Pequena Morte

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Song¹: Rival — Ruelle
Song²: Dead of Night — Ruelle

. . .

— Esteja aí, Chanyeol... — a água gelada cobria todo o corpo pálido e sem vida de Park, enquanto Baekhyun torcia para que o garoto abrisse os olhos. — Por favor, não me decepcione.

Os fios castanhos estavam opacos e sem vida, os lábios que eram normalmente vivos, se encontravam em tons de roxo e branco. Chanyeol não havia gritado. A dor estava estampada em seu rosto, mas ele continuava quieto.

O relógio tocou alto, assustando o loiro que, tão concentrado em observar o corpo morto do seu amigo, estava suscetível a qualquer som inesperado.

Esse era o momento, ele precisava trazer Park Chanyeol de volta.

Com esforço, ele tirou o Park da banheira e o colocou no chão, que não se comparava com a frieza do seu corpo pálido. Pegou as compressas quentes e os cobertores, secou todo o corpo de Chanyeol e por fim o embalou parcialmente. Ativou a compressa quente nas duas extremidades do seu corpo e em pontos vitais: cabeça, nuca, pulsos, virilha.

Baekhyun ligou o aquecedor; o corpo de Park precisava estar no ponto certo de temperatura. Byun não parava de tremer, podia sentir a pele gelada do seu amigo nos seus dedos quentes. Os fios castanhos grudados na testa, caindo sobre os olhos.

Baekhyun arfou em desespero.

Suas mãos, trêmulas, esticaram até as canetas de epinefrina. Ele as segurava forte contra os dedos, com medo de as perder. Baekhyun esperava ansioso pelo ponto de temperatura de Chanyeol, ele a checava de instante em instante. Seu corpo suava mais e mais com todo o nervosismo, entretanto, ele precisava fazer aquilo.

Quando Chanyeol lhe pareceu quente o bastante, Baekhyun começou a ressuscitação. A carne sob suas mãos ganhava calor, fazendo o corpo parecer menos um picolé e mais um cadáver. Seus dentes trincaram ao ouvir as costelas rachando abaixo de suas palmas, e depois de muitas repetições, Baekhyun posicionou uma das canetas de epinefrina na perna de Chanyeol.

Um, dois, três.
Nada.

Começou a massagem novamente, xingando Chanyeol de todos os nomes mais feios possíveis, em tom baixo e retraído. Baekhyun já era silencioso por natureza, mas era ainda mais quando estava tenso e sob pressão.

Não funcionava.

Baekhyun pegou a segunda caneta e a espetou na coxa de Park.

Um, dois, três.
Nenhum sinal.

A bebida que Baekhyun havia ingerido antes de começar o processo com Park estava voltando amarga por sua garganta, com uma sensação de desespero. Suas esperanças estavam esgotadas, e ali, olhando o corpo do seu amigo morto, Baekhyun lembrou de quando o viu pela primeira vez na faculdade. Chanyeol que vinha com uma mala e um sorriso; Chanyeol, que acreditava em Deus e que tinha um monstro dentro de si assim como Baekhyun —  mas que conseguia escondê-lo melhor  — Chanyeol que gostava dele porque era um monstro e não escondia isso.

Então, segurando ainda mais forte a última caneta, Baekhyun a espetou no peito de Chanyeol, com força.

Uma, duas...três vezes, três canetas. Três tentativas. Três falhas.

— Chanyeol, eu sei que está aí, por favor... — os dedos trêmulos de Baekhyun encontraram as bochechas sem cor de Park, ele as segurava como se estivesse segurando algo de extremo valor.

Apesar de todos os problemas, Baekhyun ainda gostava de Chanyeol. Ainda via aquele monstro que se esgueirava dentro dele, de uma versão sua que não mais tinha para si, mas que ainda existia, ou costumava existir. Ele sentiu falta, ele quase sentiu muito mais que isso.

Pequena Morte | ChanbaekOpowiadania do pokochania. Odkryj je teraz