, me visto e pego a mochila sem colocar os livros do horário de Quarta, estou atrasada, porém consigo chegar a tempo de entrar para o primeiro horário.


Quando estou saindo, encontro mamãe já na cozinha e reparo o quanto é bonita mesmo com o rosto inchado por ter acabado de acordar, tem olhos castanhos e pele da cor da terra, como eu e está com os cachos presos.


- Você já não devia estar na escola ? - pergunta com um olhar desconfiado.


- Já estou indo - dou um beijo em seu rosto, antes que tenha a oportunidade de falar mais alguma coisa e pego mais café para tentar me manter desperta



🔹 🔷🔹


Da minha casa até a escola são apenas 8 minutos, porém chego lá em 5. Antes de entrar para aula, acabo decidindo que hoje é um ótimo para fazer algo novo e estou tentando não surtar, na aula vou ouvir desde a coordenadora que nos recebe na porta até a professora Leila, falando sobre minha falta de responsabilidade e mais coisas que não vão acrescentar em nada.


Desço a rua e depois de algumas quadras, longe do meu tormento, pego o café que guardei e vou andando tranquilamente, pensando em onde devo ir hoje.


Não tenho nenhum amigo que esteja em casa agora, não posso ir pra casa e ficar perambulando aqui não torna o meu dia nada épico - penso , penso, penso - e quando vejo estou em frente a plataforma, verifico se estou com minha carteirinha de estudante e pego o primeiro ônibus que passa, não sei para onde quero ir , Mas saberei quando ver.





Amarelo em Você Opowiadania do pokochania. Odkryj je teraz