— Pra fora!— A locadora do complexo gritou enquanto seu filho jogava a ex inquilina numa poça de água suja na frente do imóvel.
— Senhora Regina, por favor! Eu vou conseguir o dinheiro eu só preciso de um pouco mais de tempo. — A mulher implorou, seus longos cabelos castanhos encaracolados imundos com a água barrenta.
— Nada de mais Leda!
Nem agora, nem nunca mais. — A senhora de idade exclamou, sua dentadura ameaçando cair com a tremedeira de seu corpo estressado. — Você não é a única que precisa comer aqui, seis meses de atraso já é mais que absurdo.
Vamos Geronimo, vamos entrar querido. — E tão cruelmente como a expulsou seu comportamento mudou para uma doce senhora meiga quando se referiu ao seu filho, um homem grande forte e barrigudo que sorriu pra sua mãe, antes de pegar a mala e mochila de Leda e jogar aos pés dela, com a cacheado tendo que ser veloz em pegar sua mochila no ar, seu computador ainda estava aqui dentro.
Com isso a dupla finalmente voltou para dentro a deixando oficialmente sem teto, de novo. — Muito obrigada por nada! BOÇAIS!— Leda grita para a casa, sua raiva cai em ouvidos surdos.
Ela se levanta com um gemido de nojo, tirando a própria jaqueta de couro para conseguir se secar e a amarrando na cintura enquanto pegava seus pertences se distanciando do que um dia foi sua casa.
Caminhando pelas ruas no início da manhã e aproveitando para roubar o jornal de seu vizinho, o carregando por debaixo do braço enquanto seguia pela calçada chutando as pedras e puxando sua mala.
Leda Westminster, vinte oito anos, solteira e falida.
Essa seria a idade que a maioria das pessoas iriam dizer ser o momento de decolação da carreira ou até o auge, mas pra Leda era o fundo do poço.
Nascida em Wisconsin, ela é uma jovem adulta afro-americana, negra com olhos verdes como esmeraldas e cabelos cacheados muito bem escovados apesar de seu estado acabado, com roupas suadas, surradas e manchadas.
Quando estava na escola Leda era considerada uma jovem prodígio, aluna comportada, se dava bem com todo mundo e tirava dez na maioria das matérias, a típica cdf que levava uma maçã pra professora. Tal ímpeto porém não funcionou muito bem fora da escola, a expectativa de seus parentes era alta e eles não tinham muito dinheiro, mas apostaram tudo que puderam para ela cursar medicina e ser a salvação da família.
Leda não ficou parada, estudou como uma louca para vingar o investimento que haviam feito nela, conseguindo assim ser aprovada e estudar seu primeiro ano.
Mas as coisas foram de mal a pior, vários infortúnios aconteceram com sua família, casas sendo alargadas ou destruídas por terremotos, seu tio caiu em golpe os fazendo ficarem endividados, além de vários parentes terem morrido. Não foi um ano fácil, somando isso ao aumento do preço do curso e à todo o esforço que estava fazendo Leda acabou tendo um burnout completo, um momento que ela genuinamente ficou tão sobrecarregada que não conseguia mais aprender ou acompanhar com nenhuma obrigação, justamente em época de prova.
O resultado era óbvio.
Não podendo arriscar perder o curso que tanto se dedicou levou a jovem a tomar medidas desesperadas, conseguindo dinheiro por meios ilícitos para pagar o curso, só pra falhar outra vez.
Endividada, falida e com o pescoço na reta.
Era isso que ela era agora.
Depois de passar as primeiras horas da manhã caminhando Leda por fim encontrou o seu destino, uma velha cafeteria com o melhor café de um e noventa da região e um excelente sanduíche de rosbife e ovo, mesmo com o visual mais retrô e precisando de uma manutenção, ela nunca estava vazia, era um lugar que trazia alívio por saber que não vai encarecer ou sumir tão fácil.
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Isekai de meio período
ActionA falência é um dos maiores medos da humanidade, a perda de tudo de valor, desde a antiguidade até principalmente nos tempos atuais. E Leda sabe muito bem disso, individada por praticamente toda a vida, falida e despejada procurando desesperadamente...
