Prólogo

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Medo.

Pavor, terror, pânico, fobia, horror, repugnância. São muitas as formas de nomear esse sentimento. E, ainda assim, nenhuma delas parece suficiente para traduzir o estrago que essas quatro letras conseguem causar em uma mente já fragmentada como a minha. Não sei como algo tão pequeno, tão simples na aparência, pode se tornar tão devastador quando cresce dentro da gente. Mas cresce. E toma tudo.

A verdade é que, por muito tempo, eu acreditei que tinha uma vida perfeita ou, pelo menos, algo próximo disso. Eu era jovem, inexperiente, e preferia me apegar à ideia de que estava sendo amado, mesmo quando os sinais diziam o contrário. Só muito depois entendi que aquilo que eu chamava de amor era, na verdade, uma prisão. Uma teia feita de rotina, dependência e palavras doces demais para esconder a violência que crescia por trás delas. Eu estava sendo maltratado. Todos os dias. E o pior: por quem dizia me amar.

Mas, antes de chegar nesse ponto, talvez eu precise voltar um pouco.

Comecei a namorar com apenas quatorze anos. Sim, quatorze. Muito novo. Um ômega comum, sem grandes recursos, vindo de uma família hostil, com pouca perspectiva de futuro e um único sonho no coração: sair pelo mundo e encontrar um lugar que eu pudesse chamar de lar. Um lar de verdade. Aquele namorado foi, durante um tempo, a coisa mais próxima disso que encontrei. Era o meu conforto no meio do caos. E, por isso, eu gostava de tê-lo comigo. Talvez mais por necessidade do que por amor, mas eu ainda não sabia diferenciar uma coisa da outra.

Ele era um amorzinho, ou fingia ser. E eu? Eu era completamente apaixonado. Me entreguei com tudo o que tinha. Sendo bem honesto, hoje entendo que fui apenas um tolo. Um garoto ingênuo, cheio de esperança e fácil de manipular. Um pobre apaixonado.

Eu fui morar com ele quando completei dezessete anos. Foi ali, naquele momento, que minha vida começou a desmoronar. Três anos atrás. Quase mil dias que se arrastaram entre silêncio, medo e um terror psicológico que corroía cada pedaço de mim, dia após dia. Não foi um acontecimento isolado, mas uma sucessão de pequenas feridas que, juntas, me tornaram quase invisível para mim mesmo.

Nossa vida era simples, humilde, e ele era o provedor. Trabalhava enquanto eu cuidava do nosso pequeno lar com todo o cuidado que podia oferecer. Eu era amoroso, zeloso, fazia questão de ser tudo para ele. Preparava as refeições, mantinha a casa em ordem, satisfazia suas vontades do jeito que eu sabia. Era meu jeito de demonstrar amor, meu esforço diário para garantir o que ele chamava de "nós". Ou melhor, para garantir o bem-estar dele, porque, olhando para trás, sei que nunca cuidei de mim.

O abuso psicológico não se revelou de imediato. Foi um lento escurecer, uma nuvem que tomou forma nas palavras ríspidas, nas críticas constantes, nas agressões veladas que ele desferia, especialmente nos momentos que deveriam ser nossos. Demorei a reconhecer o que era aquilo. Talvez porque não soubesse o que esperar do amor. Talvez porque não acreditasse que aquilo pudesse acontecer comigo. E, mesmo assim, eu suportei.

Suportei porque não entendia. Suportei porque aquela era a única realidade que conhecia. Porque tinha medo do que viria depois.

Mas houve um ponto em que não pude mais suportar.

Quando contei a ele que estava esperando um bebê, ouvi algo que jamais esquecerei. Ele me mandou tirar aquela criança de mim. Como se fosse um curativo incômodo que pudesse ser arrancado com facilidade, sem dor, sem consequências. A frieza das suas palavras me quebrou. Chorei tanto, tanto, que naquela mesma madrugada, assim que ele saiu para o trabalho, peguei minhas coisas e fugi.

Sim. Eu fugi.

Coloquei as poucas coisas que tinha em uma bolsa, alguns lanchinhos para tentar proteger a mim e ao bebê também. Vesti o casaco mais grosso que possuía, embora não fosse muito quente. E, assim, parti. Sem destino, sem certeza, só com a urgência de escapar.

Não foi a decisão mais sensata, eu sei. Em meio a uma nevasca congelante, busquei abrigo entre as grandes árvores da floresta, onde o silêncio só era quebrado pelo vento cortante. O frio intenso, somado à minha alimentação precária, começou a me derrubar. Meu corpo fraquejou e, em um instante, desmaiei. Apaguei, sozinho, perdido, no meio da neve.

Quando acordei, não fazia ideia de onde estava, nem do que deveria fazer. Dois rapazes estavam assustadoramente próximos, me observando com olhos arregalados e atentos. Yoongi e Taehyung, foi o que disseram seus nomes. Ômegas, assim como eu. Constatei pelo cheiro suave deles e pelo que me confidenciaram.

- Não vamos machucar você - foi Taehyung quem falou, ajoelhado ao meu lado, a voz firme e ao mesmo tempo gentil.

Eu estava apavorado, o medo apertava meu peito de um jeito que eu nunca havia sentido antes. Mas eles seguraram minha mão com delicadeza e fizeram uma promessa que me trouxe, pelo menos, oitenta por cento de tranquilidade.

- Vamos segurar sua mão e só soltaremos quando você disser que podemos. Você está seguro agora.

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Aaaaa, eu amo ABO demais ♥ Espero muito que tenham gostado, beijinhos e até o próximo ♥

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⏰ Last updated: 4 days ago ⏰

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