29 de dezembro de 1978, 8 anos atrás.
Minjeong estava no seu limite. A tontura fazia com que tudo ao seu redor girasse numa câmera lenta excessivamente dramática, e por mais que seu coração batesse tão forte ao ponto de sentir a pulsação em seu pescoço, de ter a agonizante sensação de que este pudesse saltar pela sua boca a qualquer momento, suas pernas não podiam se dar ao luxo de falharem.
Não havia ocasião pior para se estar chovendo, mas Minjeong nunca foi do tipo de pessoa sortuda. As poças de água, que cresciam progressivamente conforme a chuva aumentava, se dissolviam debaixo de seus Vans Style 38, mas ela nem tinha tempo para se preocupar com o fato de que estes estavam completamente encharcados. Sua única certeza era a de que aquele era um péssimo dia para usar seus tênis novos.
Como se não bastasse o ardor em seu peito pelo esforço excessivo, sua cabeça latejava como se alguém lhe golpeasse com um martelo, e por dentro, o medo corroía suas entranhas feito um parasita. Queria conseguir gritar, conseguir chamar por ajuda, mas os seus músculos se recusavam, a impressão que tinha era a de que seu corpo havia desistido de si. Ela só sabia correr, correr e correr, incessantemente, como um animal indefeso que corre de um predador. Era como se sentia. Porém, tudo aquilo estava sendo completamente em vão, atrás de si, passos pesados se aproximavam cada vez mais, e ela estava no seu limite. Não sabia por quanto tempo conseguiria suportar, ela já estava correndo há tanto tempo que havia perdido muito mais do que somente a noção do tempo, suas forças haviam se esvaído, suas pernas estavam moles.
De início, aquele aparentava ser apenas mais um dia normal, como qualquer outro. Era suposto que fosse. Embora fosse sexta-feira, a locadora de filmes em que trabalhava nunca ficava muito movimentada em dias de chuva, afinal, "quem sairia no meio da chuva para alugar um filme?", como a própria gostava de justificar. Era justamente por isso que, naquele dia, ela foi liberada de seu expediente meia hora mais cedo do que de costume, e até então seguia caminho para sua casa, nada que fosse fora do comum. E droga, faltava pouco. Faltava tão pouco.
Mas agora, ela se perguntava o que havia feito de tão ruim para estar enfrentando aquela situação, algo que não conseguiria imaginar nem em seus piores pesadelos. Era aquilo que o destino lhe reservava? De todas as pessoas, por que justo ela? Ela não encontrava nenhum sentido, sequer sabia se havia algum. Estava perdida, cercada de incertezas. Não encontrava qualquer resposta para os questionamentos que transtornavam a sua mente, e aquilo era perturbador, como nada jamais havia sido. Formular uma linha de raciocínio coerente se tornava cada vez mais difícil, e mesmo sendo pouco religiosa, entre súplicas confusas e desesperadas, implorava para todas as divindades das quais conseguia se lembrar para que não a deixassem morrer ali. Estava em pânico, mas muito além disso, ela estava tão cansada...
O único pensamento que se passou pela sua cabeça naquele instante foi se lançar em direção ao beco estreito e mal iluminado daquela rua que, por si só, contava apenas com a baixa iluminação amarelada de alguns postes e nada mais. Sentiu seus pelos se eriçarem num arrepio logo que suas costas entraram em contato com a parede fria. Arfava, ofegante, seu peito subia e descia rapidamente, sem que ela nem tivesse nenhum controle sobre isso.
Os passos cessaram de repente. Consequentemente, ela conseguiu escutar com clareza aquela respiração descompassada se tornando mais alta... e mais alta. Através da visão turva e dos cabelos de tom avermelhado que caíam sobre seu rosto, ela observou a figura se movimentar pelas sombras, sua silhueta se aproximando aos poucos de si. Por conseguinte, o metal gélido contra sua pele fez seus joelhos cederem. Assim que a dor atingiu seu abdômen de fora para dentro, súbita e implacável, o horror atravessou sua face. A realidade lhe atingiu numa epifania: aquele era o fim da linha.
"Correr... Porra, Minjeong, você só precisava correr... será que era realmente tão difícil?" Aquela frase ecoava em sua mente, à medida que o peso da frustração lhe acertava em cheio. Se sentia fraca, imponente, e teve vontade de rir, como quem ria de uma piada de mal gosto. Era irônico demais para que ela não desse um último riso amargo, mas estava exausta demais para o fazer. Estava igualmente exausta para gritar pela dor aguda que se intensificava e irradiava por seu corpo, para se levantar ou ao menos rastejar para fora dali. Para chorar após perceber que ela não havia conseguido. Havia falhado.
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Mortos Não Falam | Winrina.
FanfictionDuas mulheres têm seus caminhos cruzados de maneira inesperada quando, numa madrugada de 1986, Yu Jimin recebe uma ligação intrigante: um pedido de ajuda. No entanto, sem imaginar a gravidade da situação, ela mal sabia que a sua linha estava conecta...
