Não quero conhecer o senhor Alejandro. Apesar da mãe do Robert ter garantido que a Saynara não viria aqui, eu não acredito nela. Com certeza aquela vagabunda vai aparecer, então já estou me preparando. Não quero que ela pense que pode me abater com suas palavras sujas. Aliás, pra quem não sabe, ela joga sujo. Muito sujo.
Mas enfim, estou no meu quarto me arrumando para o que está por vir. Pelo que entendi, essa noite vai ser importante, então preciso estar vestida pra matar mesmo.
Coloquei um vestido longo, preto, de cetim, com uma fenda generosa na coxa direita e um decote nas costas que beirava o pecado. O tecido moldava meu corpo como se tivesse sido feito pra mim. O cabelo prendi num coque baixo, com algumas mechas soltas caindo suavemente ao redor do rosto. Na maquiagem, destaquei os olhos com um esfumado preto marcante e um batom vermelho escuro. Um par de brincos de strass e saltos finos completavam o visual.
Me avaliei por um instante no espelho... e adivinha? Estou perfeita.
Nesse momento, a porta se abre sem aviso — claro, Robert entra sem bater, como o perfeito ignorante que é. Vai direto em direção ao banheiro, mas não sem antes me lançar um olhar demorado.
— O que foi? — pergunto, ainda me olhando no espelho, vendo seu reflexo no vidro atrás de mim.
— Você tá diferente... Nunca pensei que te veria com uma roupa assim. Nem parece você — ele responde com aquele sorriso irônico no rosto, mas o olhar dele entrega algo mais... um certo calor.
Me viro devagar pra ele, ainda segurando o frasco do meu perfume.
— Vá se ferrar, Robert — digo, tentando parecer indiferente. Mas noto o olhar dele descendo lentamente pelo meu corpo.
Vou até o banheiro para pegar meu creme corporal, mas, como um completo idiota, ele corre na minha frente e fecha a porta.
— Robert, para de palhaçada! Só quero pegar meu creme.
— Tô tomando banho, amor — ele responde, debochado, lá de dentro.
A vontade que tenho é de socar a porta como fazem nos filmes, mas não quero quebrar minha mão. Continuo batendo.
— Robert, eu não tô brincando. Abre essa droga de porta!
— Tá legal. Pode entrar, estressadinha — diz ele, e finalmente abre.
Ele está molhado, recém-saído do banho, só com uma toalha branca enrolada na cintura. Gotas de água escorrem pelo peito dele e desaparecem pela linha da toalha. Fico parada na porta, quase hipnotizada. Ele cruza os braços, deixando os músculos ainda mais visíveis, e me encara com aquele maldito sorriso.
— Robert, não vai sair do banheiro?
— Por que eu faria isso?
— Porque eu preciso entrar — respondo, tentando manter o tom firme. Mas minha voz sai um pouco mais baixa do que o normal.
Ele se aproxima, parando na porta, ficando perigosamente perto.
— Ninguém tá te impedindo.
O calor entre nós quase se torna palpável. Ele não tira os olhos dos meus.
— Estou atrapalhando alguma coisa? — pergunta a mãe dele, entrando de repente no quarto, me fazendo recuar um passo.
Nós não estávamos fazendo nada... mas pra quem vê de fora, dava pra interpretar do jeito errado.
— Pra falar a verdade, tá sim, mãe — responde Robert, finalmente saindo do banheiro com um sorrisinho malicioso e indo até ela.
— Desculpe — ela diz, sem humor. — Seu pai está chegando, Robert. Anda logo vocês dois. Ah! A Saynara vai vir também. Espero vocês lá embaixo.
Eu sabia. Argh... que ódio.
Acho que fiquei vermelha, não de vergonha, mas de raiva. E o Robert, claro, está rindo sem parar.
— Nossa, acho que você vai ter um ataque, Polly.
— Ah, vai à merda, Robert — rebato, entrando no banheiro e batendo a porta com força.
O que me dá mais raiva é que a Saynara dá em cima dele na minha frente, como se eu não estivesse ali. Eu não tô com ciúmes. Eu só... não quero parecer idiota. Não vou ter fama de chifruda. Não mesmo.
— Já tô descendo. Não demora — ele grita lá de fora.
Nem respondi. Terminei de passar meu creme, ajeitei os fios soltos do cabelo, respirei fundo e saí.
Desci até a sala de jantar. Lá estavam o senhor Alejandro, a senhora Rosana, Robert, Saynara... e um rapaz de aparentemente 19 anos. Olhos verdes, cabelos pretos e, honestamente, até que bem atraente.
Assim que cheguei, sentei ao lado do Robert, depois de cumprimentar todos.
— Pai, essa é a minha namorada, Maya.
— Muito prazer em conhecê-la, Maya.
— O prazer é todo meu — respondi, sorrindo. Ele retribuiu com um sorriso simpático.
— Ah! Aproveitei a ocasião pra apresentar o meio-irmão da Saynara, esse é o David — disse o senhor Alejandro.
Como pode o David ser tão lindo e a irmã ser uma cobra venenosa?
Surpreendentemente, o jantar foi agradável. O senhor Alejandro é gentil, carismático. Difícil imaginar como ele se casou com a Rosana. Robert se manteve tranquilo, até demais. Só mexia os olhos — principalmente quando percebia os olhares que o David lançava pra mim de tempos em tempos. Eu adorei. E tenho certeza que a Saynara notou.
De volta ao quarto, entrei na frente. Robert veio logo atrás. Assim que passou, bateu a porta com força, feito um ogro. Estava visivelmente irritado. Eu me joguei na cama, rindo.
— Muito engraçado, Maya. Flertar com meu primo na frente do meu pai...
— Oi? Flertar?
— É. Flertar. Sabe, quando uma pessoa comprometida dá em cima de outra — disse, parando bem na minha frente, braços cruzados, o maxilar tenso.
— Eu não tenho culpa se o seu primo ficou me olhando. E, só pra constar, eu não flertei com ele.
Tentei manter a seriedade... mas não deu. Gargalhei.
— Isso. Ria bastante. E se um dia for traída, não reclame — falou, cínico, indo em direção à porta.
Corri na frente e fechei a porta antes que ele saísse. Ficamos frente a frente, tão perto que pude sentir o calor do corpo dele. O olhar dele desceu dos meus olhos para a minha boca, e eu senti a respiração acelerar.
— Como assim "traída"?
— Sei lá... Vai que a Saynara me seduz.
— Se você fizer isso, eu juro que...
— Que o quê? — ele me interrompeu, se aproximando ainda mais.
O calor entre nós explodiu. Meus olhos foram parar na boca dele. Ele percebeu. E me beijou. Primeiro devagar, quase provocando. As mãos deslizaram para minha cintura, e a outra subiu pela minha nuca, me puxando mais. O beijo ganhou intensidade e eu já não sabia se queria parar.
A única coisa que sabia... era que eu não queria que ele saísse mais daquele quarto.
BINABASA MO ANG
Uma Patricinha Diferente
Teen FictionMaya teve seu coração partido quando foi traída por Matt, seu ex-namorado. Desde então, ela deixou de acreditar no amor - e em qualquer sentimento verdadeiro. Decidida a não se machucar de novo, se tornou uma patricinha mimada, fria e indiferente ao...
