único, como Kang Seulgi.

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O tempo começava a se fechar e eu já sabia o que aconteceria, já conhecia os medos do meu ursinho.

Eu lia um livro, usava meus fones para escutar músicas aleatórias de uma playlist qualquer. O quarto estava apenas com a luz do abajur ligada, eu estava forçando um pouco a vista para conseguir ler. Logo vi a figura de Kang Seulgi entrando no quarto como um furacão. Quando ligou a luz do quarto pude ver seu semblante assustado. Olhei para a janela aberta e não pude evitar rir quando a Kang praticamente pulou para meu lado ao ouvirmos o barulho estrondoso de um trovão.

- Eu tenho medo, Joohyun!

- Eu sei. 'Tá tudo bem, Bear. - Fechei o livro após colocar meu marca página entre as páginas 160 e 161. - Vem aqui.

Em segundos a mais nova estava me abraçando forte, murmurando coisas que eu não conseguia entender. Ela me abraçava como se eu fosse fugir a qualquer segundo. O vento assobiava lá fora, logo se pôde ouvir os pingos grossos de chuva atingirem o telhado da casa e o chão da rua. Não parecia ser uma chuva passageira, provavelmente duraria a noite toda, talvez não nessa intensidade mas possivelmente ainda seria forte.

Um clarão no céu iluminou todo o quarto azul bebê, automaticamente coloquei minha mão por cima da orelha de Seulgi, apertando o abraço, tentando protegê-la de algo que não a machucaria.

O amor deixa as pessoas loucas.

O barulho alto veio poucos segundos depois, esperei um pouco mais para poder levantar e fechar a janela.

Enquanto eu voltava para cama, mais um raio, mais um trovão e logo em seguida um apagão.

Tinha que faltar luz logo agora?!

Ouvi Seulgi choramingar, provavelmente começaria a chorar. Não dava para ver nem um palmo a frente, fui devagar até a cama e senti pena do meu ursinho quando a ouvi chorar, quase me derrubando ao sentir o peso na cama

- Unnie, por favor, fica aqui. - Sua voz falhava, seu tom choroso quebrava meu coração.

Apertei o abraço, tentando nos cobrir.

Ela tinha que ter medo de chuva e escuro juntos? Por deus...

Tateei a cama em busca de meu celular e quando o encontrei, tentei ligá-lo.

- Ótimo momento para estar sem bateria. - Digo sem paciência, sentando na cama. - Baby, onde você deixou seu celular? - Olhei para a menor, minha visão já havia se acostumado com o escuro.

- Na cozinha... Eu 'tava comendo pizza. - A Kang falava ainda chorosa mas com uma pitada a mais de manha. Kang Seulgi consegue ser um neném quando quer.

Tentei levantar mas fui impedida por duas mãos em minha cintura.

- Irene Bae, você vai me deixar sozinha no escuro? Você vai morrer, eu vou morrer logo depois e vamos pro inferno juntas. - Revirei os olhos, me levantando.

Por que fui inventar de namorar uma garota tão dramática?

- Não, Kang Seulgi. Eu não vou morrer. É apenas um apagão geral.

- É isso que as pessoas falam antes de morrer!

Dramática.

- Apenas não saia daqui, bebê. Vou buscar seu celular e vamos ficar com a lanterna ligada até você dormir.

Ignorei sua voz manhosa reclamando e fui até a cozinha com um pouco de dificuldade e respirei fundo ao vero clarão de um raio iluminar a casa inteira. Logo ouvi um gritinho e um choro.

O que eu tinha na cabeça quando comecei a namorar uma garota mais nova que tem medo até da própria sombra?

Peguei o celular e liguei a lanterna. Ainda tinha um pedaço de pizza ali.

Talvez eu devesse brincar com minha criança.

Sentei, colocando o celular no balcão com a lanterna ligada e comi o pedaço de pizza tranquilamente, lavei as mãos, organizei algumas coisas na cozinha, fazendo barulho propositalmente.

- IRENE BAE! - Ouvi seu grito e seu choro intensificando mais ainda.

Meu deus, essa garota vai ter um ataque cardíaco daqui a pouco.

Peguei o celular e desliguei a lanterna ao chegar perto do quarto, fui até a cama e puxei o pé da mais nova, rindo alto ao ouvir o grito da garota. Liguei a lanterna e me senti culpada ao ver o rostinho dela. Lágrimas descendo pelo seu rosto, olhos quase fechados, suas bochechas estavam vermelhas como se ela estivesse com febre.

Senti meu coração pesar pelo olhar da Kang.

- Eu vou terminar com você se fizer isso de novo, Bae Joohyun.

Me deitei ao seu lado, secando suas lágrimas com cuidado, ligando a lanterna do celular em seguida.

- Desculpa, jagi. Quer tentar dormir? - Coloquei o celular no chão, com a lanterna virada para cima, abraçando Seulgi com cuidado. - A chuva 'tá mais fraca agora... Acho que os raios e trovões diminuíram. - Escutei apenas um murmúrio como resposta e sorri quando ela me olhou nos olhos.

- Vira. Quero dormir contra suas costas. - Disse com manha na voz e com sua carinha de "ursinho" que caiu da mudança.

Revirei os olhos sorrindo e me virei, sentindo ela se aproximar e se encolher atrás de mim, com sua cabeça encostando nas minhas costas.

- Espero que realmente durma e que durma bem. Te amo. - Segurei sua mão que estava na minha cintura.

- Te amo. - A Kang disse baixinho.

Logo um silencio reinou, dava para ouvir a chuva lá fora e a respiração pesada da mais nova. Poucos minutos depois a luz havia voltado mas não me importaria de dormir com a luz ligada, não queria acordar Seulgi. Então apenas fechei meus olhos e me entreguei ao sono, assim como a mais nova.

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Espero que tenham gostado.

STAN LOONA. STAN KARD, STAN TWICE. STAN DREAMCATCHER. STAN RED VELVET.

O urso que tinha medo  - SeulreneStories to obsess over. Discover now