We've updated our Content Guidelines.
Review the latest guidelines to keep sharing stories safely.

Prólogo: O Som das Pegadas Gigantes

7 1 3
                                        

O ano era 1798 da Era Zazor. Meauxland nunca foi um lugar gentil, mas naquela noite, nos arredores lamacentos da estrada que levava à cidade mineradora de Conti, o mundo parecia ativamente tentar nos esmagar.

Eu estava sentada em uma mesa de canto na A Cobra Amarela, uma taverna decrépita de beira de estrada. O ar ali dentro era uma mistura densa de fumaça de tabaco barato, terra molhada e o cheiro metálico de sangue que parecia impregnado nas tábuas de madeira. Meu prato consistia em cobra defumada, acompanhada por um licor espumante local que descia queimando a garganta — a única coisa capaz de aquecer o peito contra o frio úmido que vinha da floresta.

Aos meus dezessete anos, meus 1,78m de altura denunciavam minha herança meio-élfica: alta para os padrões humanos, mas ainda distante da estatura e elegância de um elfo puro. Ao meu lado, mantendo uma distância calculada para não chamar atenção, estava Navor. Com dezoito anos e 1,85m, ele parecia apenas mais um viajante lúgubre, envolto em pesados tecidos escuros e um capuz que ocultava completamente seu rosto. Em seu colo, quase invisível sob os trapos, descansava sua lança de ponta de cristal.

De repente, a conversa fiada de mineiros, caçadores e desertores cessou de forma abrupta.

O chão de madeira tremeu. As canecas de licor vibraram sobre as mesas, derramando o líquido escuro.

-Bum... Bum... Bum...

Olhei pela janela de vidro sujo. Um relâmpago rasgou o céu, iluminando a Besta do Vale. Era um quadrúpede de proporções colossais, facilmente ultrapassando a altura das maiores torres de um castelo. Sua carne era uma amálgama de raízes retorcidas, madeira petrificada e musgo espesso. O pescoço longo e curvo sustentava uma cabeça sem olhos visíveis, coroada por chifres gigantescos que carregavam uma verdadeira minifloresta de árvores mortas, rodeada por pássaros do tamanho de cavalos. A criatura exalava um vapor quente com cheiro de pinho e decadência antiga enquanto ignorava a taverna, tratando-a como um reles seixo em seu caminho rumo ao lago Conte Lake.

Ninguém ousou respirar. Bestas daquele porte não eram tratadas como monstros; eram forças da natureza.

Assim que o tremor cessou, a pesada porta de carvalho foi escancarada com violência pelo vento. Um homem arfante, vestindo os farrapos do 1º Regimento de Byperia, desabou no chão. Ele trazia três flechas de penas negras cravadas nas costas. Antes de apagar sobre o assoalho, uma pequena caixa de madeira escura, selada com um cadeado rúnico, rolou de suas mãos e parou a centímetros das minhas botas.

No balcão, os olhos de três mercenários da gangue Tolle Hares se fixaram na caixa. E depois, em mim. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.

Ecos de MeauxlandStories to obsess over. Discover now