Eram 6 da tarde quando Lucas chegou em casa. O apartamento era pequeno, cerca de 30 metros quadrados, os cômodos sem muitas divisões, e uma varanda pequena, porém charmosa. Era o lugar preferido de Lucas. O rapaz trabalhava no centro da cidade, populoso, pulsando vida e movimento a todo instante, constante, sem parar.
Trabalhava num escritório, onde ficava num cubículo de 3 por 3, com metas a serem batidas a todo instante sob pressão. Bom, pelo menos era numa "grande empresa" do ramo de tecnologia, não é?
Lucas vendia os produtos da empresa, ligando e pentelhando os alvos e com o salário pagava a faculdade de cinema. Queria ser um cineasta daqueles que retratam as várias faces da sociedade, se espelhava em artistas como Pedro Almodóvar e Sebastião Salgado.
Pois bem, ao chegar no apartamento, largou as coisas no sofá surrado e manchado de café que tinha na sala, e foi tirando a roupa a caminho do banheiro.
Ligou o chuveiro no quente e se afundou na água, enquanto o vapor o serpenteava, cobrindo o ambiente. Apoiou-se na parede e deixou a água escorrer pelas costas enquanto relaxava os músculos e divagava em seus pensamentos e sonhos. Por quase 40 minutos ficou assim, imaginando as viagens que ainda faria pelo mundo.
Desligou o chuveiro, se secou, se vestiu e foi até a cozinhar alcançar uma taça e o vinho barato que comprou na última quinta-feira especialmente para esse final de semana. Abriu o vinho, colocou um pouco na taça e bebericou. Por fim, adiantou-se em direção a varanda, seu lugar favorito. Ao passar pela mesinha de centro, aproveitou para pegar um pequeno livro de poemas que lia de Paulo Leminski e foi se acomodar na rede na varanda.
Lá, sentou e leu mais alguns poemas do livro antes de deixá-lo de lado, não costumava "devorar" livros de poema, dizia que o gênero deve ser saboreado como uma sopa bem quente no inverno frio. Levantou e foi até o batente da sacada, onde ficou apoiado enquanto tomava seu vinho.
Eram dezenove horas e quarenta e três minutos. Cecília, sua vizinha do prédio da frente estava chegando a qualquer momento, e só Deus sabe o quanto era apaixonado por aquela garota. As horas que conversavam no café onde ela trabalhava no centro, seu olhar sempre vivido, um gracejo peculiar, atraíram a atenção de Lucas.
E então, a bicicleta vermelha, meio retrô, chegava da esquina e com uma pequena buzinada, Cecília olhou em direção à varanda, acenou para Lucas e entrou em seu apartamento.
Lucas se encostou na rede, brincando com a taça nas mãos e aguardou. Vinte minutos depois a campainha tocou, era Cecília trazendo os filmes e sua companhia.
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Contos e Crônicas: histórias tediosas do cotidiano
Short StoryEsse meu projeto reúne pequenos contos e crônicas de situações que ocorrem normalmente no dia a dia, sejam eles incríveis ou incrivelmente tediosos. É uma tentativa de desenvolver melhor a escrita e a criatividade. Espero que gostem
