Fevereiro, 2017. VIII.

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CHEGUEI COM MAIS UM CAPÍTULO!

Vocês estão acreditando nisso? Pois é, eu também não. Acontece que esse capítulo foi bem mais rápido e fácil, por ser mais curtinho. Estamos encerrando o mês de fevereiro aqui no livro, no próximo capítulo já estaremos em março, por isso o clima mais calmo, paz e amor, tranquilão.

Enfim, espero que gostem do capítulo de hoje, e espero que não fiquem tristes comigo e nem desistam de mim se eu sumir por muito tempo.

Amo muito cada um de vocês!

Comentem!
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    Terças-feiras eram dias que passavam arrastados. Contando com aulas de Matemática, Física e Biologia, a única coisa que animava a maioria dos alunos era a última aula, de Amanda. Naquele dia, em especial, a professora estava inspirada.

    A noite anterior havia sido mais agitada que o normal – não que sua vida fosse tão animada assim. Não conseguia tirar da cabeça o que faria na reunião com os sete alunos, no dia seguinte. Já havia pensado em um milhão de coisas, mas nenhuma ideia parecia boa o suficiente, algumas vezes julgava até previsível demais, e isso estava a matando.

    De qualquer forma, acabou acordando no meio da madrugada com uma ideia que parecia ser realmente boa. Não sabia se fora o filme na televisão, que não havia desligado por cair no sono de repente, ou se era o vento lá fora que cruzava a pequena greta aberta na janela e causava arrepios na professora, mas agradeceu aos dois por ter acordado. Anotou a ideia nas notas do celular, para não correr o risco de acordar no dia seguinte sem se lembrar o que havia pensado – isso acontecia constantemente –, correu no quarto para pegar um cobertor e voltou para o sofá da sala, não sem antes desligar a TV e fechar um pouco mais a janela.

***

    Quando os sete alunos entraram na sala que já estavam acostumados a frequentar todas terças e sextas, a professora estava terminando de arrumar o círculo. Por algum motivo, todos sentaram-se nos mesmos lugares da última sexta, como se já fossem seus.

    — Falar abertamente sobre seus defeitos mudou alguma coisa na vida de vocês? — Amanda perguntou e, ao observar que os alunos não iriam se pronunciar, continuou: — Não faz sentido reconhecermos um erro e não tentarmos corrigi-lo, embora eu saiba o quão difícil é mudar algo em si mesmo. É muito fácil apontar o erro no outro, mas é muito difícil olhar para si. Por isso, eu gostaria de parabenizá-los e dizer que estou muito orgulhosa pelo enorme passo que vocês deram. Mas, como todos vocês têm defeitos, todos têm qualidades também. — Os alunos pareceram mais interessados, e Amanda sorriu, feliz por ter acertado. — Quando eu era adolescente, uma professora me perguntou qual era minha maior qualidade e, Jesus, isso foi uma das coisas mais difíceis que eu já fiz em toda minha vida — pausou por um segundo. — Por quê? Porque é muito difícil reconhecer que temos algo de bom quando tudo que ouvimos sobre nós são comentários ruins. Então, a proposta de hoje é esta: pensem em uma qualidade de vocês e compartilhem conosco. Vou deixar que decidam quando cada um vai querer falar.

    Foi bem naquele momento que Matheus percebeu que Amanda estava certa: precisava de ajuda. Precisava de ajuda porque, naquele momento, não conseguia encontrar uma qualidade em si. Olhando para trás, para a antiga versão de si mesmo, podia encontrar milhares de qualidades, mas, sim, era triste para Matheus perceber que não havia mais nenhuma delas na versão atual dele.

    — Eu me considero uma pessoa extremamente sincera, tipo... o tempo inteiro — soltou, quando finalmente chegou à uma conclusão. — Não que isso agrade todo mundo, então pode ser considerado um defeito também, né?

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