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Sinto-me em paz, longe de tudo e de todos, daqueles que me querem julgar ou ver mal e, mesmo sabendo que isso tudo acabará mais tarde ou mais cedo, gostava que este momento e esta sensação perdurassem, como se o tempo parasse e eu nunca mais tivesse qualquer problema ou queda.

Estou na praia, sou apenas eu, as ondas do grande oceano, os grãozinhos de areia no chão e algumas gaivotas que voam por aí livremente.

Na verdade, gostava de ser um pássaro, de ser livre, de ter asas e poder voar para longe, para um lugar melhor e, principalmente, de não ter que me preocupar se alguém vai ou não julgar-me por aquilo que sou, uso ou penso.

Os meus pensamentos foram interrompidos por um ligeiro assobio. Olhei em torno de mim, um pouco triste por alguém me retirar a minha paz momentânea, e foi então que o vi, andando de forma descontraída e despreocupada enquanto assobiava uma melodia desconhecida por mim. Ele olhou para mim arregalando os olhos um pouco e então sorriu. Se o facto de ultimamente ele aparecer em todos os locais onde eu estou sozinho não me intriga-se tanto, eu até me atreveria a dizer que ele é, de facto, lindo.

Antes que eu pudesse dizer ou fazer alguma coisa ele veio até mim com alguma pressa.

- Olá Jiminnie! Tudo bem?

Jiminnie?

Fiquei por alguns segundos, talvez até demais, a pensar nas possíveis razões pelas quais ele me havia chamado daquela forma, mas não me surgiu nenhuma razão credível então decidi prosseguir o mais naturalmente possível com a conversa iniciada.

- Sim e contigo?

Dei o meu melhor sorriso, o que pareceu fazer com que ele ficasse ainda mais à vontade e tomasse a liberdade de se sentar ao meu lado na areia.

Não me lembro da última vez que dei um sorriso genuíno, porque isso já não acontece há muito tempo. Tenho saudades de saber o que é estar verdadeiramente feliz, de gostarmos de nós próprios e da nossa vida, de amar alguém...

- Comigo está sempre tudo bem.

Ele voltou a sorrir com os seus dentinhos de coelho. Que querido.

Será que não me poderias dar um pouco da tua alegria?

- Costumas vir aqui muitas vezes?

- Sim. É bonito não achas? - perguntei ainda com um ligeiro sorriso na cara.

Se não sorrir, vão perceber a minha dor. Se chorar, vão questionar-me. Se não tiver conversas com aqueles que me rodeiam, vão achar que não estou bem. Então, para tudo e todos, sou apenas um miúdo normal de 16 anos com uma vida normal e sem preocupações além da escola, um miúdo que fala, sorri e estuda. Ninguém precisa de saber que algo se passa além de mim, muito menos Jungkook.

- É.

Ficamos uns momentos em silêncio o que me agradou. Pensava que a sua presença estragaria totalmente o meu momento de paz, mas até me fez sentir bem, não sei explicar porquê.

- Daqui a um pouco será o pôr-do-sol, não queres ir beber alguma coisa ao café lá em cima na falésia?

Pensei em recusar por momentos, só me apetecia ir para casa, comer e dormir para me preparar para enfrentar um novo dia, mas ele parecia tão feliz com aquilo, não o quis desiludir.

Every piece of you || jikookStories to obsess over. Discover now