Amantes do passado

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Nevava pesado há mais de 3 semanas. Os ventos sopravam mais fortes e gelados do que o normal e todos os dias acordavamos com maquinas e pessoas limpando as ruas, afastando a neve das calçadas.
Alguns diziam que o mundo acabaria no fogo, mas eu tinha a absoluta certeza que acabaria no gelo. A paisagem congelada e branca pode parecer linda para quem vive em lugares quentes e ensolarados, mas para mim não tem nada de lindo precisar vestir todos os dias kilos de roupas para não congelar, viver sob a ameaça de falta de energia tambem não é nada atraente.
O inverno estava rigoroso, e transformando a vida de todos em um verdadeiro caos.
Há mais de uma semana eu não via meus amigos, pois a nevasca foi tão intensa que não nos permitia sair de casa, por mais que eles pudessem atravessar a neve sem nenhum problema, como eu iria explicar para meus pais tal feito, já que nenhum ser humano normal era capaz daquilo. Tudo que eu podia fazer era falar com eles via video call, mas ainda sim sentia saudades de seus abraços.
Aquela sensação de solidão me deixava inquieta e irritada eu não tinha fome ou sono, tudo que eu queria era fica trancada no meu quarto, sentada em frente a minha janela, observando a neve se acumular no parapeito, hora ou outra eu podia ver o garoto loiro acenando para mim do topo da montanha que ficava atras das casas do outro lado da rua, Jimin.
Aos olhos comuns ele era um garoto normal de 23 anos, com um belo rosto e um corpo escultural, vindo de uma familia rica e bem sucedida, mas para mim, ele não era apenas isso.
Minha história com Jimin começa no ano de 2015, quando mudei para essa cidade. Logo que mudei para cá, iniciei meu estudos no colegio da cidade, era apenas eu e meu irmão mais velho Yuhã, era março, meio de semestre, como se tudo já não fosse dificil o bastante, alguns populares deciram implicar com o fato de sermos estrangeiros- que ótimo- Yuhã era muito calmo e discreto, desde que não provocassem sua menina dos olhos lindo, no caso, eu.
Logo na primeira semana, Yuhã e eu fomos convidados à ir para a sala do diretor, precisavamos nos explicar o real motivo pelo qual meu irmão agrediu um dos veterando mais famosos da escola.
-Ahhh, é serio isso Hanna? Vamos ter que nos explicar do por que nos defendemos daquele troglodita?

-Hey, Yuyu, fica calmo e mantenha sua postura de lorde, eu vou falar e serei o mais direta possível, caso minha justificativa não seja aceita, você fala!

-Tudo bem maninha, mas não esconda e nem oculte fatos esta bem?

Apenas fiz um gesto de afirmação com a cabeça. Não demorou muito para sermos chamados. Ao entrarmos na sala, Alem do diretor haviam outros 3 garotos, aparentemente da mesma idade que eu, eu não os conhecia, mas algo neles chamou minha atenção e fez com que meu coração acelerasse por alguns instantes. Abaixei o olhar e aguardei o turbilhão de perguntas do diretor, respondi tudo que o mesmo perguntou, Yuhã ficou em silêncio ao meu lado, hora ou outra segurava em minha mão o que de certa forma era a maneira que usavamos para passar confiança para o outro, desde pequenos eramos assim, durante minha conversa com o diretor senti os olhares daqueles 3 meninos em mim, em alguns momentos percebi que sussurravam algo entre eles, mas permaneceram sérios durante todo o diálogo. Ao fim da conversa, percebi que o diretor não era uma má pessoa, ele apenas queria entender todos os lados da história, para assim tomar uma decisão justa e correta. Fomos liberados logo depois das explicações e seguimos para casa, Yuhã não precisou falar, meus argumentos eram bons e consistentes, sempre fui excelente em argumentar e era ótima em debates e isso sempre nos ajudou em muitas ocasiões.
Ao chegar em casa eu e Yuhã seguimos para nossos quartos em silêncio, nossos pais não estavam em casa então não precisamos falar sobre o assunto.
Assim que entrei em meu quarto, deitei na cama e procurei relaxar para tentar dormir um pouco, mas sempre que fechava meus olhos, lembrava do olhar daqueles 3 garotos.

-Ahhh é impossivel relaxar assim.

Depois de varias falhas, desisto de tentar dormir, me levanto e vou ao banheiro. Tomo um banho quente, mas momento algum esqueci aqueles olhares. Depois do banho, visto uma camisola grande e larga e vou para o quarto do meu irmão.

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