O despertador tocou às 6h20 da manhã, mas Adrien já estava acordado desde umas 4h e pouco.
A claridade suave do amanhecer entrava pelas cortinas brancas do quarto, deixando tudo com aquele brilho meio dourado, meio triste de quem ainda tá pensando demais.
Ele estava sentado na cama, celular na mão, encarando a conversa com Plagg — seu melhor amigo desde o ensino fundamental.
Plagg era do tipo caótico: cabelo preto sempre bagunçado, humor ácido, zero filtro.
O oposto de Adrien em praticamente tudo.
A tela piscou:
Plagg 🐈⬛: acordou?
Adrien digitou devagar.
Adrien: não dormi
A resposta veio em 3 segundos.
Plagg 🐈⬛: puta merda, vai desmaiar no corredor kkkkkk
Plagg 🐈⬛: é HOJE né?
Plagg 🐈⬛: vai se declarar pra pequena artesã da boulangerie
Adrien rolou os olhos, mas acabou sorrindo de leve.
Adrien: para de chamar ela assim
Plagg 🐈⬛: então vai lá e chama de namorada kkkkkkkkk
Plagg 🐈⬛: medroso
Adrien largou o celular no colo e passou as mãos no rosto.
Medo não era a palavra.
Era um enjoo no coração. Um pressentimento. Uma confusão.
Hoje.
Hoje era o dia que ele guardava há anos dentro do peito.
⸻
A casa estava silenciosa demais. Sempre estava.
Ele tomou banho, tentou arrumar o cabelo — e tentou de novo, e de novo — até decidir deixar do jeito que ficou mesmo. O uniforme estava impecável. Ele tinha mania de perfeição, não por querer, mas porque cresceu assim.
No café da manhã, o pai dele, Gabriel, mexia no notebook sem levantar os olhos.
— Bom dia — murmurou Adrien.
Nenhuma resposta.
Ele comeu quieto.
Só quando estava saindo ouviu, sem emoção alguma:
— Não esqueça do ensaio às 18h.
Adrien assentiu mesmo sabendo que o pai não estava olhando.
⸻
O caminho até a escola foi como sempre: bonito, limpo, frio — mas Adrien parecia estar longe.
Os pensamentos batiam uns nos outros:
E se der errado?
E se ela rir?
E se eu perder minha melhor amiga?
E se eu tiver entendido tudo errado esse tempo todo?
Ele respirou fundo.
Chegou.
Logo ao entrar no pátio, viu Marinette perto dos bancos, arrumando os próprios cadernos como sempre fazia — toda organizada, toda fofa, toda... Marinette.
A barriga dele virou gelo.
Ela estava linda naquele dia. Mas ela sempre estava.
Adrien caminhou até ela, tentando parecer normal.
— Oi, Mari — disse com um sorriso tímido.
Ela levantou o olhar e abriu um sorriso que dava vontade de morar dentro.
— Adrien! Oi! Você tá bem? Parece meio... pálido.
Ótimo... já tô começando bem.
— Só... não dormi muito — admitiu.
Marinette riu baixinho, com aquele som que sempre deixava o dia melhor.
— Aconteceu alguma coisa?
E foi aí que ele sentiu.
Era agora ou nunca.
Tava na garganta dele.
Tava queimando.
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Lukadrien: Descobrindo o Meu Lugar
Teen FictionAdrien Agreste cresceu seguindo regras, expectativas e a imagem perfeita que todos projetavam nele. Entre ensaios, trabalhos de modelo e uma rotina sufocante, ele tinha apenas uma certeza: seu coração era inteiro de Marinette Dupain-Cheng. Ou pelo m...
