Nunca imaginei chmar o Spa e Resort da C.C. de lar. Mas funciona bem pra mim. Funciona como um esconderijo. Funciona como uma distração. Funciona como um teatro onde eu sou, ao mesmo tempo, atriz e plateia... e a única pessoa que não pode sair no meio da peça.
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Eu acordo todos os dias com cheiro de flores doces demais. Sério. Doces demais. Nem Perséfone aguentaria o cheiro delas.
É como se alguém tivesse esmagado um jardim inteiro e decidido que aquilo era uma boa ideia pra aromatizador de ambiente.
Mas eu gosto. Eu gosto muito desse cheiro.
- Claro que gosto - eu digo em voz alta para o nada, esticando os braços enquanto a luz do Sol entra pelas cortinas translúcidas, dourada, quente, perfeita demais. - Quem não gostaria?
Minha voz ecoa no quarto que fica de frente para o mar. Grande. Bonito. Vazio.
Eu levanto da cama e caminho até o espelho. E lá está ela. No caso, eu. Só que... diferente.
Os cabelos, que antes eram um incêndio ambulante, agora são um campo de trigo iluminado. Loiros. Claros. Quase suaves demais pra alguém como eu.
E os olhos... Antes prateados, brilhantes, vivos.
Agora são negros. Não são escuros. São negros como se tivessem engolido a luz e decidido não devolver.
Eu sorrio ao me ver no espelho.
- Uau - digo, inclinando a cabeça. - Amo meu cabelo loiro.
Porque é assim que funciona agora. Eu faço piadas. Eu sorrio. Eu finjo tão bem... que às vezes quase acredito.
O Spa e Resort da C.C. é um lugar curioso.
Metade paraíso. Metade armadilha com perfume caro.
Minha prima Circe passa pelos corredores como se fosse dona do mundo - o que, honestamente, ela quase é.
Ela me ensina magia. Magia de verdade. Não só o tipo que explode coisas (embora... isso também seja divertido).
Mas o tipo que dobra vontades. Que transforma. Que esconde.
- Você precisa aprender a desaparecer sem sair do lugar - ela me disse uma vez, enquanto transformava uma xícara em um pássaro de porcelana que cantava.
Eu aprendi. Aprendi rápido. Rápido demais.
Agora eu consigo esconder minha presença até de deuses que deveriam me sentir como uma estrela no céu.
Como Hera. Como... ele. Aristeu.
Só de pensar o nome, eu me arrepio e bato palmas uma vez, como se estivesse encerrando um pensamento inconveniente.
- Hoje não - digo, alegre. - Tenho uma agenda cheia!
Porque eu tenho uma rotina. Sim. Eu tenho uma rotina saudável e produtiva.
De manhã: magia.
À tarde: magia.
À noite:... mais magia.
E, entre uma coisa e outra... orações.
Elas chegam como sussurros. Como bilhetes que o vento esqueceu de entregar.
Eu fecho os olhos e escuto. E então...Eles estão lá.
"- Amaryllis..."
A voz de Maria Octavia vem primeiro. Minha querida e amada amiga nunca deixa de rezar pra mim. Ela sempre vem primeiro. Ela tem esse jeito de rezar como quem conversa, como quem ri no meio da frase.
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The Last Prayer
FanfictionAmaryllis, a décima terceira deusa do Olimpo, nasceu da união de Zeus e Hera, mas sua existência foi marcada pela rejeição e pela maldição de Cronos. Dotada de um poder desconhecido e temido pelos próprios deuses, ela foi expulsa do Olimpo aos cinco...
