A última explosão de Zaun

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A fumaça era azul

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A fumaça era azul. Ainda azul. Sempre azul.
Mas agora... tinha gosto de metal.

Ela não sabia se estava caída no chão ou flutuando. Tudo doía — cabeça, peito, memória. O cheiro de pólvora ainda estava no ar, e os olhos ardiam como se tivesse chorado por dias. Tinha chorado? Ela nem lembrava. O som da explosão ainda ecoava dentro do crânio. Ou era só um grito preso?

Eles estavam lá. Vi, Claggor... Milo... eles...
Eles... estavam?

Powder piscou várias vezes. Estava escuro. Mas não era aquele escuro de Zaun. Era outro. A chuva caía forte, fria. Em Zaun não chovia assim. Aquilo era... céu de verdade? Ela olhou pra cima. Luzes vermelhas, sirenes. Uma placa quebrada: ACE CHEMICALS. Ela não fazia ideia do que aquilo significava.

Ela tentou respirar fundo, mas tossiu. Alguma coisa nela estava quebrada — talvez o peito. Talvez a cabeça.
Talvez tudo.

As mãos tremiam. A pedra Hextech tinha sumido. Ou explodido. Ou... tinha engolido ela?

"O que eu fiz? Eu... fiz tudo de novo. Sempre eu. Sempre eu. Vi tinha razão..."

Ela cambaleou para trás e bateu na parede molhada. Os olhos corriam de um lado para o outro, tentando entender o que estava acontecendo. As vozes dentro dela gritavam mais do que nunca.

E então veio o som.

Uma risada.
Alta. Arrastada. Errada.

Ela congelou. Era como se aquela risada soubesse o que ela tinha feito. Como se risse dela. Ou pior... com ela.

De trás da fumaça e da chuva, um vulto surgiu. Um homem alto, magro, pele branca como giz e um terno roxo sujo de tinta ou... sangue? Os olhos eram dois buracos de loucura, e o sorriso… O sorriso parecia colado no rosto, como uma máscara esculpida na carne.

— Olha só… — ele disse, inclinando a cabeça, como quem observa um bicho raro. — Um passarinho fora do ninho.

Ela deu um passo pra trás. O coração acelerava. O medo batia junto com a adrenalina. Mas também tinha algoestranho ali... familiar. Aquela loucura...
Era parecida com a dela.

— Onde eu tô? — ela perguntou, mas quase ninguém ouviu. Nem ela mesma sabia se tinha falado alto ou só pensado.

— Gotham — respondeu o homem, como se fosse óbvio. — Cidade onde os pesadelos gostam de dançar. Bem-vinda, queridinha.

Ela queria correr. Explodir alguma coisa. Voltar. Mas não sabia pra onde. Nem quando. Nem quem exatamente ela era naquele momento.

Powder? Jinx? Monstro? Menina? Arma? Culpa?

— Me chame de Coringa. E você… você é interessante.

Ele sorriu ainda mais, se isso era possível. E, pela primeira vez, alguém olhava pra ela com curiosidade... não com pena. Nem com nojo. Nem com raiva. Só... diversão.

Zona do CaosWhere stories live. Discover now